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  • Devotos da boa-fé: a fé anarquista!

    Relato por Marcus ASBarr. Foi da tenacidade de Nado, memorável e emblemático vocalista da banda crossover¹ Realidade Encoberta, elo forte e inspirador, que me fez mergulhar na ação direta: passei de público a ativista cultural. Com a entrega de panfletos para o III Encontro Anti-Nuclear², ele criou um momento histórico: possibilitou o conhecer do movimento punk em flerte com a ideologia Anarquista. Marcus ASBarr em apresentação no projeto IRMANDADE, ocorrido em uma exposição promovida pelo MaOs Contatos. Foto: Cannibal. Ver o mundo da angulação do “faça você mesmo” liberta. Inevitavelmente outro enlace ocorreria, pois a trajetória do atual Devotos iniciou neste mesmo momento, naquele mesmo palco e ainda como Devotos do Ódio. Na noite nublada de agosto, fim dos anos 1980, o então “Devotos do Ódio” foi o descortinar da potencialidade do punk, o despertar para novas formas de expressar ideias, de interagir com a sociedade. Não eram contestações vazias, mas algo vívido, sentido, absoluto comprometimento com a conscientização social. Até os cacofônicos sons da aparelhagem precária nos shows suburbanos — característica do punk — não comprometiam e sim ressaltavam o talento e o vigor, que emanava da palavra, e a sinceridade das palavras se verteria em ações para o “transformar do mundo à sua volta”. Respaldo minha narrativa, após mais de três décadas, indicando leitura de duas letras de momentos extremos do Devotos: “Luz da Salvação” e “Incrédulo”. O essencial fica e a palavra liberta! Mas o estreitamento da relação com o Devotos do Ódio seguiu a passos largos. E o primeiro contato direto com a banda não tardaria, pouco depois daquele impacto inicial em meu primeiro show de punk rock — no qual levei um tombo no meio da roda de pogo e saí ileso comprovando que as pessoas estavam ali não para se agredirem, mas para extravasar energia — estive em outros shows, nos quais fiz questão de dar ênfase à banda para Osman Frazão, que me apresentou a cena underground local e por ser mais headbanger demais na época, não esteve III Encontro Anti-Nuclear. Ele é meu primo e juntos, pouco mais de um ano depois, adentraríamos de vez no ativismo cultural que já praticávamos, só que agora com uma chancela: MaOs Contatos, um organismo de intensivo apoio ao cenário... que de duo não tardaria a se tonar solo. Mantive a marca até meados dos anos 1990. Cartaz da primeira ação do MaOs Contatos Ambos já fãs confessos do Devotos do Ódio, motivados por nossa primeira ação, ter a banda na próxima investida era uma meta. Seria a sequência para o Nordeste Thrash, que se desdobrou em outra ação na qual a banda também estaria em palco: o Não Papai Noel. Ambas foram frustradas. Imagem reprodução do livro Música Para O Povo Que Não Ouve, p.12. Arte de Marcus ASbarr sobre cartaz assinado por Osman Frazão. Na memória ficou marcado o dia em que seguimos ao Alto José do Pinho, sem conhecer nenhum integrante da banda, e ao chegarmos defronte ao endereço chegou também a apreensão e um impasse: se chamávamos Cannibal ou não. Então batemos palmas à moda antiga, não sabíamos a relação da família com a participação dele no movimento punk, mas vivenciávamos a situação. Para nossa surpresa, a irmã dele atendeu e de imediato soltou o grito: “CANNIBAL!”. E logo em seguida, o momento que selaria esta relação ocorreria imediatamente após o fracasso da ação Não Papai Noel, pois no dia seguinte já subíamos o Alto José do Pinho novamente, e desta vez esperando ser trucidados. Parecia que a carga de responsabilidade pelo ocorrido pesava toneladas. Encontramos Cannibal —e uma turma que em breve seriam os novos nomes da cena musical do Alto José do Pinho— na primeira esquina da ladeira de acesso. Uma apreensão ainda maior que num instante se dissipou com uma acolhida onde o entendimento e total empatia com a proposta nos colocariam ladeados seguindo no mesmo sentido. Abertura do primeiro videoclipe do Devotos do Ódio. Produção MaOs Contatos, que foi exibido (um trecho) no programa Fúria Metal (MTV Brasil) pelo VJ Gastão. Logo no início passamos de fãs na plateia a vivenciar de perto os primórdios da banda. Estávamos em ensaios, em shows, e buscando todo o tempo dar o apoio necessário na difusão. Uma estratégia era ter matérias na mídia de todo e qualquer show. Para tal, produzíamos fotos e enviávamos releases para os principais órgãos de comunicação, com bons resultados em jornais impressos. Matéria Recife Rock Show na The Surf Press Rock Ano II, N° 6, Outubro/1993. Cannibal se apresenta com uma camisa do projeto Irmandade pintada por Marcus ASBarr. Repertório escrito por Cannibal para o show no Pocoloco Olinda, 7 de Maio de 1994. Mas parece que as ações do MaOs Contatos estavam fadadas a não darem certo com o Devotos do Ódio, pois ainda uma outra ficou registrada como o pior show na memória da banda: o Nordeste Thrashcore, este realizado em Campina Grande, Paraíba. Daí por diante eu nem sabia mais que papel desempenhava na história: eu me tornei amigo, fã, mas não produtor — embora em alguns momentos este papel coubesse a mim por necessidade de uma representatividade. Orientava apenas, não tomava decisões. Assim, sugeri rejeitarem o primeiro contrato proposto para banda por um selo local. Algo complicado, pois podem pensar: “Loucura! A banda não tinha nada naquele momento”. Mas o que se desenhava era algo grande e condizente com o seu talento. Estava já em evidência total e isso foi se avolumando de uma forma que não se poderia mais sufocar. A minha presença constante ao lado da banda ocasionaria me confundirem até como mais um integrante em alguns momentos, embora só uma vez eu estive no palco e o registro é histórico para mim. Show no clube de futebol Prazeirinho em Jaboatão dos Guararapes. Acervo: Marcus ASBarr. Posso assegurar que ainda hoje o talento que me levou a apostar alto — e em certos momentos até me deixar um tanto preocupado com a demora de acontecer — continua a me encantar. Revivi alguns desses momentos como editor do livro Música Para o Povo Que Não Ouve, no qual eu assino o singelo capítulo preambular: “Memórias de um devoto”. O livro está no catálogo da Cepe Editora, e foi lançado em 2018. No processo de editoração, a definição dada ao projeto editorial englobou momentos inéditos da banda, registros históricos tanto do meu acervo quanto do próprio Cannibal, e quando recebi o material ainda bruto do último álbum — trilha sonora enquanto desenvolvia a parte de criação artística para composição do livro — estava tudo lá: in natura, mesmo após tantos anos. E algo que me proporciona um imenso orgulho... de fã. Notas do autor: ¹ Crossover é estilo musical, no caso a sonoridade do Realidade Encoberta, em sua formação original, era a junção do punk hardcore e o heavy-metal. ² III Encontro Anti-Nuclear é o nome da histórica movimentação que recebeu três edições reunindo artistas e ativistas de várias partes do país, grafada originalmente como na época. Sobre Marcus ASBarr: @marcusasbarr (BioDiverCidade Produções) é Ativista cultural oriundo do movimento punk. Produtor Cultural, Compositor e Músico Experimental. Atuante no cenário cultural de música, audiovisual e editorial (projetos gráficos e editoriais; Direção de Arte; Designer; Ilustração; Diagramação; Editor de livro e revistas), com trabalhos publicados no Brasil e no exterior. Assina o projeto gráfico e capa da segunda edição do livro "Pesado" (Wilfred Gadelha), e é Editor, prefaciador e capista do livro "Música para o povo que não ouve" (Cannibal), além de ser personagem em ambos. Criador Visual filiado a AUTVIS.

