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134 itens encontrados para ""

  • A BRODAGEM NO AGRESTE PERNAMBUCANO

    Mais do que fazer, a paixão de quem preserva o cinema do Super 8, 16mm e 35mm O cinema pernambucano se caracteriza desde os seus primórdios da década de 1920, como movimento de criação coletiva entre amigos. Nesta época o denominado Ciclo do Recife, foi construído através de produções amadoras, onde a equipe de produção e elenco tinham outros ofícios e presente nas relações, a paixão pela sétima arte e aquele tom de “brodagem”, como bem conceitua a escritora e professora Amanda Mansur, na obra A Brodagem no Cinema Pernambucano, (2014). Tal característica se manteve nos movimentos marcantes que sucederam esse período, como a do Ciclo do Super 8, ocorrida entre 1973 e 1983, como também na retomada de produções profissionais pelos idos de 1985, cujo filme o Baile Perfumado desencadeia em grande estilo um leque de grandes sucessos que torna Pernambuco respeitado no cenário nacional e internacional. A mesma paixão de fazer cinema também contagia um outro público que ama preservar. Em duas cidades do agreste pernambucano, pertinho de Caruaru, encontramos dois apaixonados em preservar a história do Super 8, 16mm e 35mm. Em Bezerros, terra do carnaval dos papangus, terra do artista J.Borges, encontramos Edvaldo Mendonça, um servidor público estadual, músico e amante da sétima arte. Um colecionador de filmes, projetores, equipamentos e materiais de cinema. Edvaldo além de colecionador adora exibir para os vizinhos grandes clássicos nacionais e internacionais em sessões animadas na rua onde mora. Se deslocando mais alguns quilômetros, em Toritama, cidade que se intitula a Capital do Jeans do Brasil, tem no cinéfilo Jadiel, um colecionador de câmeras, projetores e materiais de cinema, que tem de cor a história das salas de cinemas de sua cidade e disponibiliza sempre o seu acervo para exibições em festivais e feiras de conhecimentos escolares. Nossa entrevista mergulha nesse universo apaixonante desses dois broders. Por que colecionar projetores, câmeras e demais materiais de cinema? EDVALDO: Para manter viva a sétima arte, o cinema. Através deste material preservamos a memória cinematográfica, assim como funcionam os museus que mantém a memória da humanidade. Além disso, quando mostramos esses equipamentos para às pessoas, estas ficam maravilhadas, como se vissem algo que vem do futuro, enquanto na verdade, estamos "de volta para o passado". JADIEL: Eu coleciono porque meu objetivo é preservar esse material para que as pessoas possam conhecer e entenderem como eram os primórdios do cinema. Conte-nos sobre sua coleção. EDVALDO: Na coleção em Super 8mm, temos 08 projetores (sendo a maioria de marcas japonesas) algumas adquiridas no Brasil e outras no exterior. Possuímos um acervo de mais de 150 filmes, além de carretéis, cartazes e peças para reposição. Na coleção em 16mm, temos 04 projetores, carretéis e mais de 30 filmes. JADIEL: Minha coleção começou no em 2005 na época apenas com um projetor 16mm nacional da marca IEC, hoje entre projetores, filmadoras, pôsteres, documentos e fotos são um total de mais de cem itens. Existe algum item raro, qual o maior achado? EDVALDO: Em Super 8mm possuímos raros filmes, como os de artes marciais, produzidos por uma empresa alemã nos anos 80. Enquanto em 16mm, podemos ver, uma raridade de 1912, que é o 1° filme da Paixão de cristo. Além de um raríssimo filme de minha cidade (Bezerros), que é um documentário de 1938. JADIEL: Um item bastante raro na minha coleção é um projetor Parisiense dos anos 50, trata-se de um equipamento que projeta filmes em 8mm, além disso um equipamento bastante raro de aparecer em sites de vendas e em coleções. Já o meu maior achado foi uma filmadora francesa da marca Pathé baby, essa filmadora utilizava as raríssimas e extintas películas 9.5mm. De onde vem essa paixão? EDVALDO: Essa paixão vem de criança, quando ao entrar pela 1°vez em um cinema, vi um foco de luz vindo do alto em direção à tela; que parecia uma mágica, onde uma luz distante, produzia imagens em movimento... Mas tarde fiquei sabendo, que eram projetores mecânicos com carretéis de fitas, girando numa velocidade sincronizada, de 24 quadros por segundo. Foi na adolescência que consegui adquirir meu primeiro projetor de Super. 8mm e alguns filmes, que com o passar dos anos foram aumentando o acervo. JADIEL: Essa paixão começou na minha adolescência quando eu vi um projetor de filmes que ficava de exposição numa locadora de filmes aqui na minha cidade. Edvaldo, nos conte como é essas exibições de filmes em sua rua. Em várias oportunidades cheguei a reunir a vizinhança em nossa própria rua para algumas exibições públicas de filmes diversos, desde filmes mudos de comédia de Chaplin, que ainda arrancam sonoras risadas do público até os desenhos animados que animam a garotada, mas, observo que o que também chama atenção das pessoas é de fato o barulho característico do projetor e o movimento de seus carretéis. Jadiel, é verdade que nutre o sonho de dirigir um filme? Já teve experiências com produção de cinema? Sim, tenho um sonho de fazer um filme para que as pessoas possam assistir e aprender alguma coisa com meu trabalho. Já tive uma experiência durante as filmagens do documentário Cine Aurélio aqui na cidade, na época trabalhei na captação do som, produção e pesquisa do filme, as atividades coroaram nossa participação no Curso Doc Lab, atividade formativa patrocinada pelo Curta Taquary. Inclusive o filme tem recebido premiações em festivais. Por fim, vocês mantêm contato com outros colecionadores, e se algum leitor ou colecionador desejar manter contato com vocês como fazer? Jadiel: Faço parte, juntamente com Edvaldo de um grupo de WhatsApp de colecionadores e amantes de cinema, onde postamos fotos e trocamos experiências com outros colecionadores do Brasil inteiro. Para fazer parte desse grupo basta entrar em contato comigo pelo meu telefone: 81 99258-3770. Entrevista realizada por João Marcelo.

