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  • Caruaru recebe oficina gratuita de fotografia artesanal para mulheres

    Projeto “O Imaginário Feminino no Agreste: Saberes e Visualidades” destina 15 vagas para participantes entre 18 a 55 anos Caruaru recebe a oficina de cianotipia “O Imaginário Feminino no Agreste: Saberes e Visualidades”, realizada pelo Tipia Coletivo Fotográfico, com inscrição gratuita. A formação acontecerá na UFPE, no Centro Acadêmico do Agreste e oferece 15 vagas para mulheres entre 18 e 55 anos, com prioridade para mulheres trans, portadoras de deficiência, negras e de baixa renda. O curso será desenvolvido em formato híbrido, com um encontro online e quatro presenciais, realizados uma vez por semana, entre os dias 22 de outubro a 19 de novembro, no turno da manhã. A iniciativa trabalha a cianotipia, técnica alternativa de revelação fotográfica que produz imagens em tons de azul. O “Imaginário Feminino no Agreste: Saberes e Visualidades” tem como objetivo popularizar o acesso à arte, incentivar a produção e o comércio de obras artísticas, além de promover o desenvolvimento pessoal e profissional das participantes. O projeto foi inspirado no livro "A Invenção do Nordeste", do historiador Durval Muniz, que analisa como foi construída a imagem de um Nordeste pobre e inferiorizado. A iniciativa pretende refletir sobre a forma como a sociedade enxerga a “mulher nordestina”, geralmente associada a uma visão de atraso. A oficina propõe ressignificar essas representações por meio da cianotipia, oferecendo às participantes um espaço de aprendizagem, criação e valorização de suas próprias experiências. Os encontros ocorrerão das 8h30 às 12h30, no Centro Acadêmico do Agreste (UFPE), localizado na Av. Mariele Franco, no bairro Nova Caruaru. As atividades terão o apoio do Laboratório de Fotografia do Agreste (Fotolab) e do Laboratório de Design Inclusivo (LabDin). O campus dispõe de rampas, banheiros e portas adaptadas, garantindo acessibilidade física para pessoas com mobilidade reduzida. Para participar da oficina as interessadas devem se inscrever através do link que está disponível no instagram do coletivo: @tipia.coletivo. Cada participante receberá um kit completo de cianotipia com químicos fotossensíveis, pincel, copo medidor e manual ilustrado, permitindo a prática após o término do curso. As produções serão reunidas em um catálogo online no site do Fotolab, ampliando a visibilidade dos trabalhos. As participantes também terão direito a um certificado de 20 horas pela participação. O projeto é idealizado pelo Tipia Coletivo Fotográfico, que desenvolve atividades formativas e ações culturais com foco na fotografia artesanal. O coletivo já ministrou oficinas na Região Metropolitana do Recife e em diversas cidades do Agreste Pernambucano. Em 2025, esteve presente no “Rolê REC’n’Play Caruaru” e no festival “Pernambuco, Meu País” em Pesqueira, além de ter participado do Festival de Inverno de Garanhuns – FIG 2024. A oficina de cianotipia conta com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio da Política Nacional Aldir Blanc e apoio do Laboratório de Fotografia do Agreste (Fotolab) e do Laboratório de Design Inclusivo (LabDin). Informações gerais e contato: Oficina de Cianotipia “O Imaginário Feminino no Agreste: Saberes e Visualidades” UFPE, Campus Agreste – Fotolab (Av. Mariele Franco, Nova Caruaru) Encontro semanal entre 22/10 à 19/11, das 8h30 à 12h30 Representante do Tipia Coletivo: Karol Santiago Telefone/WhatsApp: (81) 9.8395-0625 Instagram: @tipia.coletivo Link do formulário: https://forms.gle/zKhaaGKxqGmawpuJ6 LR - Assessoria de Comunicação Telefone/WhatsApp: (81) 9.9154-8905 (Ramona Silva)

  • FLUAR: Festival de Cinema Universitário do Agreste está com incrições abertas

    FLUAR chega a Caruaru com exibição de curtas, oficinas e programação gratuita Por Ingrid Gonçalves Foto: Divulgação De 09 a 12 de setembro de 2025, Caruaru sediará a primeira edição do FLUAR – Festival de Cinema Universitário do Agreste, evento gratuito que reúne a potência criativa de jovens realizadores do audiovisual pernambucano e brasileiro. As inscrições para envio de curtas-metragens já estão abertas e seguem de 15 de junho a 15 de julho de 2025. Podem participar estudantes de todo o Brasil com filmes produzidos em contexto acadêmico e finalizados entre janeiro de 2023 e julho de 2025, através do formulário de inscrição: https://forms.gle/LZfcb5BG5c2gWZrP7 Esta edição será realizada na nova instalação do Armazém da Criatividade, que passa a funcionar no Centro Cultural Tancredo Neves, no centro da cidade de Caruaru. A programação completa será divulgada no final de agosto, no Instagram @cinefluar, e contará com mostras competitivas, oficinas formativas e rodas de conversa com profissionais do audiovisual. As mostras estão organizadas nas seguintes categorias: Sabiá – estudantes do ensino médio, técnico e cursos livres; Azulão – universitários de todo o Brasil; Patativa – universitários de Pernambuco; Carcará – ficção de gênero produzida por universitários (terror, suspense, ficção científica, etc.); MOSCCAA – estudantes do CAA/UFPE (não competitiva). O festival integra a programação oficial da SECOM – Semana de Comunicação da UFPE Caruaru, realizada em parceria com o Diretório Acadêmico de Comunicação Social (DACO). O FLUAR nasce como um espaço de valorização do cinema universitário independente, promovendo encontros, trocas e visibilidade para as múltiplas narrativas produzidas nas universidades e escolas brasileiras, com o objetivo de fortalecer o audiovisual como ferramenta de expressão, reflexão e transformação social no interior do país. Realização do coletivo Oxidroide, incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – Funcultura, da Fundarpe e do Governo de Pernambuco. SERVIÇO FLUAR – Festival de Cinema Universitário do Agreste Armazém da Criatividade – Centro Cultural Tancredo Neves (centro), Caruaru/PE De 09 a 12 de setembro de 2025 Inscrições de curtas: 15 de junho a 15 de julho de 2025 Link para inscrição: https://forms.gle/LZfcb5BG5c2gWZrP7 Evento gratuito Informações e regulamento: Instagram: @cinefluar E-mail: festivaluniversitarioagreste@gmail.com