  • Livro que aborda o processo criativo do filme 'Tatuagem', será lançado no próximo dia 20/11

    Invenção de Tatuagem é um lançamento da Cepe Editora sobre a obra de Hilton Lacerda, com autoria de Paulo Cunha, Marcos Santos e Georgia Cruz. A Cepe publica um livro fundamental para jovens cineastas e interessados na nova produção audiovisual brasileira: A invenção de Tatuagem. Ricamente ilustrado, o título aborda o processo criativo do cineasta pernambucano Hilton Lacerda, Tatuagem (2013), que em 2015 entrou para a lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema entre os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. A publicação é resultado de pesquisa feita pelos autores: Paulo Cunha, Marcos Santos e Georgia Cruz. Eles narram o processo criativo em todas as etapas do primeiro longa de Hilton, desde a ideia inicial até a montagem. O lançamento será no próximo dia 20, às 17h, no pátio térreo da Fundaj do Derby. O evento acontece logo após a exibição do filme, às 15h, na Sessão Cinemateca no Cinema da Fundação. A entrada é gratuita, mas terá limite de 100 espectadores na sala. A Fundaj adotará o protocolo anti Covid. Para quem não assistiu ao filme, Tatuagem conta o romance entre Clécio, líder de um grupo teatral, o Chão de Estrelas, e Fininha, um soldado do Exército brasileiro. A história se passa em Olinda, em 1978, nos primeiros anos da ditadura militar. No livro os autores contam que a obra faz referências afetivas ao grupo de teatro Vivencial, ao ator Pernalonga, ao pop-filósofo Jomard Muniz de Britto e ao diretor Guilherme Coelho. Os três autores leram diferentes tipos de tratamentos do roteiro, estudaram fotografias de cena, consultaram materiais da direção de arte, como cenografia, figurinos e adereços, assim como retornaram às obras que inspiraram o diretor: livros, filmes e histórias. A pesquisa foi realizada no campo dos programas de pós-graduação em comunicação e em design da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Com a força da prosa poética de Jomard no prefácio, a construção do argumento, a discussão cinematográfica sobre o âmbito do Super-8, o universo por trás do filme e o prórpio filme contemporâneo a partir da ótica passada, o livro A invenção de Tatuagem é ricamente ilustrado, com fotos do diretor de fotografia Ivo Lopes, do fotógrafo Flávio Gusmão e do autor Marcos Santos, sem falar das imagens anteriores às filmagens que são de outros fotógrafos, como Ana Farache, que cedeu imagens do Vivencial. O projeto gráfico da designer Sandra Chacon, traz para o leitor a estética do filme. SOBRE OS AUTORES MARCOS SANTOS é integrante do grupo de pesquisa Cultura e Subalternidades: Epistemologias da Subalternidade no Cinema Brasileiro Contemporâneo. Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco e Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia. PAULO CUNHA - Doutor em Artes e Ciências da Arte pela Universidade de Paris I - Panthéon-Sorbonne e diplomado em História pela École des Hutes Études en Sciences Sociales de Paris, sob orientação do historiador Marc Ferro. Está vinculado, como membro permanente, ao Programa de Pós-Graduação em Design da UFPE. GEORGIA CRUZ - Pesquisadora no LabGRIM - Laboratório da Relação Infância, Juventude e Mídia e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Narrativas Multimídia. Professora do curso de Sistemas e Mídias Digitais da Universidade Federal do Ceará. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco e Mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará. SERVIÇO Lançamento de A invenção de Tatuagem Data: 20 de novembro Horário: 17h Onde: Sessão Cinemateca, no Cinema da Fundação do Derby, às 15h, com exibição de Tatuagem, de Hilton Lacerda. Entrada gratuita no limite de 100 espectadores. Com protocolos anti Covid usuais. Às 17h, no pátio térreo da Fundaj do Derby, lançamento do livro. Valor de venda: R$ 70,00 (livro impresso) E-book: R$ 28,00