  • Especial DEVOTOS

    Em 1988, no Alto José do Pinho, bairro periférico de Recife, nascia a banda Devotos, umas das principais precursoras do movimento Punk Rock que surgia em Pernambuco. Cannibal (voz e contra-baixo), Neilton Carvalho (guitarra) e Celo Brown (bateria), formadores da banda, estavam imersos em uma realidade cheia de problemas sociais, pobreza e desigualdade. A denúncia dessa realidade veio através do que sabiam fazer melhor: Rock. A Spia preparou 3 conteúdos pra lá de especial que fala um pouco sobre a banda Devotos e o movimento do rock em Pernambuco. Confira: Vídeo Ensaio: Devotos: Mudando a cidade, por Thallyson Silvestre. Relato: Devotos da boa-fé: a fé anarquista!,por Marcus ASBarr. Indicação: A cena do Punk Rock Hardcore em Pernambuco pelos olhos do Devotos, por Hanna Aragão

  • Especial A Peleja

    A Peleja do Bumba-meu-boi é o primeiro primeiro filme rodado em Caruaru que se tem registro. Lançado há 35 anos, é uma obra que continua dialogando com o presente. No filme os diretores Luiz Loureço e Pedro Araão mostram a realidade dos artesãos e as dificuldades que eles enfrentavam para sobreviver e deixar viva a cultura de Caruaru. ‘A Peleja do bumba-meu boi contra o vampiro do meio-dia” é o nome da lenda. Uma produção independente que mistura o ficcional e o documental, o formato Super-8 e o U-matic trazendo as feridas ainda abertas no tratamento aos artistas do estado. Além do conteúdo produzido, ao final do especial foi disponibilizado por um dia, o curta na íntegra no nosso canal do YouTube. Indicação: Destaque julho 2021: A Peleja do Bumba-meu-boi contra o Vampiro do Meio-dia, por Márcio Correia. Entrevista: 40 anos de uma história que se repete, por Hanna Aragão e Maria Clara Mendes. Relato: Memórias de um Filme Cult Popular, por Luiz Lourenço. Crítica: Um filme histórico e heroico sobre a peleja da cultura popular, por Maria Clara Mendes. Galeria: "A Peleja" pelos olhos de Germano Coelho Filho

  • Especial São João 2021

    A data do São João é muito significativa para a SPIA e ela não poderia deixar de ser lembrada. Tradição do lugar onde nascemos, resolvemos direcionar o conteúdo da semana junina ao tema. Todo o material produzido é de memória e afetividade. Vídeo Ensaio: São João 2021, por Maria Clara Mendes Relato: Causos e contos: O São João na memória, por Hanna Aragão Indicação: "Ai que saudades que eu sinto das noites de São João", por equipe