  • Artista de Caruaru, Raquel Santana lança clipes de duas músicas autorais

    Raquel Santana disponibiliza clipes de duas músicas autorais do álbum visual solo de estreia Por Daniel Lima/Assessoria de Comunicação Foto: Divulgação A cantora e compositora Raquel Santana, cria de Caruaru (Agreste de Pernambuco), abre o álbum visual “Canto e Espanto o teu Quebranto”, o de estreia da carreira solo, com o lançamento de dois clipes e músicas autorais nas plataformas digitais (assista - bit.ly/3HBg9dz e confira - bit.ly/4jy7AOi). Da cultura popular e com influências negra e indígena, a artista disponibiliza os audiovisuais e as canções “Quer ficar com mamãe”, trazendo a participação da recifense Bell Puã e da caruaruense Maria Carolina, mais conhecida por Caracol, como compositoras e cantoras da canção, e “Cumbiambera”. Capa: Daniele Leite/projeto gráfico: Pombo/Palloma Mendes As cenas do clipe “Quer ficar com mamãe” ocorrem no Assentamento Normandia, em Caruaru/PE, e no Jardim do Baobá, no Recife/PE. Já as imagens do videoclipe de “Cumbiambera” são na Casa Cultural Respira, na cidade de Caruaru. “Quer ficar com mamãe” também tem a parceria do Dj caruaruense Nino Scratch, utilizando a técnica musical do “arranhar” como efeito de som. Toda a produção musical do disco é de Zé Barreto de Assis, de Bezerros (Agreste pernambucano), com a mixagem e masterização de Heverton Fagner, do Studio di Fagner (Caruaru), onde foi realizada a captação de áudio, tendo sido feitas também gravações no Cordilheira Estúdio (Recife). Além da acessibilidade em libras para a comunidade surda, o álbum visual tem incentivo público com financiamento pelo edital estadual e municipal da Lei Paulo Gustavo (LPG), via recursos do Ministério da Cultura, Fundarpe, Secretaria de Cultura, Governo de Pernambuco, Prefeitura de Caruaru e Fundação de Cultura de Caruaru. A canção “Quer ficar com mamãe” (escute - bit.ly/43JAODZ) é um coco-rap em que Raquel Santana fala da sobrecarga materna e especialmente sobre ser mãe solo, que quer ir para o mundo encontrar e abraçar outras mulheres que também vivem essa realidade. Ela já começa dizendo: “Pipa vem pra ver/Pracinha pra brincar/Bolacha pra comer/Não quer/Só quer ficar com mamãe”. No refrão, canta “Quer ficar com mamãe/Só quer ficar com mamãe/Quer ficar com mamãe/Só quer ficar com mamãe”. E continua com “Na rede balançar/Colinho da vovó /Desenho vem pra ver/Não quer/Só quer ficar com mamãe”. Na sequência, entra a rima de Caracol: “Só quer ficar com a mamãe/Mas a mamãe tem que trabalhar/Acordo cedo arrumo a cria/Levo pra creche e vou trampar/Todo dia tô nessa correria/Fazendo minha vida acontecer/Mas as dores aqui dessa mamãe/Quem é que pode acolher/Vai sem medo, vai mainha /Vai sem medo de viver/Vai sem culpa, vai mainha/Vai sem medo de viver”. Em seguida na letra, a poesia é de Bell Puã. E volta para Raquel, que conclui: “É Bell, Lolly e Quel no coco e na poesia/Pelas mãe solo/Uou!/Pelas mãe preta/Uou!/As mãe atípica/Uou!/LGBT/Uou!/E da periferia/Essa canção eu fiz com o meu filho Erasto/Que quando ele falava/Dizia mermo assim... yêêêêê... vai!”. Capa: Ythalla Maraysa/projeto gráfico: Pombo/Palloma Mendes Já na música “Cumbiambera” — composição da própria Raquel (escute bit.ly/3StSDBL) —, a artista resgata para si o prazer e a sensualidade, que ficaram de lado na sua vida após a maternidade . Ela inicia a letra com o trecho: “Caminando por las calles del Agreste/La cumbiambera tiene un recuerdo/Viajando por historias de otros tiempos/Extraña amores y sus secretos”. A canção é uma cumbia, ritmo com que Raquel teve uma relação durante o período em que morou no Recife, de 2002 a 2018. Também contribuírem em “Cumbiambera”: flor das chagas (harmonização da música e riff de abertura); Pombo/Palloma Mendes (projeto gráfico); Mara (foto da capa), Brê Souza, da Salsa & Caliências (modelo do clipe); Thiago Gregório (professor de canto). O instrumental das canções está nas mãos de uma diversidade de músicos e musicistas do interior pernambucano: Nino Alves (pandeiro, ilu, mineiro, congas, bumbo, agogô, guiro, pratos e maracas); flor das chagas (alfaias, violão e maracas); Fábio Santos (contrabaixo), Edson Pedro (sanfona) e Heverton Fagner (beats). Também tem a presença de muita gente nos vocais de apoio, como crianças e adultos: Erasto Kehinde, Ginga Taiwo, Melina Medeiros, José do Céu (vozes infantis); Ranuzia Melo, Naya Lopes, Vanessa Cardoso, Thaynã Lustosa, Joyce Noelly, Ythalla Maraysa e flor das chagas (vozes adultas). O material audiovisual também reúne bastante profissionais, sendo todos e todas da região Agreste - Túlio Beat (direção); Felipe Correia (fotografia); César Caos (montagem, correção de cor e edição); Daniele Leite (fotografia adicional); Jeizon Novais (fotografia adicional e iluminação); Pombo/Palloma Mendes (projeto gráfico), Paulo Conceição (figurino e maquiagem); Katarina Machado e Joyce Noelly (direção de produção); Ythalla Maraysa/Oficina Embuá (still); Ivan Márcio (motorista); Daniel Lima (assessoria de imprensa). Eduarda Nunes está na ficha técnica como comunicação, assumindo as redes sociais. Com a realização de Heyaná Produções e o apoio da Maniva Produções, Indicativa e Oficina Embuá, atuam no clipe de “Quer ficar com mamãe”: Bell Puã, Caracol, Gorete Gomes, Katarina Machado, Luciana Nascimento, Marília Brandão, Mariana Carvalho, Raquel Santana, Rúbia Silva e Thaynã Lustosa (performances). Além das crianças Ana Luiza, Erasto Kehinde, Geovana Sofia, Ginga Taiwo, Heitor Andrade (modelo do videoclipe e filho de Mariana Carvalho e Ícaro Limeira), Maria Clara Silva, Lara Catarina, Melina Medeiros, Odara Lustosa e Zion Brandão. Já no videoclipe de “Cumbiambera” estão Raquel Santana e Brê Souza, da Salsa & Caliências (performances; Brê Souza também é modelo do clipe); Erasto Kehinde e Ginga Taiwo (crianças); Artur Tito, Bia do Violãozinho, Carine Siqueira, David Tomaz, Emily Beatriz, Camila Santana, Eduarda Torres, Eric Brito, Fabíola Torres, flor das chagas, Gabriela Guerra, Leandro Silva, Marcus Vinícius, Marly Cavalcante e Sandra Carin (corpos de baile). Com as primeiras músicas abrindo os caminhos para a futura formação completa da obra musical e visual, Raquel Santana, também conhecida como Quequel, já celebra a realização de um dos sonhos. São mais de 17 anos como cantora e ritmista. “O álbum ‘Canto e Espanto o teu Quebranto’ reúne ritmos populares. Tem afoxé, cantoria, coco, cumbia, forró, hip hop e maracatu. Para além da sonoridade, as letras denunciam o racismo, o machismo e a sobrecarga materna, como valorizam a ancestralidade, a comunidade indígena, a matriz africana, a proteção espiritual, a reforma agrária, as celebrações populares, o território caruaruense e outras paisagens do interior pernambucano”, destaca. Ela compõe a partir de temáticas racial, social, de gênero, política, cultural e educativa e tem a arte e a música como espaços para criações artísticas coletivas e de expressão da identidade. “O ato de escrever e cantar dá força para enfrentar males como racismo, machismo, classismo, relações e pessoas tóxicas. Sou mãe solo de crianças gêmeas, uma delas com Transtorno do Espectro Autista – TEA (autismo)”, pontua. Natural do Recife, Raquel Santana mora em Caruaru desde os dois anos de idade, onde viveu durante a infância, a adolescência e atualmente como adulta. Nessa vivência na cidade, conheceu a cultura das quadrilhas, mamulengos e bacamarteiros. Em 2002, retornou para a Capital pernambucana e a partir daí celebrou nas sambadas de coco, cavalo-marinho, maracatu rural, maracatu de baque virado e afoxés. No ano de 2006, fundou juntamente com outras mulheres a “Casas Populares da BR 232”, banda com uma sonoridade de ritmos populares do Nordeste, Norte do Brasil e expressões musicais afro-indígenas da América Latina. Com essa banda, circulou por Pernambuco e realizou shows e oficinas na Bahia, Ceará, Paraíba e Rio de Janeiro. O grupo tem um CD lançado: “Negraíndia” (2019). Ela chegou a integrar os grupos de artistas e bandas do estado: Chris Mendes (2023), Erasto Vasconcelos (2013-2014), Ciranda de Zé Maria (2011-2012), Mestre Zé Borba (2013) e Boi da Mata (2011-2012). Participou dos CDs “Flor de Laranjeira”, de Santino Cirandeiro (2010), “Adiel Luna e Coco Camará (2010)” e “Na Caixinha”, do grupo Forró de Cana (2009). Raquel investe na carreira solo desde 2021, estreando com o clipe e a música “Imbé da Mata”. No ano de 2023, fez o lançamento do som “Marta Vieira”. Na carreira artístico-cultural, já subiu ao palco do São João de Caruaru (2023) e ocupou espaços culturais de Caruaru como a Feira Vital e o Tejota Ateliê. O diálogo com movimentos sociais lhe rendeu também shows no Assentamento Normandia (MST) e nos dez anos da Marcha Mundial das Mulheres – Núcleo Agreste. Territórios Raquel sustenta a ideia de pertencimento com as origens e de reconhecimento da identidade territorial. No álbum visual, o território central é o Assentamento Normandia, em Caruaru e ocupado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). O Sítio Carneirinho, na zona rural caruaruense, também está entre os territórios, justamente para exaltar a ancestralidade originária da região do Agreste. Além do mais, a obra é composta por registros audiovisuais nas ruas do centro de Caruaru. A brincadeira da mazurca é uma das vivências ancestrais da artista. De 2006 a 2008, atuou com o grupo “Mazurca Pé Quente do Alto do Moura”, desenvolvendo projetos como exposição fotográfica, documentário e participação na gravação e produção do CD “Mazurca Pé Quente” (2009) . Nesse período, também aprendeu toadas com mestras, mestres, mazurqueiros e mazurqueiras. Ela tanto canta como toca instrumentos percussivos. Suas referências são grupos e artistas com a musicalidade e vozes das culturas populares, como o povo indígena Fulni-ô, o Samba de Coco Raízes de Arcoverde e o grupo cubano Sexto Sentido. Serviço Assessoria de Comunicação: Daniel Lima Contato: (81) 99800-3342