  • A cena do Punk Rock Hardcore em Pernambuco pelos olhos do Devotos

    Em 1988 nascia a banda pernambucana, Devotos do Ódio (atualmente chamada apenas de Devotos). Formada por Cannibal (voz e contra-baixo), Neilton Carvalho (guitarra) e Celo Brown (bateria), a banda foi uma das principais precursoras do movimento de rock que surgiu em Pernambuco na década de 90. Criada no Alto José do Pinho, bairro periférico de Recife, desde o início da formação, o trio buscava compor letras que denunciavam a desigualdade social, o preconceito e as dificuldade vividas dentro das comunidades. Neilton Carvalho (esq.), Cannibal (centro) e Celo Brown (dir.) A falta de saneamento, a insegurança, criminalidade, e a pobreza, eram motivos de grandes insatisfações dos moradores do Alto José do Pinho. Então, Cannibal que já participava de passeatas punks e organizava eventos teve a ideia de criar o Devotos e assim denunciar aquela realidade através do que sabia fazer: rock. Devotos faz parte de um grupo que podemos chamar de A consciência da periferia, a voz que cobra melhorias em uma realidade dividida. Ao longo da trajetória, Devotos já lançou oito álbuns em estúdio: Agora tá Valendo (1997), Devotos (2000), Hora da Batalha (2003), Sobras da Batalha EP (2004), Flores com Espinhos, Para o Rei (2006), Póstumos (2012) e O Fim Que Nunca Acaba (2018). Além de um álbum ao vivo em comemoração aos 20 anos da banda, e dois discos de vinil intitulados de Victória (2010) e Demos e Raridades (2011). Um dos grandes sucessos do trio é a música "Eu o declaro inimigo", do álbum O Fim Que Nunca Acaba. O videoclipe da música foi lançada no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), durante a exposição "A arte é um manifesto - 30 anos de Devotos". O clipe tem direção de Marcos Buccini e Thiago Delácio e teve a participação de 127 artistas brasileiros, entre ilustradores, artistas plásticos, designers, animadores e artistas gráficos. No mesmo ano, em comemoração ao aos 30 anos da banda, Cannibal lançou o livro Música Para o Povo Que Não Ouve em parceria com a Cepe Editora. O livro conta a trajetória da banda com fotografias, cartazes de shows, matérias de jornais, e letras de canções inéditas que não chegaram a ser gravadas. Este ano a banda lançou dois singles Nossa História e Orixás: O Rock em Pernambuco O Alto não foi o único lugar de Recife que passava por problemas, vários lugares de Recife viviam e presenciavam uma grande onda de insatisfação e má qualidade de vida. Em 1990, com o declínio econômico no estado, um jornalista do The Washington Posts em passagem por Recife escreveu que a capital pernambucana seria a 4ª pior cidade do mundo para se morar. Pode-se dizer que esse foi um dos gatilhos que gerou um desejo de mudança. Nas palavras de DJ Dolores: "A gente muda de cidade ou a gente muda a cidade. Não temos dinheiro para mudar de cidade, então vamos ter que mudar a cidade". - Fala tirada do documentário Passagens (2019) de Lúcia Nagib e Samuel Paiva. Assim como Devotos, durante a década de 90 surgiram diversas outras bandas que tinham o mesmo objetivo. Nesse período nasce também nomes como Sheik Tosado, Os cachorros, Eddie, Matalanamão, III Mundo, Primeira Dama, Querosene Jacaré, Faces do Subúrbio, Jorge Cabeleira, Comadre Fulosinha, entre outros. Bem como Nação Zumbi e Mundo Livre S&A que tiveram maiores projeções nacionais e internacionais misturando rock e maracatu e falando sobre o mague. Em 1995, Adelina Pontual, Cláudio Assis e Marcelo Gomes se juntaram em um documentário que retratava o dia a dia dos jovens do Alto José do Pinho e como a música mudou suas vidas e a imagem do bairro, antes marcado por sua miséria e marginalidade. A banda Devotos do Ódio, destaque no documentário, foi exemplo, possibilitando mudanças no contexto social do bairro. O filme de 14 minutos firma-se como um registro histórico sobre a cultura marginal do nosso país. O rock pode ter tido origem americana, mas em Pernambuco o ritmo tomou outras faces e foi transformado em um grande mensageiro da realidade e também uma expressão artística de luta e resistência. Acompanhe Devotos nas redes Youtube Instagram Spotify Texto por Hanna Aragão.