  • Especial Mês da Mulher

    No mês de Março 2021 todo conteúdo produzido pela equipe da SPIA teve as mulheres como tema principal. Ao todo foram 8 conteúdos sobre mulheres que fazem a diferença no cinema e na arte contemporânea pernambucana. Entrevista: Kátia Mesel e o cinema pernambucano: "É o cinema mais heterogêneo do Brasil", por Ade Queiroz e Hanna Aragão Entrevista: Adelina Pontual, o legado do Vanretrô e a continuidade, por Hanna Aragão Relato: Miremos nuestras histórias, nuestros puentes, nuestros pueblos y nuestros colores, por Amanda Nascimento Vídeo Ensaio: O cinema de Adelina Pontual, por Samara Torres Divulgação Científica: O que porra é cinema de mulher?, por Naya Lopes Crítica: Memórias, sentidos e um olhar para outra realidade, por Maria Clara Mendes Indicação: 3 curtas e 3 longas dirigidos por mulheres pernambucanas, por equipe Playlist: Eu Menti Pra Você, por equipe

  • Especial Carnaval 2021

    Sem festa, sem feriado, sem cor. Por conta da pandemia, 2021 não carnaval. Ele se fez presente nas memórias e na certeza de que, no próximo carnaval, a comemoração será dobrada. Pensando nisso, e como bons pernambucanos que somos, o conteúdo de fevereiro 2021 foi dedicado ao carnaval. Foi o nosso jeitinho de matar a saudade da nossa folia e de conhecer alguns personagens importantes da nossa cultura. Nosso cinema é recheado de referências sobre o Carnaval. Do frevo ao maracatu, do sertão ao litoral, a data tão aguardada já foi abordada de diferentes formas e por diferentes diretores. Crítica: “Desde que haja frevo” é carnaval, por Márcio Correia Indicação: Documentários de Fernando Spencer resgatam as origens do Maracatu e do Frevo, por Márcio Correia Playlist: "Ao som dos clarins de momo", por equipe Entrevista:Carnaval como paixão, sangue e pesquisa de Amilcar Bezerra, por Hanna Aragão e Márcio Correia Vídeo Ensaio: Carnavalença, por Maria Clara Mendes

  • Devotos: Mudando a cidade

    Este vídeo ensaio faz parte do especial 'Devotos'. Roteiro e Edição: Thallyson Silvestre. Veja mais: Indicação: A cena do Punk Rock Hardcore em Pernambuco pelos olhos do Devotos Relato: Devotos da boa-fé: a fé anarquista!

  • Devotos da boa-fé: a fé anarquista!