  • Festival de Cinema Carnaúba lança Plataforma Digital e está de inscrições abertas

    Evento será no Senac Caruaru e conta com a novidade de uma plataforma digital do Festival de Cinema Carnaúba. Por Assessoria Carnaúba Imagem ilustrativa da plataforma Carnaúba Play Pelo segundo ano consecutivo, o Festival de Cinema Carnaúba abre as portas para os produtores de cinema de todo o Nordeste, com o objetivo de incentivar a produção cultural e audiovisual na região. Ao todo, o festival contará com mais de 20 categorias de premiações. Serão aceitos curtas-metragens  de 5 a 20 minutos e devem ser enviados em formato MP4, com resolução mínima de 720p, as obras devem ter sido finalizadas a partir de 2022. Lançada oficialmente neste mês de junho de 2025, a Carnaúba Play é a nova plataforma digital do Festival de Cinema Carnaúba, criada para exibir gratuitamente os curtas-metragens selecionados na 2ª edição do evento. Idealizada pelo mestrando Valdenilson Henrique, do curso de Comunicação e Inovação Social (PPGCIS – Caruaru/UFPE), a plataforma surge como um espaço virtual que permite ao público de todo o Brasil e também do exterior, assistir aos filmes, votar nos seus favoritos e participar ativamente da celebração do cinema nordestino, sem precisar sair de casa. A proposta da plataforma é simples, mas potente: ampliar o alcance das produções independentes da região e oferecer uma experiência interativa, democrática e acessível. Tudo isso mantendo viva a essência do festival, que une exibições presenciais no Agreste pernambucano com ações digitais voltadas à formação de públicos. Poderão concorrer no segmento de ficção, serão avaliados aspectos como roteiro, direção, atuação principal e coadjuvante, tanto feminina quanto masculina, figurino, direção de arte, fotografia e trilha sonora. Já os documentários serão premiados em direção, roteiro, fotografia, montagem e trilha sonora. As animações, por sua vez, serão analisadas nas categorias de direção, roteiro, animação, trilha sonora e direção de arte.  As inscrições são gratuitas e realizadas exclusivamente pelo site oficial do festival ( www.carnaubafestival.com.br ), e cada realizador poderá inscrever apenas 01 (UM)  curta-metragem. Lembrando que será necessário preencher o formulário de inscrição, anexar informações técnicas e autorização de exibição. Os prazos de inscrições é de 1 a 30 de junho de 2025. 1º Edição do Festival de Cinema Carnaúba (Foto: Jeferson Gonçalves) As indicações serão realizadas por comitês formados por especialistas convidados, profissionais das áreas técnicas e artísticas, que selecionarão seis obras por categoria. O montante total de filmes indicados poderá chegar a 120 títulos. Um mesmo filme poderá ser indicado em diferentes categorias, de acordo com sua qualidade e mérito técnico e artístico. Os indicados comporão o grupo de finalistas que disputará os troféus durante a cerimônia oficial de premiação. A grande novidade desta edição é o prêmio de voto popular, realizado diretamente na plataforma digital do festival. O resultado será divulgado na cerimônia de premiação, que ocorrerá presencialmente no dia 31 de outubro de 2025, no Senac Caruaru. O filme mais votado pelo público receberá o prêmio de Melhor Filme Geral, no valor de R$ 2.000 (dois mil reais). A cerimônia será restrita ao público, com participação exclusiva dos indicados por filme ou representantes oficialmente designados. O festival incentiva a competição entre as equipes selecionadas. Assim como em um reality show, como o Big Brother Brasil, cada obra disputará a atenção do público ao longo dos 30 dias de exibição. Vencerá o filme que mobilizar a maior torcida e conquistar o maior número de votos. Em entrevista com Valdenilson Henrique, fundador e diretor do festival, fala sobre a importância de dar mais visibilidade para produções locais e independetes. "A ideia de criar a plataforma surgiu da vontade de dar mais visibilidade às produções locais e independentes do Nordeste, principalmente às que vêm do interior, que muitas vezes não têm espaço nos grandes meios. A gente percebe que tem muita coisa boa sendo feita, mas que acaba se perdendo por falta de um canal que conecte essas obras ao público. Então, nossa proposta é  justamente essa, Criar um espaço de encontro, de valorização da nossa cultura, das nossas histórias e das nossas linguagens. Mais do que só exibir filmes ou conteúdos culturais, a gente quer construir uma rede  entre realizadores, estudantes, professores, artistas e o público em geral." Henrique também fala sobre a importância da democratização do acesso para acompanhar o festival. " É também uma forma de democratizar o acesso. Na nossa primeira edição, tivemos algumas limitações que impediram profissionais de outros estados de prestigiarem suas obras em exibição. E mesmo em Caruaru, tanto o público quanto os realizadores enfrentam dificuldades para se deslocar. Por isso, buscamos levar o cinema até as pessoas, sem que seja necessário, sempre, o deslocamento. Claro que não vamos ficar 100% no formato remoto. A ideia é realizar um cinema participativo na região do Agreste pernambucano, com ações presenciais, através de um circuito itinerante. Mas com a plataforma, quem não pode estar fisicamente presente ainda assim, poderá assistir, votar e interagir. E isso fortalece não só o projeto, mas também o sentimento de pertencimento e identidade". 1º Edição do Festival de Cinema Carnaúba (Foto: Jeferson Gonçalves) Na primeira edição, o festival reuniu 30 filmes de seis estados do Nordeste, sendo eles Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Norte. Desde então, o festival busca valorizar a produção audiovisual independente da região nordeste e fortalecer o cenário cultural do Agreste pernambucano, através das produções audiovisuais. Serviço - Festival de Cinema Carnaúba Data: 31 de outubro de 2025. Local:  Senac Caruaru – Av. Maria José Lyra, 140 – Indianópolis, Caruaru – PE. Entrada:  Gratuita. Mais informações:  @carnaubafestivaloficial (Instagram) |  @carnaubafestival (TikTok). Contato para a imprensa Nome dos assessores: Mayane Lira e Jeferson Gonçalves. E-mail: assessoriacarnauba@gmail.com

  • Contos e Cantos de Menarca leva o diálogo sobre dignidade menstrual e autocuidado a cinco cidades do Nordeste