  • Nova revista digital propõe a valorização da fotografia no cinema brasileiro

    Revista tem a proposta de valorizar a memória cinematográfica brasileira em meio a um cenário cada vez mais fragmentado. No dia 15 de outubro, mês de aniversário da Cinemateca Brasileira, os fotógrafos Azul Serra ("Aos Teus Olhos"), Pedro Sotero ("Bacurau") e Rafael Nobre ("Mataram Meu Irmão") lançaram a revista online e gratuita Iris (iriscine.com). A revista online é a primeira dedicada à fotografia no cinema brasileiro e tem o objetivo de valorizar a memória cinematográfica brasileira em meio a um cenário cada vez mais fragmentado. Cada edição da revista é trimestral e apresenta seis relatos de diretoras e diretores de fotografia atuantes em longas-metragens de ficção, séries, curtas-metragens, documentários, comerciais e videoclipes, além de matérias especiais e conteúdos-extra veiculados nas redes sociais e em um podcast. Com aprofundamento técnico e tom pessoal, todo o material produzido reúne experiências de nomes como Adrian Teijido ("Marighella"), Pedro J. Márquez ("A Última Floresta") e Wilssa Esser ("Hit Parade"). Em cada edição são depoimentos de fotógrafas e fotógrafos que descrevem seus processos criativos e métodos de trabalho nos sets de filmagem dividindo experiências. Iris é voltada para todos os públicos, desde curiosos a profissionais e estudantes do setor audiovisual, e um projeto editorial dedicado à reflexão sobre a criação cinematográfica. Além de valorizar nos filmes que se destacam pela fotografia, a revista também tem um papel de registro histórico, de estudo e de compartilhamento de conhecimentos, experimentos e vivências. Os textos são acompanhados por frames, fotos de still, making of, infográficos, mapas de luz, vídeos, material bruto e outros recursos visuais interativos. Para acessar a Iris basta clicar no link e desvendar o mundo do cinema brasileiro!

  • Próxima Live SPIA discute "Cinema como ferramenta de Educação Ambiental"

    Amanda Mansur e Rafael Buda se unem para uma conversa sobre a produção de filmes ambientais. A live será transmitida no perfil do Instagram da Revista Spia (@spiarevista). Na próxima segunda-feira, 25/10, às 18h, no perfil do Instagram da Revista Spia (@spiarevista), Amanda Mansur e Rafael Buda se unem para uma conversa sobre "Cinema como ferramenta de Educação Ambiental". Essa live faz parte da Semana Municipal de Ciência e Tecnologia, e é realizada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - Regional de Pernambuco (SBPC-PE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação da Prefeitura da Cidade do Recife (SDECTI-PCR). A Revista Spia é uma das apoiadoras do evento. Amanda Mansur é professora do Centro Acadêmico do Agreste da UFPE. Possui Pós-doutorado na University of Reading, no Reino Unido e é coordenadora do Laboratório de Imagem e Som do Agreste (LAISA) e da Revista Spia. Rafael Buda é administrador com aperfeiçoamento em Gestão Cultural (UFBA/MinC) e Gestão de Projetos e Empreendimentos Criativos (SENAC/MinC). Atualmente é coordenador Geral da MARÉ – Mostra Ambiental de Cinema do Recife O objetivo da Semana é visibilizar pesquisas e atividades científicas a fim de mobilizar as instituições e a sociedade em geral sobre temas que abordem Ciência e Tecnologia numa troca de saberes em diálogos que fomente a defesa da ciência para o desenvolvimento do país. O tema deste ano é "A transversalidade da ciência, tecnologia e inovações para o planeta”. Na live serão discutidos os curtas “Uchôa, a Mata Pulsante” e Enraizada, que estão disponibilizados no canal Cinema de Animação e a série Cidade Plástica que está disponibilizada no canal Cidade Plástica. “Uchôa, a Mata Pulsante” (Recife, 17 min, colorido), dirigido por Tiago Delácio e produzido Rafael Buda "Enraizada" (PE, 2018, 8’), dirigido por Tiago Delácio e produzido Rafael Buda. Cidade Plástica - Episódio 01 - resíduo plástico. Produzido pela Saga.

  • Revista Spia é vencedora do Expocom Nacional

    Estamos mais uma vez muito felizes em compartilhar outro resultado de reconhecimento com vocês. Depois de vencer a etapa regional, onde disputou com os melhores trabalhos da região nordeste, a revista SPIA foi a vencedora da etapa nacional do EXPOCOM, onde concorreu com os melhores trabalhos das outras quatro regiões do país. A Revista Spia era finalista na categoria Produção Multimídia, uma modalidade de Produção Transdisciplinar. O prêmio nacional foi divulgado no ultimo dia 09/10 no 44º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, de forma virtual, que foi organizado pela Universidade Católica de Pernambuco - Unicap. O Expocom é uma exposição de pesquisas experimentais em comunicação destinada aos melhores trabalhos produzidos por estudantes no campo da Comunicação e é uma realização do Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Somos só felicidade! Obrigado a todos que acreditam no nosso projeto. Viva Caruaru! Viva a cultura pernambucana! Viva a universidade pública! Confira os vencedores: https://portalintercom.org.br/publicacoes/jornal-intercom/2021-2/10-2-2-2-2-2-2/ano-17-n-523-sao-paulo-13-de-outubro-de-2021-issn-1982-372/chamadas-1864/expocom-2021-conheca-os-vencedores-da-etapa-nacional?utm_source=newsletter-+490&utm_medium=email&utm_campaign=Informativo_05_05_2021-490