    Relato por Marcus ASBarr. Foi da tenacidade de Nado, memorável e emblemático vocalista da banda crossover¹ Realidade Encoberta, elo forte e inspirador, que me fez mergulhar na ação direta: passei de público a ativista cultural. Com a entrega de panfletos para o III Encontro Anti-Nuclear², ele criou um momento histórico: possibilitou o conhecer do movimento punk em flerte com a ideologia Anarquista. Ver o mundo da angulação do “faça você mesmo” liberta. Inevitavelmente outro enlace ocorreria, pois a trajetória do atual Devotos iniciou neste mesmo momento, naquele mesmo palco e ainda como Devotos do Ódio. Na noite nublada de agosto, fim dos anos 1980, o então “Devotos do Ódio” foi o descortinar da potencialidade do punk, o despertar para novas formas de expressar ideias, de interagir com a sociedade. Não eram contestações vazias, mas algo vívido, sentido, absoluto comprometimento com a conscientização social. Até os cacofônicos sons da aparelhagem precária nos shows suburbanos — característica do punk — não comprometiam e sim ressaltavam o talento e o vigor, que emanava da palavra, e a sinceridade das palavras se verteria em ações para o “transformar do mundo à sua volta”. Respaldo minha narrativa, após mais de três décadas, indicando leitura de duas letras de momentos extremos do Devotos: “Luz da Salvação” e “Incrédulo”. O essencial fica e a palavra liberta! Mas o estreitamento da relação com o Devotos do Ódio seguiu a passos largos. E o primeiro contato direto com a banda não tardaria, pouco depois daquele impacto inicial em meu primeiro show de punk rock — no qual levei um tombo no meio da roda de pogo e saí ileso comprovando que as pessoas estavam ali não para se agredirem, mas para extravasar energia — estive em outros shows, nos quais fiz questão de dar ênfase à banda para Osman Frazão, que me apresentou a cena underground local e por ser mais headbanger demais na época, não esteve III Encontro Anti-Nuclear. Ele é meu primo e juntos, pouco mais de um ano depois, adentraríamos de vez no ativismo cultural que já praticávamos, só que agora com uma chancela: MaOs Contatos, um organismo de intensivo apoio ao cenário... que de duo não tardaria a se tonar solo. Mantive a marca até meados dos anos 1990. Ambos já fãs confessos do Devotos do Ódio, motivados por nossa primeira ação, ter a banda na próxima investida era uma meta. Seria a sequência para o Nordeste Thrash, que se desdobrou em outra ação na qual a banda também estaria em palco: o Não Papai Noel. Ambas foram frustradas. Na memória ficou marcado o dia em que seguimos ao Alto José do Pinho, sem conhecer nenhum integrante da banda, e ao chegarmos defronte ao endereço chegou também a apreensão e um impasse: se chamávamos Cannibal ou não. Então batemos palmas à moda antiga, não sabíamos a relação da família com a participação dele no movimento punk, mas vivenciávamos a situação. Para nossa surpresa, a irmã dele atendeu e de imediato soltou o grito: “CANNIBAL!”. E logo em seguida, o momento que selaria esta relação ocorreria imediatamente após o fracasso da ação Não Papai Noel, pois no dia seguinte já subíamos o Alto José do Pinho novamente, e desta vez esperando ser trucidados. Parecia que a carga de responsabilidade pelo ocorrido pesava toneladas. Encontramos Cannibal —e uma turma que em breve seriam os novos nomes da cena musical do Alto José do Pinho— na primeira esquina da ladeira de acesso. Uma apreensão ainda maior que num instante se dissipou com uma acolhida onde o entendimento e total empatia com a proposta nos colocariam ladeados seguindo no mesmo sentido. Logo no início passamos de fãs na plateia a vivenciar de perto os primórdios da banda. Estávamos em ensaios, em shows, e buscando todo o tempo dar o apoio necessário na difusão. Uma estratégia era ter matérias na mídia de todo e qualquer show. Para tal, produzíamos fotos e enviávamos releases para os principais órgãos de comunicação, com bons resultados em jornais impressos. Mas parece que as ações do MaOs Contatos estavam fadadas a não darem certo com o Devotos do Ódio, pois ainda uma outra ficou registrada como o pior show na memória da banda: o Nordeste Thrashcore, este realizado em Campina Grande, Paraíba. Daí por diante eu nem sabia mais que papel desempenhava na história: eu me tornei amigo, fã, mas não produtor — embora em alguns momentos este papel coubesse a mim por necessidade de uma representatividade. Orientava apenas, não tomava decisões. Assim, sugeri rejeitarem o primeiro contrato proposto para banda por um selo local. Algo complicado, pois podem pensar: “Loucura! A banda não tinha nada naquele momento”. Mas o que se desenhava era algo grande e condizente com o seu talento. Estava já em evidência total e isso foi se avolumando de uma forma que não se poderia mais sufocar. A minha presença constante ao lado da banda ocasionaria me confundirem até como mais um integrante em alguns momentos, embora só uma vez eu estive no palco e o registro é histórico para mim. Posso assegurar que ainda hoje o talento que me levou a apostar alto — e em certos momentos até me deixar um tanto preocupado com a demora de acontecer — continua a me encantar. Revivi alguns desses momentos como editor do livro Música Para o Povo Que Não Ouve, no qual eu assino o singelo capítulo preambular: “Memórias de um devoto”. O livro está no catálogo da Cepe Editora, e foi lançado em 2018. No processo de editoração, a definição dada ao projeto editorial englobou momentos inéditos da banda, registros históricos tanto do meu acervo quanto do próprio Cannibal, e quando recebi o material ainda bruto do último álbum — trilha sonora enquanto desenvolvia a parte de criação artística para composição do livro — estava tudo lá: in natura, mesmo após tantos anos. E algo que me proporciona um imenso orgulho... de fã. Notas do autor: ¹ Crossover é estilo musical, no caso a sonoridade do Realidade Encoberta, em sua formação original, era a junção do punk hardcore e o heavy-metal. ² III Encontro Anti-Nuclear é o nome da histórica movimentação que recebeu três edições reunindo artistas e ativistas de várias partes do país, grafada originalmente como na época. Sobre Marcus ASBarr: @marcusasbarr (BioDiverCidade Produções) é Ativista cultural oriundo do movimento punk. Produtor Cultural, Compositor e Músico Experimental. Atuante no cenário cultural de música, audiovisual e editorial (projetos gráficos e editoriais; Direção de Arte; Designer; Ilustração; Diagramação; Editor de livro e revistas), com trabalhos publicados no Brasil e no exterior. Assina o projeto gráfico e capa da segunda edição do livro "Pesado" (Wilfred Gadelha), e é Editor, prefaciador e capista do livro "Música para o povo que não ouve" (Cannibal), além de ser personagem em ambos. Criador Visual filiado a AUTVIS.

