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  • Foto do escritorJoão Marcelo

A BRODAGEM NO AGRESTE PERNAMBUCANO

Mais do que fazer, a paixão de quem preserva o cinema do Super 8, 16mm e 35mm


Jadiel e Edvaldo falam sobre suas paixões pela preservação do cinema. Fotos por João Marcelo.

O cinema pernambucano se caracteriza desde os seus primórdios da década de 1920, como movimento de criação coletiva entre amigos. Nesta época o denominado Ciclo do Recife, foi construído através de produções amadoras, onde a equipe de produção e elenco tinham outros ofícios e presente nas relações, a paixão pela sétima arte e aquele tom de “brodagem”, como bem conceitua a escritora e professora Amanda Mansur, na obra A Brodagem no Cinema Pernambucano, (2014). Tal característica se manteve nos movimentos marcantes que sucederam esse período, como a do Ciclo do Super 8, ocorrida entre 1973 e 1983, como também na retomada de produções profissionais pelos idos de 1985, cujo filme o Baile Perfumado desencadeia em grande estilo um leque de grandes sucessos que torna Pernambuco respeitado no cenário nacional e internacional.


A mesma paixão de fazer cinema também contagia um outro público que ama preservar. Em duas cidades do agreste pernambucano, pertinho de Caruaru, encontramos dois apaixonados em preservar a história do Super 8, 16mm e 35mm. Em Bezerros, terra do carnaval dos papangus, terra do artista J.Borges, encontramos Edvaldo Mendonça, um servidor público estadual, músico e amante da sétima arte. Um colecionador de filmes, projetores, equipamentos e materiais de cinema. Edvaldo além de colecionador adora exibir para os vizinhos grandes clássicos nacionais e internacionais em sessões animadas na rua onde mora. Se deslocando mais alguns quilômetros, em Toritama, cidade que se intitula a Capital do Jeans do Brasil, tem no cinéfilo Jadiel, um colecionador de câmeras, projetores e materiais de cinema, que tem de cor a história das salas de cinemas de sua cidade e disponibiliza sempre o seu acervo para exibições em festivais e feiras de conhecimentos escolares.


Nossa entrevista mergulha nesse universo apaixonante desses dois broders.


Por que colecionar projetores, câmeras e demais materiais de cinema?


EDVALDO: Para manter viva a sétima arte, o cinema. Através deste material preservamos a memória cinematográfica, assim como funcionam os museus que mantém a memória da humanidade. Além disso, quando mostramos esses equipamentos para às pessoas, estas ficam maravilhadas, como se vissem algo que vem do futuro, enquanto na verdade, estamos "de volta para o passado".


JADIEL: Eu coleciono porque meu objetivo é preservar esse material para que as pessoas possam conhecer e entenderem como eram os primórdios do cinema.


Conte-nos sobre sua coleção.


EDVALDO: Na coleção em Super 8mm, temos 08 projetores (sendo a maioria de marcas japonesas) algumas adquiridas no Brasil e outras no exterior. Possuímos um acervo de mais de 150 filmes, além de carretéis, cartazes e peças para reposição. Na coleção em 16mm, temos 04 projetores, carretéis e mais de 30 filmes.



JADIEL: Minha coleção começou no em 2005 na época apenas com um projetor 16mm nacional da marca IEC, hoje entre projetores, filmadoras, pôsteres, documentos e fotos são um total de mais de cem itens.



Existe algum item raro, qual o maior achado?


EDVALDO: Em Super 8mm possuímos raros filmes, como os de artes marciais, produzidos por uma empresa alemã nos anos 80. Enquanto em 16mm, podemos ver, uma raridade de 1912, que é o 1° filme da Paixão de cristo. Além de um raríssimo filme de minha cidade (Bezerros), que é um documentário de 1938.


JADIEL: Um item bastante raro na minha coleção é um projetor Parisiense dos anos 50, trata-se de um equipamento que projeta filmes em 8mm, além disso um equipamento bastante raro de aparecer em sites de vendas e em coleções. Já o meu maior achado foi uma filmadora francesa da marca Pathé baby, essa filmadora utilizava as raríssimas e extintas películas 9.5mm.


De onde vem essa paixão?


EDVALDO: Essa paixão vem de criança, quando ao entrar pela 1°vez em um cinema, vi um foco de luz vindo do alto em direção à tela; que parecia uma mágica, onde uma luz distante, produzia imagens em movimento... Mas tarde fiquei sabendo, que eram projetores mecânicos com carretéis de fitas, girando numa velocidade sincronizada, de 24 quadros por segundo. Foi na adolescência que consegui adquirir meu primeiro projetor de Super. 8mm e alguns filmes, que com o passar dos anos foram aumentando o acervo.


JADIEL: Essa paixão começou na minha adolescência quando eu vi um projetor de filmes que ficava de exposição numa locadora de filmes aqui na minha cidade.


Edvaldo conta que o barulho característico do projetor e o movimento de seus carretéis chama atenção nas exibições.

Edvaldo, nos conte como é essas exibições de filmes em sua rua.


Em várias oportunidades cheguei a reunir a vizinhança em nossa própria rua para algumas exibições públicas de filmes diversos, desde filmes mudos de comédia de Chaplin, que ainda arrancam sonoras risadas do público até os desenhos animados que animam a garotada, mas, observo que o que também chama atenção das pessoas é de fato o barulho característico do projetor e o movimento de seus carretéis.


Jadiel sonha em fazer um filme para que as pessoas possam assistir e aprender com o seu trabalho.

Jadiel, é verdade que nutre o sonho de dirigir um filme? Já teve experiências com produção de cinema?


Sim, tenho um sonho de fazer um filme para que as pessoas possam assistir e aprender alguma coisa com meu trabalho. Já tive uma experiência durante as filmagens do documentário Cine Aurélio aqui na cidade, na época trabalhei na captação do som, produção e pesquisa do filme, as atividades coroaram nossa participação no Curso Doc Lab, atividade formativa patrocinada pelo Curta Taquary. Inclusive o filme tem recebido premiações em festivais.


Por fim, vocês mantêm contato com outros colecionadores, e se algum leitor ou colecionador desejar manter contato com vocês como fazer?


Jadiel: Faço parte, juntamente com Edvaldo de um grupo de WhatsApp de colecionadores e amantes de cinema, onde postamos fotos e trocamos experiências com outros colecionadores do Brasil inteiro. Para fazer parte desse grupo basta entrar em contato comigo pelo meu telefone: 81 99258-3770.


Entrevista realizada por João Marcelo.

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