    Ciclo de escuta e afeto: projeto leva contação de histórias, roda de conversa e oficina para jovens meninas Por Emoriô Comunicação Vivência do projeto “Contos e Cantos de Menarca”, dia 06 de maio, com o EREM Rosa de Magalhães Melo na Biblioteca Afrânio Godoy (Compaz Governador Eduardo Campos), Recife. Foto: Rivah Silva Com o objetivo de abrir um espaço de diálogo sobre a menarca (primeira menstruação), “Contos e Cantos de Menarca” leva literatura, arte e troca de experiências para jovens meninas, a partir dos 12 anos, além de celebrar o Mês da Dignidade Menstrual. O projeto circula por cinco cidades do Nordeste (Recife/PE, Caruaru/PE, Belo Jardim/PE, Maceió/AL e João Pessoa/PB), entre elas três de Pernambuco, sendo duas do interior, no Agreste. A programação é gratuita e acontece no mês de maio, de 6 a 28, reunindo rodas de conversa e ações formativas com a profissional em Terapia e Saúde da Mulher e da Adolescente, Liv Monteiro, além de apresentações com Bruna Peixoto e Milla Puntel, artistas do Tapete Voador. Para Liv Monteiro, que idealiza o projeto ao lado de Milla Puntel, a roda de conversa é um espaço fundamental de fortalecimento para meninas adolescentes, especialmente nessa fase em que o acesso à informação ainda é confuso e fragmentado. “É justamente nesse período que se registram os maiores índices de violência e assédio. Por isso, esse momento de troca é tão importante — ele proporciona noções de autoproteção, autocuidado e autoconhecimento, de forma leve, descontraída e, ao mesmo tempo, consciente”, declara Liv. Vale destacar que o projeto é voltado exclusivamente para o público feminino e também celebra o Dia Internacional da Dignidade Menstrual, comemorado em 28 de maio. O público-alvo são adolescentes a partir dos 12 anos, todas estudantes de escolas públicas, com limite de 40 participantes por cidade. As escolas participantes desta edição são: Escola Municipal Kátia Pimentel Assunção, Escola Municipal Professor José da Costa Porto, Biblioteca E.E.E.F. Francisco Campos, Escola Municipal de Educação Integral Professora Dulce Ramos e Escola Municipal de Educação Integral Castelinho. Como contexto importante, em junho de 2023, a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou a criação do Programa de Distribuição Gratuita de Absorventes Higiênicos. A iniciativa busca garantir o acesso a absorventes para estudantes da rede pública, pessoas acolhidas em abrigos, mulheres em unidades prisionais estaduais e aquelas em cumprimento de medidas socioeducativas. A narrativa principal do projeto é construída a partir do conto "Como Nascem as Bruxas?", inspirado na obra de Ismael Chedid. A história - apresentada por meio da técnica japonesa Kamishibai (significa "teatro de papel") - é acompanhada pela musicalidade do violão de Bruna Peixoto e do tambor xamânico de Milla Puntel, ampliando o espetáculo com poesia. “A arte, pra mim, é missão. Esta é uma iniciativa sensível e acolhedora que convida meninas adolescentes a mergulharem no universo do ciclo menstrual por meio da literatura, da arte e do afeto. Nosso propósito é fortalecer o diálogo e criar espaços seguros, onde histórias possam ser contadas e ouvidas com respeito — garantindo o direito ao nosso corpo. Porque toda menina merece se reconhecer em narrativas que acolhem, inspiram e empoderam”, comenta Milla Puntel. Foto: Rivah Silva Além da contação de histórias, as rodas de conversa estão entre as vivências propostas por “Contos e Cantos de Menarca”, como espaços de compartilhamento sobre o ciclo menstrual, cuidados com o corpo e com o meio ambiente, especialmente por meio do uso de produtos sustentáveis. Também são apresentados alimentos saudáveis, com foco nos cuidados durante esse período. Outra atividade importante é a oficina artístico-pedagógica “Literatura de Menarca”, que propõe o desenvolvimento da criatividade por meio de pinturas e colagens. Esse momento também se torna um espaço de entendimento e reflexão sobre as transformações do corpo e das emoções. Ao final da roda, as jovens compartilham suas percepções, fortalecendo a escuta e a construção coletiva do conhecimento. "Contos e Cantos de Menarca” é um gesto de cuidado, de escuta e de partilha. Escolhemos trilhar esse caminho principalmente fora dos grandes centros, onde a cultura pulsa viva e forte, mas muitas vezes é invisibilizada. Acreditamos na potência de descentralizar, de levar arte e informação para onde muitas vezes ela chega por último”, afirma Bruna Peixoto. Por meio da Lei Paulo Gustavo Municipal (2024), o projeto “Mostra Cultural: Contos e Cantos de Menarca” contou com a participação de adolescentes da Escola Municipal Sagrado Coração de Jesus, na Casa do Turista, em Olinda. Durante o evento, as meninas receberam absorventes, como parte de uma campanha de doação. No mesmo ano, foi realizado o “Encontro Virtual para Educadores: Conversas sobre Menarca”, com o objetivo de compartilhar elementos artístico-pedagógicos, referências literárias e abordagens acolhedoras para o ambiente escolar. As ações também chegaram ao SESC Santa Rita, em Recife, com a participação de jovens da Casa Menina Mulher, organização não governamental localizada no bairro da Boa Vista. CONFIRA A PROGRAMAÇÃO: Compaz Governador Eduardo Campos - Recife/PE (06 de Maio) Escola Municipal Katia Pimentel Assunção - Maceió/AL (09 de maio) Compaz Dom Hélder Câmara - Recife/PE (13 de maio) SESC Caruaru - Caruaru/PE (15 de maio) Escola Estadual de Ensino Fundamental Francisco Campos - João Pessoa/PB (21 de maio) Instituto Conceição Moura - Belo Jardim/PE (28 de maio) FICHA TÉCNICA: Apoio: Compaz Governador Eduardo Campos; Compaz Dom Hélder Câmara; Escola de Referência em Ensino Médio Rosa de Magalhães Melo, Escola Municipal Kátia Pimentel Assunção, Escola de Referência em Ensino Médio Joaquim Nabuco, Escola Municipal Professora Teresa Neuma Pereira Pedrosa, Escola Estadual de Ensino Fundamental Francisco Campos, Escola Municipal de Educação Integral Professora Dulce Ramos e Escola Municipal de Educação Integral Castelinho; Instituto Conceição Moura e SESC Caruaru. SERVIÇO: Contação da história "Como Nascem as Bruxas?" com Bruna Peixoto e Milla Puntel, Tapete Voador Roda de conversa com Liv Monteiro Oficina de pintura e colagem com Liv Monteiro e Milla Puntel Duração: 4 horas por evento CONTATO: @projetoeumenarca ( https://www.instagram.com/projetoeumenarca/ ) @tapetevoadorhistorias ( https://www.instagram.com/tapetevoadorhistorias/ )

  • AZSex Festival realiza sua terceira edição em Caruaru

    O evento propõe uma imersão no cinema, literatura e artes plásticas para refletir sobre a sexualidade humana Por Madu Rodrigues Imagem da primeira edição do evento / Crédito: Ythalla Maraysa Nos dias 16 e 17 de maio de 2025, o Teatro João Lyra Filho, em Caruaru (PE), recebe a terceira edição do AZSex – Festival de Artes e Sexualidade Humana (@azfestival). A programação acontece na sexta-feira (16), das 19h às 22h, e no sábado (17), em dois horários: das 15h às 17h e das 19h às 22h. Os ingressos têm valor único e promocional de R$10,00 e serão vendidos na bilheteria do próprio teatro, com classificação indicativa de 18 anos. A proposta do festival é possibilitar uma imersão sensível e provocadora nas expressões artísticas ligadas à sexualidade, com atividades que reúnem cinema, artes plásticas e literatura. Com idealização e curadoria de Edvaldo Santos, o festival exibirá 21 filmes nacionais e internacionais, entre curtas e longas-metragens, organizados em duas categorias: Mostra Imersão e Mostra Reflexão. A Mostra Imersão reúne obras que propõem experiências sensoriais profundas e subjetivas, explorando a sexualidade de maneira íntima, poética e sensível. Já a Mostra Reflexão apresenta produções que incentivam o pensamento crítico e o debate, abordando identidade, desejo, afetividade e tabus sociais. Assim, o AZSex reafirma seu papel como espaço de provocação e desconstrução de estigmas, propondo olhares mais livres e empáticos sobre a sexualidade humana. A produção do festival é assinada por Éryka Vasconcelos, que reforça o compromisso do evento com a liberdade artística e a representatividade. O AZSex se consolida como um espaço necessário, que convida o público a olhar para si e para o outro com mais respeito, liberdade e sensibilidade, estimulando conexões que ultrapassam as barreiras do preconceito. Produtora Éryka Vasconcelos e o curador Edvaldo Santos / Crédito: Ythalla Maraysa Reforçando seu caráter interativo, o público poderá votar nas obras favoritas, que concorrem ao Troféu AZsex, reconhecendo os destaques da programação. Além disso, quem comparecer ainda poderá participar de debates e sorteios de brindes especiais, em uma ação realizada em parceria com a loja Íntimos Sexy Shop (@intimossexy), ampliando ainda mais a experiência do festival. O AZSex Festival conta, também, com o apoio da ASSARTIC (Associação dos Artistas de Caruaru) e da Brindgraf, instituições que colaboram para o fortalecimento e a expansão do evento. Dessa forma, com uma proposta inclusiva e ousada, o festival se apresenta como um importante espaço de arte, liberdade e celebração da diversidade.