  • Livro que aborda o processo criativo do filme 'Tatuagem', será lançado no próximo dia 20/11

    Invenção de Tatuagem é um lançamento da Cepe Editora sobre a obra de Hilton Lacerda, com autoria de Paulo Cunha, Marcos Santos e Georgia Cruz. A Cepe publica um livro fundamental para jovens cineastas e interessados na nova produção audiovisual brasileira: A invenção de Tatuagem. Ricamente ilustrado, o título aborda o processo criativo do cineasta pernambucano Hilton Lacerda, Tatuagem (2013), que em 2015 entrou para a lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema entre os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. A publicação é resultado de pesquisa feita pelos autores: Paulo Cunha, Marcos Santos e Georgia Cruz. Eles narram o processo criativo em todas as etapas do primeiro longa de Hilton, desde a ideia inicial até a montagem. O lançamento será no próximo dia 20, às 17h, no pátio térreo da Fundaj do Derby. O evento acontece logo após a exibição do filme, às 15h, na Sessão Cinemateca no Cinema da Fundação. A entrada é gratuita, mas terá limite de 100 espectadores na sala. A Fundaj adotará o protocolo anti Covid. Para quem não assistiu ao filme, Tatuagem conta o romance entre Clécio, líder de um grupo teatral, o Chão de Estrelas, e Fininha, um soldado do Exército brasileiro. A história se passa em Olinda, em 1978, nos primeiros anos da ditadura militar. No livro os autores contam que a obra faz referências afetivas ao grupo de teatro Vivencial, ao ator Pernalonga, ao pop-filósofo Jomard Muniz de Britto e ao diretor Guilherme Coelho. Os três autores leram diferentes tipos de tratamentos do roteiro, estudaram fotografias de cena, consultaram materiais da direção de arte, como cenografia, figurinos e adereços, assim como retornaram às obras que inspiraram o diretor: livros, filmes e histórias. A pesquisa foi realizada no campo dos programas de pós-graduação em comunicação e em design da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Com a força da prosa poética de Jomard no prefácio, a construção do argumento, a discussão cinematográfica sobre o âmbito do Super-8, o universo por trás do filme e o prórpio filme contemporâneo a partir da ótica passada, o livro A invenção de Tatuagem é ricamente ilustrado, com fotos do diretor de fotografia Ivo Lopes, do fotógrafo Flávio Gusmão e do autor Marcos Santos, sem falar das imagens anteriores às filmagens que são de outros fotógrafos, como Ana Farache, que cedeu imagens do Vivencial. O projeto gráfico da designer Sandra Chacon, traz para o leitor a estética do filme. SOBRE OS AUTORES MARCOS SANTOS é integrante do grupo de pesquisa Cultura e Subalternidades: Epistemologias da Subalternidade no Cinema Brasileiro Contemporâneo. Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco e Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia. PAULO CUNHA - Doutor em Artes e Ciências da Arte pela Universidade de Paris I - Panthéon-Sorbonne e diplomado em História pela École des Hutes Études en Sciences Sociales de Paris, sob orientação do historiador Marc Ferro. Está vinculado, como membro permanente, ao Programa de Pós-Graduação em Design da UFPE. GEORGIA CRUZ - Pesquisadora no LabGRIM - Laboratório da Relação Infância, Juventude e Mídia e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Narrativas Multimídia. Professora do curso de Sistemas e Mídias Digitais da Universidade Federal do Ceará. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco e Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará. SERVIÇO Lançamento de A invenção de Tatuagem Data: 20 de novembro Horário: 17h Onde: Sessão Cinemateca, no Cinema da Fundação do Derby, às 15h, com exibição de Tatuagem, de Hilton Lacerda. Entrada gratuita no limite de 100 espectadores. Com protocolos anti Covid usuais. Às 17h, no pátio térreo da Fundaj do Derby, lançamento do livro. Valor de venda: R$ 70,00 (livro impresso) E-book: R$ 28,00