  • Padim Ciço e a trajetória do Cabocolino

    Relato por João Marcelo, diretor e roteirista do filme Cabocolino (2021). Que bom, poder recordar os dias de nossas gravações. Só sei que foi assim...Numa tarde ensolarada, o calendário marcava o dia 05 de fevereiro de 2021, quando iniciamos as filmagens. Deslocamo-nos até o Sítio Campo do Borba em João Alfredo, onde foram colhidas as imagens das cenas iniciais do documentário segundo o plano de filmagens elaborado. Como mostra na Fotografia 1, o personagem vestido dos trajes de caboclinhos, caminha solitário no campo e vai de encontro a árvore de Tambor (Enterolobium maximum Ducke, nome científico). No intuito de colher as sementes para preparação e plantio na cidade de Juazeiro do Norte. Prosseguimos e registramos as cenas do entardecer no campo e depois filmamos o personagem chegando à noite em sua residência, seu convívio com a esposa e interação com os animais de estimação. Por fim, registramos a cena do personagem dormindo. Fotografia 1 - Gravação cenas abertura Cabocolino. Fonte: Acervo Autor (2021). No sábado, 06 de fevereiro, logo cedo, fomos à residência do personagem, registramos a entrevista com ele na sala de sua humilde residência e dois fatos destacamos, os quais passamos a narrar. De repente, centenas de cigarras e outros insetos começaram a emitir os seus zunidos característicos, o que provocou interferência no som captado na fala do entrevistado, ocorrendo a paralisação de nossas atividades. Segundo Sr João, não era comum o canto dos insetos naquele horário do dia. Sanado o problema, retornamos à entrevista e, de repente, Alexandre Taquary na função de técnico de som, interrompia as gravações alegando que estava escutando nos autofalantes auriculares do equipamento um forte som de batidas de coração. Fato constatado por Marlom, que de imediato pensou ser provocado pelo microfone de lapela. Mesmo desligando o equipamento, o misterioso som persistia, quando Sr. João de Cordeira, tranquilamente pontuou: “O caboclo que me acompanha está aqui conosco, não precisa se preocupar”. Após essa fala, o som imediatamente sumiu, ficamos intrigados com o ocorrido e ficou a expectativa para, no final do dia das gravações, checar se as batidas de coração escutadas foram captadas no material sonoro da entrevista, fato este não ocorrido. No período vespertino, fomos a um monte próximo à residência do Sr. João, conhecido como a Serra da Ventania e registramos reflexões do mesmo sobre a essência do bloco, o lado místico e suas expectativas sobre o futuro da dança dos caboclinhos, evidenciado na Fotografia 2. As filmagens se encerraram no momento do pôr-do-sol e nossa equipe aproveitou o momento do jantar para checar todas as ações do dia seguinte, pois envolveria uma logística maior e um grande número de figurantes. Fotografia 2 - Serra da Ventania – João Alfredo PE. Fonte: Acervo do Autor (2021). Nossa maior preocupação eram os cuidados com as medidas preventivas contra a Covid-19 e, também o fato de que, além do personagem principal, havia muitos outros idosos que ainda são brincantes, os quais foram especialmente convidados por João de Cordeira para participarem como dançarinos nas filmagens. Para o entrevistado, era a forma de retribuir a parceria de longos anos em acompanhar o bloco. Após buscar cada um dos integrantes do bloco de caboclinhos em suas residências com a ajuda do motorista “Rosinha do Amor”, toyoteiro, fomos ao Memorial dos Severinos, no Parque dos Mamulengos Gigantes em Surubim, onde realizamos as filmagens de apresentação das danças e performance dos integrantes, juntamente com a Banda de Pífano de Surubim do mestre Sr. Sebastião. Gravamos, dirigimos os posicionamentos e movimentos dos grupos, para as cenas e finalizamos os trabalhos após checagem de todo material filmado. Todos os integrantes foram transportados de volta até suas residências, muitas delas situadas em diversas localidades da zona rural de João Alfredo e, no final da tarde, retornamos ao Memorial para realizar outras filmagens, desta vez, apenas com Sr. João de Cordeira. Fonte: Fotografia de Devyd Santos (2021). No final do dia, comemoramos o sucesso dos trabalhos, pois o nosso maior desafio era o cuidado com a integridade física das pessoas, filmar com o maior número de integrantes previstos no roteiro e nosso planejamento envolvia deslocamentos entre cidades, alimentação para mais de 30 pessoas e, principalmente, seguir as normas de prevenção contra a pandemia. Todas as ações transcorreram conforme o planejado. Na segunda-feira, 08 de fevereiro, registramos o percurso do personagem até a cidade do Juazeiro do Norte no Ceará. Cedinho, gravamos imagens da despedida de Sr. João com sua esposa, a saída da cidade de João Alfredo, a parada no terminal rodoviário de Caruaru, cenas na estrada em Cruzeiro do Nordeste, no município de Sertânia e nas proximidades de Serra Talhada. Chegamos às 21h na cidade do Juazeiro do Norte - CE. A varanda do quarto proporcionava uma vista defronte ao monte onde se localiza a estátua de Padre Cícero. Movido pela ansiedade e emoção, acordei cedinho e quando me dirijo à varanda para apreciar o surgimento do sol, antevejo, no horizonte, a aproximação de negras nuvens. Tudo começou a ficar nublado e, de repente, muita chuva, uma enxurrada. Nosso dilema era filmar ou não naquele dia, nossa agenda apertadíssima, pois a fotografia estava sob a responsabilidade de Marlom, que, antecipadamente, por conta de outros compromissos já havia alertado que somente poderia realizar as filmagens do dia 05 a 09 de fevereiro e, no dia 10, teríamos que retornar. A programação de gravação envolvia várias cenas externas, a previsão era de fortes chuvas durante todo o dia. Daí resolvemos alterar a ordem das filmagens. No trajeto, discutimos sobre a otimização das filmagens naquelas condições. Providenciamos a aquisição de guarda-chuvas e capas. Antes, no quarto do hotel, acondicionamos todas as toalhas possíveis em nossa bagagem de equipamentos e, por sorte ou milagre do “Padim Ciço” e dos protetores espirituais, a chuva resolveu cair de uma vez. No Horto, havia a determinação de Sr. João de Cordeira de plantar as sementes trazidas de João Alfredo somente após autorização do padre local. Pedimos a autorização de dois padres, mas acabaram direcionando nossa equipe e o Sr. João à Irmã Sônia, religiosa responsável pelo local. A Irmã foi muito receptiva, autorizou a plantação das sementes do Tambor, e nos levou a um local reservado onde, segundo a Irmã, havia sido um jardim e horta do Padre Cícero no passado. Mesmo sem estar no roteiro, conversamos com a Irmã para que participasse do documentário, já que por conta da imensa carga emotiva verificada, acabou se tornando peça importante no projeto, principalmente para o personagem em realizar a homenagem ao seu avô, cujos restos mortais repousa sobre aquele solo. Cena da plantação das sementes em Juazeiro do Norte (CE). Fonte: Acervo do Autor (2021). De instante e instante, dirigia meus olhos para o céu, agradecendo a colaboração dos Santos em segurar a chuva nas nuvens. Após esse momento, Sr. João também pediu autorização à Irmã Sônia para se trajar com suas vestes do bloco de caboclinhos e realizar outra homenagem: apresentar-se com suas danças e passos sob os pés da estátua do Padre Cícero. De imediato, comecei a reproduzir no celular o som da banda a partir das gravações realizadas no Memorial dos Severinos e, antes de convidar o Sr. João a iniciar suas homenagens, ele começou a dançar feliz sob os pés da estátua do Padre Cícero. Naquele momento, consolidava a homenagem ao falecido avô. Na quarta-feira, 10 de fevereiro, o céu estava ensolarado. Sugeri a Marlom que, de forma rápida, retornássemos ao Horto e registrasse novamente algumas cenas, para posterior análise no momento da montagem. Feito os registros, finalizamos as gravações, a partir daí iniciamos nosso retorno para Pernambuco. Veja mais: Indicação Cabocolino (2021)