  • “Poesia nas Estrelas: a arte entre um domingo e um fevereiro” de Matheus Miguel na Casa Clandestina

    A exposição de artes visuais que esteve presente na Casa Clandestina durante o mês de março, tem seu encerramento nesta sexta (28) Por: Inácio de Carvalho Matheus Miguel em frente a suas obras; Por: João Borges. Em meio a uma cortina de fitas metalizadas, ao som de Maria Bethânia, Alceu Valença e Lenine. Você é transportado ao ambiente imersivo da  exposição “Poesia nas Estrelas: a arte entre um domingo e um fevereiro”, de Matheus Miguel @poesianasestrelas   com a curadoria de Ayanne Sobral e Stênio Marcos no espaço Casa Clandestina. A primeira exposição do artista. Agora irei mostrar e contar como foi a exposição. Ela está espalhada em três áreas, as quais denominei por: “SAU-DA-DE”, “O sonho é o primeiro sentimento” e “Se você não me quiser, eu ainda tenho as ruas do Recife (e é como se eu te tivesse)”. Iniciando com a sessão “SAU-DA-DE”, começamos a conhecer o autor e o que essa exposição quer nos conta. Nessa parte vemos fotos do artista criança, a exposição conta sua história através das obras. As fotos do artista criança, nos transportando para o seu passado, a essa saudade que está literalmente em frente a essas fotografias. Há uma obra que se  destaca em meio a outras que batizei nessa sessão. SAU-DA-DE é aquela arte em que você se põe em frente e se fotografa, um sentimento tão lusofalante, e tão genuíno. Ao lado dela há um trecho de uma vídeo performance de Matheus com a obra. Obra SAU-DA-DE 2022  de Matheus Miguel; Por: Inácio de Carvalho. Ao seguir, imergimos a segunda parte da exposição “O sonho é o primeiro sentimento”, se na primeira o sentimento que predominou foi uma saudade, nesse é uma nostalgia. Ao lado direito inicia com dois quadros, um em homenagem à sua mãe e outro ao seu pai.  E do outro lado obras que trazem ícones afetivos que despertam a nostalgia em nós. Minha percepção em meio a isso, foi quando estava flanando em meio a exposição, havia um tia e uma sobrinha parada apontando no quadro cada referência que reconhecia, se conectando diretamente com a obra. É interessante como você se encanta e se perde em meio a exposição a tantas referências e obras únicas que há ali.  Os pais do artista em frente a pintura em suas homenagem; Por: João Borges. 1.Tia e sobrinha observando obra da exposição; 2. Obra a qual faz parte da exposição; Por: Inácio de Carvalho A terceira parte da exposição “Se você não me quiser, eu ainda tenho as ruas do Recife (e é como se eu te tivesse)” é extremamente coesa. Do lado esquerdo as obras parecem ser todas uma coleção única e exclusiva, elas são extremamente coesas, é aquele estilo de obra artística que ou você compra todos, ou nenhum. Funciona cada obra sozinha, sim, porém quando ver em conjunto é outro nível de beleza. Ao o outro lado, a obras do artista de âmbito mais comercial e diferente estilos de trabalhos artísticos, nós temos uma obra central que é uma camisa com uma pintura de Maria Bethânia ( e na exposição e no instagram de Matheus tem foto dela segurando a obra), capas de singles dos cantores Joyce Alane e Gael Vilanova, e o poster do filme “Todo amor do mundo” de Caio Arruda. Parte esquerda da 3 parte da exposição; Por: Inácio de Carvalho Agora que já apresentei e mostrei um pouco da exposição, irei tecer comentários gerais da exposição e colocar alguns trechos de uma pequena entrevista que realizei com os curadores e o artista. Stênio Marcos (curador da exposição e idealizador da Casa Clandestina) Matheus Miguel (multiartista) e Ayanne Sobral (curadora da exposição e idealizadora da Casa Clandestina); Por: João Borges. Ayanne Sobral e Stênio Marcos  P: Ayanne Sobral e Stênio Marcos como foi a escolha de Matheus Miguel para a realização dessa exposição?  R: A exposição “Poesia nas Estrelas: a arte entre um domingo e um fevereiro” marca um momento muito especial, a reabertura da Casa Clandestina. A casa precisou ser fechada temporariamente ano passado, em virtude de um arrombamento no antigo endereço. Então precisamos de um tempo para lidar com que aconteceu e de crescer e ampliar o espaço para receber mais pessoas. No momento que reabrimos nossas portas, ter Matheus Miguel foi uma alegria, trazer ele para cá, as suas obras, sua arte a sua poesia. Fez muito sentido ter ele agora nessa abertura para demonstrar no que sentimos e no que acreditamos na música, na literatura e na arte. Matheus expressa isso muito bem na sua arte.  P: Agora que a Clandestina está de casa nova, o que podemos esperar de novas exposições ? R: Em breve nós vamos abrir uma seleção para artistas que desejem expor com a gente. Então, se você é artista e tem um acervo de obras e sente a vontade de expor aqui na Clandestina, segue a gente nas nossas redes sociais @umacasaclandestina  , prepara seu portfólio e se inscreve, quem sabe você será a próxima pessoa a expor conosco. Nossa galeria é pensando para expor artistas que estão aqui pertinho da gente.  Matheus Miguel P: Matheus, como foi o convite para realizar a exposição? R : O convite veio em meados do segundo semestre do ano passado, me senti primeiramente realizado e muito ansioso de ver e dar um passeio em tudo aquilo que tinha feito.  P: Nas suas obras você registra muitos artistas, como é sua conexão com eles? R: A minha conexão com eles é diária, é desde a infância. Eles me inspiram,  é uma questão de identificação, manutenção e legado.  P: Qual é a sua relação com as artes? E seu processo criativo? R: Minhas relações com as artes são muito abrangentes, eu me inspiro em situações cotidianas, vivências não tem uma ordem. Eu demoro um tempo no que quero passar, projetar, envolve muitas coisas. P: Como foi realizar sua primeira exposição em Caruaru? R: Realizar minha primeira exposição em Caruaru foi diferente, mas não foi assustador. Eu tenho muitos amigos na cidade, um apreço pela cultura da cidade de Caruaru. As coisas que envolvem e que brotam são tão bonitas. Acho tudo tão lindo que isso me causa um sentimento de felicidade.  Para encerrar essa matéria, a exposição traz inúmeros sentimentos à flor da pele. Matheus Miguel faz poesias visuais com suas pinturas, desenhos e esculturas. A curadoria e a forma como Ayanne Sobral e Stênio Marcos criaram uma narrativa e conexão com as obras foi magnífico. Os sigam nas redes sociais, até uma próxima exposição de arte.    Repórter dessa matéria, Inácio de Carvalho e o artista Matheus Miguel; Por: Brenno Fraga