  • A cena do Punk Rock Hardcore em Pernambuco pelos olhos do Devotos

    Em 1988 nascia a banda pernambucana, Devotos do Ódio (atualmente chamada apenas de Devotos). Formada por Cannibal (voz e contra-baixo), Neilton Carvalho (guitarra) e Celo Brown (bateria), a banda foi uma das principais precursoras do movimento de rock que surgiu em Pernambuco na década de 90. Criada no Alto José do Pinho, bairro periférico de Recife, desde o início da formação, o trio buscava compor letras que denunciavam a desigualdade social, o preconceito e as dificuldade vividas dentro das comunidades. A falta de saneamento, a insegurança, criminalidade, e a pobreza, eram motivos de grandes insatisfações dos moradores do Alto José do Pinho. Então, Cannibal que já participava de passeatas punks e organizava eventos teve a ideia de criar o Devotos e assim denunciar aquela realidade através do que sabia fazer: rock. Devotos faz parte de um grupo que podemos chamar de A consciência da periferia, a voz que cobra melhorias em uma realidade dividida. Ao longo da trajetória, Devotos já lançou oito álbuns em estúdio: Agora tá Valendo (1997), Devotos (2000), Hora da Batalha (2003), Sobras da Batalha EP (2004), Flores com Espinhos, Para o Rei (2006), Póstumos (2012) e O Fim Que Nunca Acaba (2018). Além de um álbum ao vivo em comemoração aos 20 anos da banda, e dois discos de vinil intitulados de Victória (2010) e Demos e Raridades (2011). Um dos grandes sucessos do trio é a música "Eu o declaro inimigo", do álbum O Fim Que Nunca Acaba. O videoclipe da música foi lançada no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), durante a exposição "A arte é um manifesto - 30 anos de Devotos". O clipe tem direção de Marcos Buccini e Thiago Delácio e teve a participação de 127 artistas brasileiros, entre ilustradores, artistas plásticos, designers, animadores e artistas gráficos. No mesmo ano, em comemoração ao aos 30 anos da banda, Cannibal lançou o livro Música Para o Povo Que Não Ouve em parceria com a Cepe Editora. O livro conta a trajetória da banda com fotografias, cartazes de shows, matérias de jornais, e letras de canções inéditas que não chegaram a ser gravadas. Este ano a banda lançou dois singles Nossa História e Orixás: O Rock em Pernambuco O Alto não foi o único lugar de Recife que passava por problemas, vários lugares de Recife viviam e presenciavam uma grande onda de insatisfação e má qualidade de vida. Em 1990, com o declínio econômico no estado, um jornalista do The Washington Posts em passagem por Recife escreveu que a capital pernambucana seria a 4ª pior cidade do mundo para se morar. Pode-se dizer que esse foi um dos gatilhos que gerou um desejo de mudança. Nas palavras de DJ Dolores: "A gente muda de cidade ou a gente muda a cidade. Não temos dinheiro para mudar de cidade, então vamos ter que mudar a cidade". - Fala tirada do documentário Passagens (2019) de Lúcia Nagib e Samuel Paiva. Assim como Devotos, durante a década de 90 surgiram diversas outras bandas que tinham o mesmo objetivo. Nesse período nasce também nomes como Sheik Tosado, Os cachorros, Eddie, Matalanamão, III Mundo, Primeira Dama, Querosene Jacaré, Faces do Subúrbio, Jorge Cabeleira, Comadre Fulosinha, entre outros. Bem como Nação Zumbi e Mundo Livre S&A que tiveram maiores projeções nacionais e internacionais misturando rock e maracatu e falando sobre o mague. Em 1995, Adelina Pontual, Cláudio Assis e Marcelo Gomes se juntaram em um documentário que retratava o dia a dia dos jovens do Alto José do Pinho e como a música mudou suas vidas e a imagem do bairro, antes marcado por sua miséria e marginalidade. A banda Devotos do Ódio, destaque no documentário, foi exemplo, possibilitando mudanças no contexto social do bairro. O filme de 14 minutos firma-se como um registro histórico sobre a cultura marginal do nosso país. O rock pode ter tido origem americana, mas em Pernambuco o ritmo tomou outras faces e foi transformado em um grande mensageiro da realidade e também uma expressão artística de luta e resistência. Acompanhe Devotos nas redes Youtube Instagram Spotify Texto por Hanna Aragão.