  • 11º Festival Internacional de Animação de PE, o ANIMAGE tem início na próxima sexta-feira (8)

    Festival contará com curtas e longas inéditos, mostras especiais, competição internacional de curtas, oficinas, e outras atividades gratuitas. Entre os dias 8 e 17 de outubro será realizada o 11º Festival Internacional de Animação de Pernambuco, o ANIMAGE. Esta edição do festival, é a primeira após a interrupção provocada pela pandemia do Covid-19, uma edição híbrida, com exibições online e sessões presenciais no histórico Teatro do Parque, localizado em Recife, Pernambuco. O festival será gratuito e a programação vai contar com a exibição de longas-metragens, competição internacional de curtas, mostras especiais, exibições especiais para crianças, oficinas para crianças, iniciantes e profissionais, além de masterclasses, entrevistas e painéis. O ANIMAGE será o primeiro festival de cinema a ocupar com sessões presenciais o tradicional Teatro do Parque, espaço cultural centenário do centro do Recife, após a restauração que durou mais de dez anos. Um dos únicos teatros-jardim do Brasil, o Teatro do Parque foi fundado em 1915 e reinaugurado em 11 de dezembro de 2020. As atividades presenciais no teatro serão limitadas a 300 lugares, e vai atender os protocolos de segurança contra a Covid-19. Entre as medidas estão o uso obrigatório de máscaras, além do distanciamento social entre as poltronas e a disponibilização de álcool em gel. Para participar, os interessados podem adquirir os ingressos de forma gratuita e fazer a retirada na bilheteria do teatro uma hora antes do início das sessões de cada dia. Toda programação online do ANIMAGE poderá ser acessada gratuitamente pelo site do evento através da plataforma Shift72, disponível para todo o Brasil. As oficinas acontecerão ao vivo pela plataforma Zoom. Acessibilidade: Os curtas-metragens brasileiros estarão disponíveis na plataforma online com Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) e a Mostra Brasil contará também com audiodescrição. Serviço: Festival ANIMAGE – 11º Festival Internacional de Animação de Pernambuco Data: 08 a 17 de outubro de 2021 Programação: Para acessar a programação completa clique aqui.

  • Indicação: Cabocolino (2021)

    “Um filme fantástico, com um personagem também fantástico e uma história que encantará seu coração”, João Marcelo, diretor de Cabocolino. Cabocolino (2021), é o primeiro curta documental do comunicólogo João Marcelo como diretor e acompanha a saga do brincante Sr. João de Cordeira, um artista que luta para manter viva a tradição do Bloco de Caboclinhos do Sítio Melancia da cidade de João Alfredo PE, Agreste de Pernambuco. Sinopse: Seu João de Cordeira é um agricultor, aposentado de 78 anos, artista popular que luta para manter viva a tradição do Bloco de Caboclinhos do Sítio Melancia em João Alfredo PE, agreste pernambucano. A tradição do bloco vem passando por várias gerações ao longo dos anos. O seu avô, por conta de dificuldades climáticas, migrou para a cidade de Juazeiro do Norte/CE e conviveu muito próximo ao Padre Cícero. Ao falecer, o Padre Cícero o enterrou, segundo Seu João de Cordeira, em um solo sagrado. Nosso personagem tinha um sonho de prestar uma homenagem ao seu avô em Juazeiro do Norte/CE. O documentário traz essa jornada de fé, de lutas, de cultura e traz a simplicidade de um guerreiro em homenagear o seu antepassado.