  • “Foi Aryel!”: a arte da poesia simples

    Um mergulho no ato de pensar-escrever sobre um “nós” nas métricas e rimas da arte poética. Por: Juliana Pinheiro Foto : Aryel Freire (Podcast Nordestino). Empresário, graduando em direito, poeta e repentista. Aryel Freire, ou Aryel Poeta, é uma figura essencial para a movimentação do cenário cultural regional do interior de Pernambuco. Crescido em Alagoinha-PE, teve contato com a poesia logo cedo, aos nove anos de idade. Ainda criança, participou de competições escolares escrevendo cordéis e, ao chegar em casa, costumava ouvir o pai escutar toadas e cantorias de repentistas, o que contribuiu em seu interesse pela arte. O espaço artístico local do qual Freire faz parte é conhecido por ser a “Terra dos Poetas”. A cidade, localizada no interior do Agreste Pernambucano, tornou a poesia uma constante em sua vida. Desde então, o poeta encontrou novas formas de ressignificar este gênero lírico em outros cenários. Em 2019, no início da pandemia causada pelo vírus COVID-19, passou a publicar os seus poemas em vídeos nas redes sociais. A sua contribuição ao formato digital da poesia é notável. Os versos, assinados por “Foi Aryel!”, marcam uma identidade própria do autor. Com o sucesso dos poemas nas plataformas do TikTok e do Instagram, Freire ficou conhecido em outras regiões do Brasil. A partir das poesias, tornou-se redator na quarta temporada da série de televisão “Os Roni”. Também assina como um dos compositores da música “Nunca Foi Sorte, Sempre Foi Deus”, gravada por Tarcísio do Acordeon e Yury Pressão. Poesia escrita por Aryel. Foto: Juliana Pinheiro A poesia, mais do que versos simples, faz parte de uma tradição oral com raízes líricas e livres que pode ser explorada em diferentes cenários. Da necessidade da escrita, nasce uma narrativa entrelaçada às mais diversas formas de ser e dizer poesia. As regras, abordagens, inspirações e os fragmentos compõem um recorte do cotidiano que atravessa o trabalho individual e contempla um “nós”. Em entrevista exclusiva à Revista Spia, o poeta Aryel Freire explica como a poesia pode ser encaixada e mesclada com várias vertentes do dia a dia. O artista também conta um pouco sobre as suas experiências, opiniões e os desafios durante a sua trajetória e na construção do seu perfil artístico. Espia alguns dos trechos de como foi essa conversa: Juliana Pinheiro (JP): Pode nos explicar como é o processo criativo de escrita da poesia? Aryel Freire (AF): A inspiração para a poesia chega até nós. Se você perguntar a qualquer compositor, essa vai ser a resposta comum. Às vezes, uma palavra, um toque; isso nos desperta. No meu caso, na maioria das situações, eu vejo uma palavra, uma publicação no Instagram, uma frase. Pode ser algo dito por uma pessoa, lido por mim ou até algo que me surge. Tento extrair poesia desses lugares. Quando é bom, eu deixo e guardo. Quando não, eu descarto. JP: Como podemos manter uma essência poética nas metáforas e um perfil individual dentro do meio digital que hoje é rápido e bombardeado por diversos conteúdos? As pessoas se identificam com publicações mais “diretas” agora, algo menos generalista. AF: Percebi que os meus vídeos com mais visualizações eram aqueles em que eu falava em primeira pessoa. Quando dizia: eu, eu, eu. Era mais fácil de chegar no público, porque eram situações comuns aos  meus seguidores. Costumo brincar que escrevo sobre mim, mas milhares de pessoas vivem ou passam pelo mesmo. Isso acaba gerando essa identificação. AF: A constância das postagens é um pouco difícil. Hoje em dia não me cobro tanto. “Tenho que postar três ou quatro vídeos por semana”. Quando a poesia chegar, eu posto, como algo natural. É orgânico. Muitas vezes nem me preocupo com os números. Tenho vídeos com bilhões de visualizações e vários seguidores, porém, a minha intenção é que aquela poesia sirva para alguém. Se tiver apenas uma pessoa sendo ajudada ou identificando-se com ela, é o que me satisfaz. AF: Já recebi mensagens de pessoas com crises de ansiedade ou depressão agradecendo pelas minhas mensagens em vídeos. Isso as motivou a procurar ajuda para estas situações. Acho que esse é o método essencial da poesia, é você tocar no fundo da alma de alguém e ajudá-la de uma forma ou de outra. Vem conferir mais dessa entrevista no canal do Youtube da Revista Spia.

  • A tradição da palha do milho

    Lisoneide Souza e a experiência das mãos que moldam e sustentam a arte da geração, da memória e da criatividade. Por: Juliana Pinheiro Mãos da artesã moldando a palha de milho. Foto: Juliana Pinheiro. O Povoado da Pindoba, situado no interior do Agreste Pernambucano, compõe um dos mais de cinco povoados do município de Alagoinha-PE. Parte de uma importante fonte de renda para o desenvolvimento da área rural, a arte popular é produzida e comercializada pelos habitantes locais. O artesanato, majoritariamente feito por mulheres da região, é o centro da criatividade e das oportunidades da Pindoba. Com peças originadas da palha de milho, o ofício de produção artesanal deu origem à Associação Comunitária de Agricultura e Artesanato da Pindoba, grupo conhecido como Pindoarte, no ano de 1992. O traçado em fibra natural, iniciado por uma das mais antigas moradoras da região, passou de geração para geração e deixou um legado que se mescla até hoje com os costumes da população pindobense. Nascida e crescida na Pindoba, Lisoneide Souza é uma das artesãs da Pindoarte. Pedagoga, mãe e artesã, vive do artesanato a partir da confecção de bolsas de palha. Movida pela curiosidade à arte manual, aprendeu a desenvolver e aperfeiçoar as técnicas da profissão. Tudo começou quando tinha quatorze anos de idade, com o bordado. Incentivada por sua mãe, a prática do artesanato tornou-se parte da sua trajetória. Foto de Lisoneide por: Juliana Pinheiro. Com mais de quatro décadas dedicadas ao trabalho de artesã, Souza faz parte de uma história com enlaces delicados. Afinal, os traçados naturais feitos da palha de milho constroem uma caminhada sobre lutas, motivações, criatividade e orgulho. Em entrevista à Revista Spia, Lisoneide Souza explica como se dá o processo da colheita da matéria prima até a comercialização dos produtos artesanais. Além disso, fala também sobre as inspirações, montagem das peças, desafios, conquistas e da riqueza do artesanato local. Confira a seguir, dois trechos da entrevista: Juliana Pinheiro (JP): As peças produzidas, toda a arte manual daqui (Pindoba), possuem muitos detalhes, histórias e símbolos…, fora a própria técnica que marca essa prática. Pode nos falar um pouco sobre a riqueza, não só de detalhes, mas também da importância do artesanato local para a comunidade e para as pessoas de fora, que recebem e estão em contato com estes produtos? Lisoneide Souza (LS): É uma riqueza muito grande para a comunidade e até mesmo lá fora. Através dessa produção, várias oficinas e trabalhos foram levados para outros lugares. E assim, é uma riqueza. É o nosso “carro-chefe”. Vem de geração em geração, e a comunidade já tentou outros tipos de artesanato, mas o que sustenta mesmo é aquele feito da palha de milho. Nós temos várias experiências. A Associação foi criada a partir das nossas reuniões em escolas. É através dela que temos viajado, ido para o exterior, para feiras livres, para a Fenearte — uma feira mundial — e é muito importante para nós. JP: Interessante como vocês, artesãs, conseguem ter uma dinâmica de interação umas com as outras. Aqui tem o incentivo, dentro da Associação, e vocês podem se acolher, ajudar e trocar práticas. Como é ver outras pessoas da comunidade inspirando-se e criando interesse pelo artesanato? LS: Muitas pessoas acham bonito, é algo diferente. Com a palha de milho você consegue fazer uma bolsa, um chapéu, cintos, bonecas, flores. Alguns veem e não acreditam, então para nós é de grande valor quando alguém se interessa e podemos transmitir isso, passar a nossa experiência para outras pessoas. Quer espiar mais? Confira a entrevista na íntegra no canal do Youtube da Revista Spia.

  • “Por Trás Da Linha De Escudos”: Os Limites Estabelecidos Entre Os Militares e a População