  • Nova revista digital propõe a valorização da fotografia no cinema brasileiro

    Revista tem a proposta de valorizar a memória cinematográfica brasileira em meio a um cenário cada vez mais fragmentado. No dia 15 de outubro, mês de aniversário da Cinemateca Brasileira, os fotógrafos Azul Serra ("Aos Teus Olhos"), Pedro Sotero ("Bacurau") e Rafael Nobre ("Mataram Meu Irmão") lançaram a revista online e gratuita Iris (iriscine.com). A revista online é a primeira dedicada à fotografia no cinema brasileiro e tem o objetivo de valorizar a memória cinematográfica brasileira em meio a um cenário cada vez mais fragmentado. Cada edição da revista é trimestral e apresenta seis relatos de diretoras e diretores de fotografia atuantes em longas-metragens de ficção, séries, curtas-metragens, documentários, comerciais e videoclipes, além de matérias especiais e conteúdos-extra veiculados nas redes sociais e em um podcast. Com aprofundamento técnico e tom pessoal, todo o material produzido reúne experiências de nomes como Adrian Teijido ("Marighella"), Pedro J. Márquez ("A Última Floresta") e Wilssa Esser ("Hit Parade"). Em cada edição são depoimentos de fotógrafas e fotógrafos que descrevem seus processos criativos e métodos de trabalho nos sets de filmagem dividindo experiências. Iris é voltada para todos os públicos, desde curiosos a profissionais e estudantes do setor audiovisual, e um projeto editorial dedicado à reflexão sobre a criação cinematográfica. Além de valorizar nos filmes que se destacam pela fotografia, a revista também tem um papel de registro histórico, de estudo e de compartilhamento de conhecimentos, experimentos e vivências. Os textos são acompanhados por frames, fotos de still, making of, infográficos, mapas de luz, vídeos, material bruto e outros recursos visuais interativos. Para acessar a Iris basta clicar no link e desvendar o mundo do cinema brasileiro!

  • Próxima Live SPIA discute "Cinema como ferramenta de Educação Ambiental"

    Amanda Mansur e Rafael Buda se unem para uma conversa sobre a produção de filmes ambientais. Na próxima segunda-feira, 25/10, às 18h, no perfil do Instagram da Revista Spia (@spiarevista), Amanda Mansur e Rafael Buda se unem para uma conversa sobre "Cinema como ferramenta de Educação Ambiental". Essa live faz parte da Semana Municipal de Ciência e Tecnologia, e é realizada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - Regional de Pernambuco (SBPC-PE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação da Prefeitura da Cidade do Recife (SDECTI-PCR). A Revista Spia é uma das apoiadoras do evento. Amanda Mansur é professora do Centro Acadêmico do Agreste da UFPE. Possui Pós-doutorado na University of Reading, no Reino Unido e é coordenadora do Laboratório de Imagem e Som do Agreste (LAISA) e da Revista Spia. Rafael Buda é administrador com aperfeiçoamento em Gestão Cultural (UFBA/MinC) e Gestão de Projetos e Empreendimentos Criativos (SENAC/MinC). Atualmente é coordenador Geral da MARÉ – Mostra Ambiental de Cinema do Recife O objetivo da Semana é visibilizar pesquisas e atividades científicas a fim de mobilizar as instituições e a sociedade em geral sobre temas que abordem Ciência e Tecnologia numa troca de saberes em diálogos que fomente a defesa da ciência para o desenvolvimento do país. O tema deste ano é "A transversalidade da ciência, tecnologia e inovações para o planeta”. Na live serão discutidos os curtas “Uchôa, a Mata Pulsante” e Enraizada, que estão disponibilizados no canal Cinema de Animação e a série Cidade Plástica que está disponibilizada no canal Cidade Plástica. “Uchôa, a Mata Pulsante” (Recife, 17 min, colorido), dirigido por Tiago Delácio e produzido Rafael Buda "Enraizada" (PE, 2018, 8’), dirigido por Tiago Delácio e produzido Rafael Buda. Cidade Plástica - Episódio 01 - resíduo plástico. Produzido pela Saga.

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