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RETRATO Raimundo Carrero

Por Ceres Maria.



Foto: Cepe Editora

Raimundo Carrero é um importante escritor pernambucano que possui inúmeras obras de valor cultural com reconhecimento nacional e internacional de seus livros que abrangem vários temas sociais. Nascido na cidade de Salgueiro em 1947, é filho do comerciante de roupas, Raimundo Carrero de Barros e Maria Gomes de Sá. O autor estudou o primário no colégio Estadual de Salgueiro e em sua adolescência cursou Ciências Sociais na Universidade Federal de Pernambuco.


Em 1969, Raimundo Carrero trabalhou para o Jornal de Pernambuco cumprindo várias funções para a empresa como crítico literário e editor-chefe da redação. O jornalismo foi muito importante em sua vida, exemplificando o seu comentário numa entrevista à ensaísta e professora Heloísa Buarque de Hollanda: "O jornal disciplina, organiza o trabalho de escrever. No jornal você se exibe, perde o medo”. Além disso, trabalhou como assessor de Imprensa da Fundação Joaquim Nabuco, foi presidente da Fundarpe, Fundação de Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco, participou do Movimento Armorial junto a seu amigo Ariano Suassuna, exercendo a função de contista e romancista em 1970. Carrero constituiu o Conselho Municipal de Cultura e o movimento cultural popular por oito anos e lecionou na Universidade Federal de Pernambuco durante os anos 1971 e 1996.


Diante disso, o autor descobre o fascínio pela literatura por meio da biblioteca de seu irmão mais velho, em que os livros ficavam localizados embaixo dos balcões da loja de roupas e chapéus de seu pai. Dessa maneira, Carrero passa a ler José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Ibsen e Shakespeare. Mas antes de se tornar escritor, desenvolveu um grupo musical denominado Os Cometas, que consequentemente lhe trouxe uma experiência musical que ao retornar a Recife na década de 70, passou a tocar saxofone para uma banda de rock chamada Os Tártaros. Carrero começou a sua trajetória na escrita utilizando os papéis na loja de seu pai e sua primeira novela foi Grande Mundo em Quatro Paredes, escrita entre 1968 e 1969, mencionado pelo autor como uma “obra de menino”. Criou e mantém a sua Oficina de Criação Literária, que desenvolveu novos literatos. Carrero também escreveu a novela A Dupla Face do Baralho: confissões do Comissário Félix Gurgel, de 1984, publicado pela editora Francisco Alves em convênio com a prefeitura do Recife, proporcionou um intenso crescimento em sua carreira e sucessivamente mais obras foram surgindo.


Raimundo Carrero foi eleito em 2004 para a cadeira 3 na Academia Pernambucana de Letras e com o decorrer escreveu 14 livros que lhe rendeu vários prêmios em suas obras, como o seu livro Somos Pedras que se Consomem de 1995, intitulado como uma das melhores obras da época de acordo com o jornal O Globo e selecionada como a melhor obra de ficção pelo Jornal do Brasil. Os seus prêmios literários são: Revelação do Ano, Prêmio de Oswald de Andrade com Viagem no Ventre da Baleia (1986), Prêmio José Condé pelo livro Sombra Severa (1985), concedido pelo Governo de Pernambuco, Prêmio Lucilo Varejão, da prefeitura de Recife, com O Senhor dos Sonhos (1986), melhor romancista do ano de acordo com a Associação Paulista de Críticos de Arte, Prêmio Machado de Assis, da biblioteca nacional, pelo livro Somos Pedras que Consomem e o prêmio Jabuti pela Câmara Brasileira do Livro, com a obra As Sombrias Ruínas da Alma (2000).


Por fim, Para o autor a loucura é uma fuga da realidade daqueles que não querem conviver o com o real que os cercam, mas diz que todos nós somos loucos e comenta algo que seu amigo diz “o pior da vida é a ditadura da realidade”, pois as pessoas que seguem a realidade, o meio burocrático e tudo que cerca o real torna esses indivíduos mais loucos que os loucos. Para Carrero existe uma ordem e o louco é a desordem, e o artista busca organizar essa loucura em suas obras. Portanto, para Carrero o personagem habitual não é interessante, o que lhe instiga a escrever as suas figuras literárias, é a essência lúdica que possuem, como o Matheus da sua obra, o amor não tem sentimentos, que é o seu personagem favorito devido a sua insanidade.


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