    Documentário de Marcelo Pedroso trás reflexão acerca dos antagonismos e tensões entre grupos como obstáculos substanciais no processo de transformação social Crítica por Louise Farias e Naely Barbosa Foto por Naely Barbosa O principal objetivo do cinema documental é mostrar um aspecto da realidade, sob determinado enfoque e enquadramento, através do olhar de um realizador. Entretanto, acessar o outro pode ser uma tarefa demasiadamente complexa, e nem sempre chega a ser alcançada da maneira como se espera. Da mesma forma, é possível que o diretor tenha uma expectativa inicial do efeito produzido pelo filme, mas o resultado pode assumir uma lógica diferente da desejada – o filme desenvolve vida própria, sua particularidade como obra artística. Algo dessa ordem aconteceu ao longa-metragem Por trás da linha de escudos (2023), de Marcelo Pedroso, que aborda as questões de segurança pública no Brasil, mostrando as ambiguidades da vida militar e assumindo uma postura crítica em relação aos atos realizados por meio dos batalhões de choque pernambucanos. A construção narrativa do documentário se desenvolve em meio à contraposição de pensamentos dos militares e de Pedroso, que além de diretor do documentário é ativista de esquerda. Trecho do Documentário Por Trás da Linha de Escudos A premissa da obra é trazer o Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco e os manifestantes, especialmente os do Movimento Ocupe Estelita, criado em 2012, em um cenário de enfrentamento mútuo. O filme apresenta os conflitos entre os manifestantes, que defendem a não destruição do Cais José Estelita, marco cultural e histórico de Recife, e o Batalhão de Choque que intercede pela decisão que beneficia o Consórcio Novo Recife, composto por grandes empresas imobiliárias, e que criou o Projeto Novo Recife, uma ação que visa a construção de prédios comerciais e residenciais no local. Autor dos filmes Pacific (2009) e Brasil S/A (2014), Pedroso realizou Por trás da linha de escudos seguindo uma abordagem expositiva e participativa; os planos alternam entre cidadãos ativistas na defesa de seus objetivos e policiais se preparando para o combate armado nas ruas. Pedroso atua não somente como observador, mas como personagem em ambas as realidades, conhecendo e entendendo o funcionamento da dinâmica em cada um dos espaços. Apesar de seu posicionamento político claramente definido, o realizador se dispõe a acompanhar e experienciar a rotina dos policiais com o objetivo de conhecê-los para além do pequeno visor presente em seus escudos. Os primeiros contatos entre os militares e a equipe se dão de forma lenta e gradual, na tentativa de conquistar a confiança dos oficiais e soldados. Entretanto, logo é percebido que existem muros comunicacionais entre soldados e civis e, mesmo ao retirarem o escudo policial, a armadura interna segue intacta e intransponível, pois os policiais parecem não conseguir ultrapassar os limites da missão e dever dos quais foram incumbidos. Trecho do Documentário Por Trás da Linha de Escudos A desumanização do indivíduo e a transformação do homem em um soldado, são um dos principais questionamentos do longa. É possível extrair algo de uma das entrevistas que nos intriga e faz pensar sobre o que a função de um policial exige e o que ele precisa, na maioria dos casos, deixar de lado ao vestir a farda. Ao detalhar seu processo de treinamento para o Batalhão de Choque, a soldado Talita revela que durante essa transição, é preciso que o policial molde a si mesmo para estar em conciliação ao que o BPChoque exige. Isso implica pensar na possibilidade de uma inflexibilidade e rigidez serem características que devem estar ativas nos militares na totalidade do tempo, mesmo fora de combate direto. Na tentativa de compreender como a rigidez militar se desenvolve, Pedroso e sua equipe passam a participar dos treinamentos e das operações junto aos soldados; durante as práticas, os policiais expõem a si mesmos à asfixia e até ao vômito, provocados por inalação de gás lacrimogêneo. Pois, durante uma ação de combate, o policial ataca com o gás não só o “inimigo”, mas também a si, uma punição mútua. Nesse sentido, o longa acaba por realizar uma crítica ao sistema de formação dos militares e à lógica de separação do exército que acaba desumanizando o homem para que ele não se reconheça em seu oponente, tornando o brasileiro inimigo dele mesmo. A doutrinação militar utilizada para separar os indivíduos é dura e fere não apenas fora das tropas e bases militares, mas também dentro dela. Ao sentir na pele cada treinamento, Pedroso reflete e considera que, ao ser submetido a um treinamento de longo prazo, talvez até ele fosse transformado em soldado. Muito mais do que evidenciar a rigidez no processo de transição do indivíduo em um soldado, Por trás da linha de escudos resgata o pensamento de emergência para a possibilidade do diálogo entre grupos antagônicos, com cenas e falas que instigam o debate público. O diálogo é a grande arte e riqueza social, construído continuamente entre indivíduos através do exercício de ouvir e compreender o lugar do outro, para caminhar coletivamente em direção à urgente transformação social.

  • RETRATO Raimundo Carrero

    Por Ceres Maria. Raimundo Carrero é um importante escritor pernambucano que possui inúmeras obras de valor cultural com reconhecimento nacional e internacional de seus livros que abrangem vários temas sociais. Nascido na cidade de Salgueiro em 1947, é filho do comerciante de roupas, Raimundo Carrero de Barros e Maria Gomes de Sá. O autor estudou o primário no colégio Estadual de Salgueiro e em sua adolescência cursou Ciências Sociais na Universidade Federal de Pernambuco. Em 1969, Raimundo Carrero trabalhou para o Jornal de Pernambuco cumprindo várias funções para a empresa como crítico literário e editor-chefe da redação. O jornalismo foi muito importante em sua vida, exemplificando o seu comentário numa entrevista à ensaísta e professora Heloísa Buarque de Hollanda: "O jornal disciplina, organiza o trabalho de escrever. No jornal você se exibe, perde o medo”. Além disso, trabalhou como assessor de Imprensa da Fundação Joaquim Nabuco, foi presidente da Fundarpe, Fundação de Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco, participou do Movimento Armorial junto a seu amigo Ariano Suassuna, exercendo a função de contista e romancista em 1970. Carrero constituiu o Conselho Municipal de Cultura e o movimento cultural popular por oito anos e lecionou na Universidade Federal de Pernambuco durante os anos 1971 e 1996. Diante disso, o autor descobre o fascínio pela literatura por meio da biblioteca de seu irmão mais velho, em que os livros ficavam localizados embaixo dos balcões da loja de roupas e chapéus de seu pai. Dessa maneira, Carrero passa a ler José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Ibsen e Shakespeare. Mas antes de se tornar escritor, desenvolveu um grupo musical denominado Os Cometas, que consequentemente lhe trouxe uma experiência musical que ao retornar a Recife na década de 70, passou a tocar saxofone para uma banda de rock chamada Os Tártaros. Carrero começou a sua trajetória na escrita utilizando os papéis na loja de seu pai e sua primeira novela foi Grande Mundo em Quatro Paredes, escrita entre 1968 e 1969, mencionado pelo autor como uma “obra de menino”. Criou e mantém a sua Oficina de Criação Literária, que desenvolveu novos literatos. Carrero também escreveu a novela A Dupla Face do Baralho: confissões do Comissário Félix Gurgel, de 1984, publicado pela editora Francisco Alves em convênio com a prefeitura do Recife, proporcionou um intenso crescimento em sua carreira e sucessivamente mais obras foram surgindo. Raimundo Carrero foi eleito em 2004 para a cadeira 3 na Academia Pernambucana de Letras e com o decorrer escreveu 14 livros que lhe rendeu vários prêmios em suas obras, como o seu livro Somos Pedras que se Consomem de 1995, intitulado como uma das melhores obras da época de acordo com o jornal O Globo e selecionada como a melhor obra de ficção pelo Jornal do Brasil. Os seus prêmios literários são: Revelação do Ano, Prêmio de Oswald de Andrade com Viagem no Ventre da Baleia (1986), Prêmio José Condé pelo livro Sombra Severa (1985), concedido pelo Governo de Pernambuco, Prêmio Lucilo Varejão, da prefeitura de Recife, com O Senhor dos Sonhos (1986), melhor romancista do ano de acordo com a Associação Paulista de Críticos de Arte, Prêmio Machado de Assis, da biblioteca nacional, pelo livro Somos Pedras que Consomem e o prêmio Jabuti pela Câmara Brasileira do Livro, com a obra As Sombrias Ruínas da Alma (2000). Por fim, Para o autor a loucura é uma fuga da realidade daqueles que não querem conviver o com o real que os cercam, mas diz que todos nós somos loucos e comenta algo que seu amigo diz “o pior da vida é a ditadura da realidade”, pois as pessoas que seguem a realidade, o meio burocrático e tudo que cerca o real torna esses indivíduos mais loucos que os loucos. Para Carrero existe uma ordem e o louco é a desordem, e o artista busca organizar essa loucura em suas obras. Portanto, para Carrero o personagem habitual não é interessante, o que lhe instiga a escrever as suas figuras literárias, é a essência lúdica que possuem, como o Matheus da sua obra, o amor não tem sentimentos, que é o seu personagem favorito devido a sua insanidade.

