Diário de um Banana: A porta de entrada para outras leituras
- Revista Spia

- 11 de mai.
- 2 min de leitura
Por Everton Antonio Silva
Trabalho aprovado por: Paula Donato e Marcelo Martins

É comum ouvir por aí que algumas escolhas na juventude funcionam como “portas de entrada para outras drogas mais pesadas”. Na literatura, essa expressão cabe perfeitamente à obra do norte-americano Jeff Kinney. O livro, que conta a história do pré-adolescente Greg Heffley e seus desafios nessa nova fase da vida, foi lançado originalmente em 2007 e traduzido para o Brasil logo em seguida.
Para quem nasceu em tempos tão modernos e de tantos estímulos, Diário de um Banana é uma ótima opção para iniciar o hábito de leitura. Com sua estética e fluidez, suas obras abrem os olhos para a “leitura à moda antiga”. Admito que nunca fui um grande leitor, nem entusiasta dos clássicos. Mas, um dia, aquele livro que imitava um caderno escrito à mão, com desenhos de bonecos de palito e uma sequência de capas coloridas, chamou minha atenção e me fez escolher meu presente de aniversário de 9 anos: “Eu quero o livro do Diário de um Banana!” E se você me perguntar hoje, com quase 20 anos da série já com 21 livros, eu ainda quero.

Como profissional em formação da área de Comunicação, não posso deixar de observar que a obra carrega uma engenharia poderosa: seu hibridismo funcional. Kinney não usa ilustrações como meros enfeites: os cartuns de traços simples e expressivos agregam novos sentidos ao texto verbal.
Muitas vezes, o narrador e protagonista Greg Heffley nos conta uma versão dos fatos em primeira pessoa, mas o desenho ao lado o desmente, revelando a ironia da situação. Essa alternância rápida entre blocos curtos de texto, compostos por pequenos parágrafos e o apoio visual, mantém o cérebro do leitor engajado sem o peso de páginas densas. É um sutil treinamento de interpretação e associação.

Alguns críticos não levam em consideração a importância da obra para o mundo literário, porque a julgam como inferior em relação aos demais livros que tratam de assuntos mais sérios e mesmo filosóficos. No entanto, vejo o ato de ler o trabalho de Kinney como algo valioso, observando principalmente o público infanto-juvenil, que é seu maior alvo, fazendo da saga um grande treinamento para a vida, que cada vez mais exige de nós desde cedo preparação intelectual, agilidade em leitura e interpretação, e um vasto repertório sobre diversos assuntos.
Uma leitura como essa funciona como um ótimo “entorpecente literário”, que diverte e imerge o leitor em uma narrativa leve e acolhedora, e que, além disso, oferece uma experiência que pode ser um start para as leituras mais pesadas que a vida pode (e vai) lhe oferecer. Tudo isso, porque uma sequência de livros com linguagem e desenhos simples nos mostrou que ler pode ser, acima de tudo, um prazer.

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