  • Árido: um caminho

    Relato por Tiago Delácio. Vários pavios culturais explodiram na década de 90 em Pernambuco, mas o big bang foi o movimento mangue beat. Nessa época, a minha passagem do ensino médio para o curso de Jornalismo da UFPE seria também o sentimento de fazer parte do cinema que estava novamente brotando das ruas do Recife. E, da poltrona do Teatro do Parque, como espectador, me senti dirigindo junto com Paulo e Lírio, o Baile Perfumado para então reafirmar minha opção por viver ao lado do nosso cinema. O Baile foi tão impactante sobre as rochas dos cânions do São Francisco, ao som do Nação Zumbi, Fred Zero4 e Mestre Ambrósio que semeou a retomada da produção do cinema em Pernambuco. Esse experimentalismo foi responsável pelo impulso criativo e a percepção ampliada até de um jeito local de fazer filmes, a brodagem do cinema pernambucano. Meus dias eram de cinema e movimento estudantil. Comprei minha primeira filmadora parcelada no cartão de Chico de Assis, tocava com uma galera o Cineclube Barravento, batia ponto na Classic Vídeo e percorria os bairros de Olinda com o projeto Cinema na Praça. Até que parti para um sonho da época, cursar um taller na EICTV, em Havana. De lá, comecei a acompanhar a movimentação de duas equipes de produção. Estavam contratando para o novo filme de Lírio, Árido Movie, e outra equipe, montando para rodar o Cinema, aspirina e urubus de Marcelo Gomes. Ainda em Cuba mandei uns e-mails para as produções com o currículo e vontade, enquanto lia “Cine Imperfecto” de García Espinosa ficava mais longe minhas chances de fazer parte de uma delas. Tiago Delácio nas filmagens do filme Árido Movie - Fotos: acervo pessoal. Dias se passaram, contatos foram feitos, mas a equipe estava formada quando cheguei em Recife. De um lado as vans subiam para Arcoverde para preparar a filmagem do Árido, um pouco mais ao norte, a equipe do Cinema, Aspirina e Urubus, na Paraíba, entre Pocinhos e Cabaceira. Mesmo com os primeiros dias de set filmados, Júlia Moraes, assistente de direção do Árido, me convida para fazer a segunda assistência. No outro dia, estava eu lá em Arcoverde virado no mói de coentro. Dois dias depois, uma rearrumação na equipe e me transformei no continuísta do filme, nessa hora só tentava lembrar o que Adelina Pontual tinha falando em alguma aula. Lá fui eu com a prancheta, caneta e cronômetro vivendo aquele dias de sonho e trabalho. Os moradores de Arcoverde paravam para acompanhar as filmagens e ver rostos conhecidos de Giulia Gam, José do Monte, Matheus Nachtergaele, Paulo César Pereio, Mariana Lima, Selton Mello e José Celso Martinez. O calor massacrante da estrada, as locações sinistras, a arte oposta de Renata Pinheiro dava o ambiente subjetivo que o filme precisava. O cenário do "O POSTO" onde o protagonista Lázaro sai com Wedja ao som de Renato e seus Blue Caps destranca um roteiro aberto, cheio de fragmentos e histórias não encerradas, como é a nossa própria existência, sem fim até depois da morte. Enquanto Lírio tinha o filme na cabeça, os demais quebravam a cabeça para encaixar no plano de filmagem, o filme em si estava bem longe do próprio roteiro e essa era a ideia. Nunca li tanto um roteiro como o Árido, era imprevisível entregar a minutagem, a descrição da cena, as tomadas, o tipo de filtro e o número do negativo para a montagem fazer os encaixes. Lírio confiava nos atores e na capacidade de improvisar o texto, mandava a fotografia rodar mesmo que a película de 35mm quantas vezes precisasse, a produção ali só não fez chover e, no final, astralizava e, pronto, dava tudo certo. Não foi fácil, mais do que ter uma memória visual e um acompanhamento cirúrgico das falas, ações, gestos, figurinos, para garantir o plano de filmagem, cabia também ao continuísta lembrar do enquadramento da câmera, a lente, o filtro daquela cena, a minutagem e em qual rolo está cada cena. Entre tantos desencontros, um copião extraviado no laboratório do Rio exigiu que fosse refilmado algumas cenas meses depois de desprodução. Foi uma loucura que valeu mais que qualquer curso de cinema. Embora para quem assiste ao filme, a narrativa não se encerra, quem é o doido de fazer o segundo filme? Em 2020, fui ao Festival de Cinema do Rio de Janeiro exibir o curta-metragem Enraizada e assisti ao lançamento do Aqua Movie com Lírio e parte da equipe. O Aqua é mais que uma continuação, é uma espécie de reencarnação e que compõe mais um pouco desses fragmentos tortuosos entre mar e seca, litoral e sertão, raízes e asas. Claro, são filhos do mesmo pai, voaram pelos mesmos caminhos e também ficaram presos nas mesmas agruras e limites de seus voos. Muito distante dos sonhos da década de 2000, uma grande tormenta social descambou no Golpe de 2016 e a eleição de um presidente cuja marca é a destruição das políticas de fomento ao audiovisual e a caçada ideológica contra os artistas. Um país com mais de meio milhão de mortes pela pandemia, quase todos os cinemas fechados e um governo com viés facista, nos leva a acreditar - apenas - que a Montanha do Cachorro que está na cidade ficcional de Rocha antes dos homens existirem, vai continuar existindo. Sobre o autor: Realizador audiovisual, com especialização na Escuela Internacional de Cine y TV (Havana) e mestrado em Desenvolvimento Urbano (UFPE), Tiago Delácio é coordenador do Museu de Animação Lula Gonzaga (MUCA) e da Mostra de Cinema Ambiental do Recife (MARÉ). Dirigiu os curtas: La espera (8’, 2003), Velocidade Máxima (7’, 2013), Enraizada (8’, 2018), Eu o declaro meu inimigo (2’, 2018) e Martelo (6’, 2021).