  • “Eu abro neste filme um espaço para que eu possa falar de amor, para que eu também possa me colocar"

    Entrevista e perfil por Sammy. Amor, tempo e memória. Esta é a essência da história do documentário longa-metragem “Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem" da diretora, roteirista e montadora, Natara Ney. A pernambucana, formada em jornalismo pela Unicap - PE, cursou Teoria da Montagem na Universidade de Brasília. Em 1993, mudou-se para o Rio de Janeiro onde vive até hoje e trabalha como montadora. Como editora, Natara é reconhecida pelos trabalhos em “Tainá 3” e “Desenrola”, de Rosane Svartman; “O Mistério do Samba”, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor; “Todas as Mulheres do Mundo” e “Separações”, de Domingos de Oliveira; como também nas séries de televisão “Ó Paí, Ó”, de Monique Gardenberg e “Novas Famílias”, de João Jardim, e no documentário “Divinas Divas”, sobre a primeira geração de artistas travestis brasileiras, dirigido pela atriz Leandra Leal. A cineasta negra também dirigiu o curta “Um Outro Ensaio”, sendo este premiado em festivais de Gramado, Rio e Triunfo, o documentário “Cafi”, premiado no Brazilian Film Festival em Los Angeles e o documentário longa-metragem “Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem". Na 7ª edição do festival VerOuvindo, no Campus Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco, localizado em Caruaru, foi realizada a sessão especial do documentário “Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem" com audiodescrição, contando com a presença da diretora para uma rodada de bate-papo. O documentário conta a história sobre um lote com 110 cartas de amor que foi encontrado em uma Feira de Antiguidades, todas escritas por uma moradora de Campo Grande/MS para o seu noivo no Rio de Janeiro. Durante 2 anos, 1952/53, ela relata sobre a paixão e a distância. A partir desta descoberta, uma investigação se inicia para localizarmos este casal apaixonado e descobrirmos o desfecho do romance. Após a reprodução do longa e de tirar um pouco de lágrimas e relatos reais das vivências do público, Natara conversou com a Revista Spia sobre a concepção e a produção do documentário. Além da sua experiência como diretora, roteirista e montadora. Sammy (S): Sua vasta experiência e seu trabalho como roteirista e montadora são amplamente conhecidos, mas como foi o processo de filmagem do longa-metragem, agora no papel e diretora? Natara Ney (NN): Depois desse e até durante esse projeto, eu dirigi outros projetos pequenos. A minha formação como montadora me ajuda muito, porque quando eu vou para o set eu tento ter o máximo possível previsão, eu decupo todas as cenas antes de filmar, por exemplo, nesse projeto aqui, eu fui na feira de antiguidades várias vezes, porque ela foi muito filmada. É uma feira muito conhecida no Rio de Janeiro e eu não queria fazer só uns planos da feira, eu queria que cada plano tivesse um sentido. Então ia muito como o Felipe lá, ficamos passeando, olhando as barracas, até que descobrimos que a melhor forma de filmar seria como se alguém tivesse procurando coisas e ao invés de filmar-la era de frente. Filmamos através de espelhos, através de buracos, para gente dar uma visão de dentro da feira pra fora, a gente tentava ser o olhar de quem estava ali dentro. Então a minha formação de montadora faz com que eu vá para o set como tudo muito decupado, anotado, pensado. Claro que no set de filmagem vamos nos deparar com inúmeras variações, mas eu tento fazer o mais decupado possível, mais desenhado possível, para que se ocorrer alguma variação, eu tenha pelo menos alguma base para onde caminhar. Eu não gosto de ir para o set, achando que vou chegar lá e vou ser a “criativa”, não sou a criativa, a minha criação acontece antes. Até porque o set já vai ter isso, nos preparamos para uma dia de sol e acaba chovendo, nos preparamos para um dia de chuva e faz sol, então se você não tiver tudo muito pensado como quer, você nem acha uma solução de como conduzir as cenas, porque eu também não quero chegar lá com 300 horas de material filmado que você termina nem usando. A minha experiência como montadora faz com que eu pense muito antes de filmar, é isso que me ajuda muito, pensar no que eu quero, quem vou entrevistar, o que eu quero daquela pessoa, porque já está tudo mais ou menos previsto, eu preciso saber o que tirar daquela pessoa, para que tudo que venha, venha como lucro. S - Você é formada em jornalismo pela Unicap de Pernambuco, poderíamos dizer, então, que a busca pelo paradeiro do casal pode se assemelhar como uma investigação jornalística? NN - O jornalismo foi quem me deu esse sul pra eu pensar “Isso é uma matéria, eu encontrei as cartas e preciso saber o que aconteceu com eles”. O jornalismo foi uma base, mas era sobre amor, sobre memória, então a jornalista foi se diluindo na pessoa que está narrando aquela história, o tema não me permite uma concisão, sabe. E a cada coisa que eu descobria, eu chegava a conclusão que não tinha como ser cartesiana nesse processo, porque você imagina: você vai pra uma cidade, que era quase o oposto do lugar onde você nasceu, que foi o que aconteceu como o personagem Osvaldo, ele nasceu no Ceará e foi embora para o Rio de Janeiro, do Rio ele foi enviado para o Mato Grosso do Sul e ele se hospeda em um hotel que fica em frente a casa da mulher por quem ele se apaixonou, casou e viveu por 60 anos, o jornalismo não cabia essa narrativa, eu poderia ter seguido esse caminho da narração jornalística e ter contado a história de maneira mais didática, mas para mim esse formato não cabia. O jornalismo também foi o sul na hora de montar a equipe, porque eu sabia que ia precisar de uma certa agilidade, então já conversei com o fotógrafo, com a produtora, com o assistente de câmera e com o técnico de som e a nossa equipe era isso, cabia todos em um carro. O jornalismo me deu a base para saber conduzir o projeto com o mínimo de pessoas possível. Mas a partir do momento que eu me deparo com a emoção, a partir do momento que cada pessoa que tocava nas cartas e abria sua própria vida para mim, o jornalismo foi se diluindo e foi virando uma coisa mais poética. S - Estamos vivendo um momento onde as relações e relacionamentos vêm e vão de maneira muito rápida, “Espero que esta te encontre e que estejas bem” pode ser um respiro de alívio, um lembrete para desacelerar? NN- Eu acho que é um lembrete para sermos mais honestos nas nossas relações e pararmos de impor tantas regras, nós colocamos muitas regras nas relações. Eu tenho estudado muito sobre afeto para uma nova série que estou fazendo, que é sobre amor preto e o que acontece, a gente, todos nós, fomos educados para entender que o amor é de uma certa forma e que alguns corpos são possíveis de ser amados e outros não, e que o amor certo é aquele que as pessoas se casam, moram juntos e tem tantos filhos, quase como uma fórmula e não é assim, somos diferentes e cada um de nós vai sentir e demonstrar o amor de uma forma, então acho que o filme mostra que é possível amar e demonstrar várias forma de amor. Nos faz pensar também, o que queremos quando estamos nos relacionando. Eu quero me sentir bem, eu quero me sentir acolhida e respeitada, eu quero me sentir livre, eu quero me sentir pertencendo a aquela relação, eu não quero ter medo do meu companheiro, eu não quero ter que fazer coisas só para agradar meu companheiro ou minha companheira. O filme nos provoca a pensar em afeto e em como queremos nossas relações e não apenas a fórmula que nos é dita como certa. Eu fiz esse filme para falar de amor, porque eu cresci não me vendo nos filmes, séries ou novelas sendo amada. Meu corpo, meu cabelo crespo, minha bunda grande, meu peito grade, claro, eu falo isso na minha vivência, eu tenho 55 anos, agora podemos ver outros símbolos, outras mulheres, você vê a Preta Rara, você vê a Jojo Toddynho, MC Carol, você vê mulheres com outras corporalidades falando de amor, tesão e afeto. Eu não vi isso na minha formação. Então eu abro neste filme um espaço para que eu possa falar de amor, para que eu possa me colocar e dizer que é possível e que o amor existe para todos os corpos. Eu acho que essa é a grande reflexão que temos que fazer. S - A produção cinematográfica nacional tem atravessado momentos delicados nos últimos anos, praticamente um desmonte. Dessa forma, como você enxerga o futuro do cinema? NN - Como eu enxergo o futuro do cinema [...] precisamos respeitar as políticas públicas, principalmente as políticas públicas de inclusão, os editais precisam ser inclusivos, a gente tem que lutar por isso. Precisamos lutar para que exista cinema em Caruaru, para que tenha cinema em Triunfo, para que tenha cinema em Belo Jardim, para que tenha cinema em Arcoverde. Temos que lutar para que as cópias circulem, temos que lutar para a formação de profissionais negros e negras no Brasil e temos que fazer com que essas coisas sejam políticas públicas inclusivas, então eu enxergo o futuro do cinema ainda com muito trabalho a ser feito.

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A SPIA é um portal colaborativo feito por alunos do curso de Comunicação Social e Design, da Universidade Federal de Pernambuco, campus Agreste. Todo o conteúdo produzido por nós é usado apenas para fins informativos e educacionais.

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