  • 'Chão de Estrelas', série inspirada no filme 'Tatuagem', estreia sexta-feira no Canal Brasil

    A produção é uma releitura da trupe de teatro Chão de Estrelas, que conta com narrativa contemporânea. Estreia na próxima sexta-feira (10), a série "Chão de Estrelas" de Hilton Lacerda. Criada a partir do filme "Tatuagem", primeiro longa de Hilton, a série gira em torno de um grupo teatral anárquico formado por integrantes com origens e histórias diversas, que ocupa um casarão no Centro Histórico do Recife. Serão sete episódios, que irão ao ar às sextas, às 22h30 no Canal Brasil. De acordo com Hilton Lacerda, a série é um aprofundamento do grupo de teatro criado no filme Tatuagem, mas com uma narrativa contemporânea voltada para os problemas atuais da sociedade. A 'nova' trupe agora ocupa o casarão de Dionísio, interpretado por Paulo André, famoso e recluso artista plástico. Quando o casarão corre o risco de ser tomado por uma poderosa construtora, os integrantes do Chão de Estrelas iniciam um movimento pela manutenção do espaço. Foto: Divulgação "Chão de Estrelas é puro conflito, em todos os níveis, e mergulha num universo onde várias artes comungam do mesmo fim: promover uma incômoda festa que nos sirva de barricada no presente para nos escudar lá no futuro. E com arte. Muita arte”, descreve o diretor Hilton Lacerda. Leia também: Hilton Lacerda: cinema, liberdade e a pluralidade do Cinema Pernambucano Tatuagem: de dentro para fora, um estudo do processo de criação a partir do roteiro do filme A narrativa é construída em torno de conflitos externos e internos da trupe, abordando temas como o desprezo à cultura por parte da sociedade conservadora e especulação imobiliária. A produção constrói a mistura perfeita para a batalha criativa, onde arte e resistência lutam para falar a mesma linguagem, e a memória é o combustível para enfrentar o presente e modificar o amanhã. No final de cada episódio, há depoimentos dos personagens sobre conflitos próprios e coletivos que ajudam a costurar a trama. Os episódios estarão disponíveis nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay +Canais ao Vivo. Informações técnicas Chão de Estrelas (2021) (7x50’) Direção: Hilton Lacerda e Milena Times Elenco: Giordano Castro, Nash Laila, Uiliana Lima, Gustavo Patriota, Dante Olivier, Mário Sérgio Castro, Matheus Tchoka, Ana Paula Gaspar, Paulo André, Ana Marinho, Sílvio Restiffe, Lívia Falcão, Titina Medeiros e Sandro Guerra. Classificação etária: 16 anos Estreia: sexta, dia 10/09, às 22h30 Horário: sexta, às 22h30 Alternativos: madrugada de domingo/segunda, às 2h; madrugada de quarta/quinta, às 4h; e segunda, às 0h30.

  • Jomard Muniz de Britto: corpo-poesia, nudez e subversão

    As relações corporais como narrativas em filmes de Jomard Muniz de Britto. (+18) Conhecido também pela sua ousadia e subversão como artista poeta, Jomard Muniz de Britto contribui para construção de um importante movimento cineasta em Pernambuco. Seus filmes fizeram importantes construções do movimento e marcaram o Ciclo Super-8 trazendo performances que se destacavam pela irreverência e subversão, seja com a exibição de corpos nus ou até mesmo na crítica ao contexto cultural do estado. Não somente marcou o ciclo como também se destacou construindo poesias visuais nos filmes. Em alguns deles, Jomard constrói narrativas performáticas que transcendem a imagem e demonstram a poesia dos corpos, da nudez, da transgressão e subversão. Em “Vivencial I”, vemos um grupo de teatro em apresentações pelas ruas do Recife. Jomard registra o espetáculo e os corpos que dançam, performam e trazem essa narrativa corporal, vista em outros curtas do cineasta. Em “Aquarelas do Brasil”, um dançarino se expressa num dos pontos turísticos da cidade, mais uma vez o corpo em evidência. No filme “Uma Experiência Didática”, o corpo em nudez transforma a narrativa em poesia, onde os gestos e movimentos são super expressivos. Já no filme “Toque”, os artistas dançam e performam a nudez e a subversão do corpo nu. Todos esses filmes citados e outros, demonstram a relação entre os trabalhos de JMB e o culto ao corpo, a poesia, a subversão e a transgressão. O cineasta, por meio de relações corporais em seus filmes, faz do corpo uma poesia. Diria um “Corpo-Poesia”, construindo narrativas corporais e poéticas onde a nudez é naturalizada pelo diretor, embora seja vista como transgressora pela sociedade, e as relações entre os atores dão origem a poesias visuais, narradas através das lentes da câmera de cinema. Sendo o cinema uma das formas de exercer poder sobre o público por meio das narrativas cinematográficas, a problematização do corpo nu, em evidência como referência, toma maior tempo de tela em muitos filmes de Jomard. Há a necessidade de evidenciar a experiência, o corpo, a nudez e a sexualidade, não como plano de fundo, mas com protagonismo, em narrativas fílmicas. Nos filmes de Jomard Muniz de Britto, temos a naturalização do corpo, da nudez e da sexualidade impulsionada pelas constantes narrativas corporais e poéticas do diretor. Pensando assim, apresentar e evidenciar o corpo que foge dos tabus, subvertendo as narrativas, não é só necessário, mas parte da identidade do poeta, cineasta e escritor. Argumento e Vídeo Ensaio por Cladisson.

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A SPIA é um portal colaborativo feito por alunos do curso de Comunicação Social e Design, da Universidade Federal de Pernambuco, campus Agreste. Todo o conteúdo produzido por nós é usado apenas para fins informativos e educacionais.

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