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Diário de um Banana: A porta de entrada para outras leituras

  • Foto do escritor: Revista Spia
    Revista Spia
  • 11 de mai.
  • 2 min de leitura

Por Everton Antonio Silva

Trabalho aprovado por: Paula Donato e Marcelo Martins


Diário de um Banana (2007). Fonte: Google.
Diário de um Banana (2007). Fonte: Google.

É comum ouvir por aí que algumas escolhas na juventude funcionam como “portas de entrada para outras drogas mais pesadas”. Na literatura, essa expressão cabe perfeitamente à obra do norte-americano Jeff Kinney. O livro, que conta a história do pré-adolescente Greg Heffley e seus desafios nessa nova fase da vida, foi lançado originalmente em 2007 e traduzido para o Brasil logo em seguida.

Para quem nasceu em tempos tão modernos e de tantos estímulos, Diário de um Banana é uma ótima opção para iniciar o hábito de leitura. Com sua estética e fluidez, suas obras abrem os olhos para a “leitura à moda antiga”. Admito que nunca fui um grande leitor, nem entusiasta dos clássicos. Mas, um dia, aquele livro que imitava um caderno escrito à mão, com desenhos de bonecos de palito e uma sequência de capas coloridas, chamou minha atenção e me fez escolher meu presente de aniversário de 9 anos: “Eu quero o livro do Diário de um Banana!” E se você me perguntar hoje, com quase 20 anos da série já com 21 livros, eu ainda quero.



Jeff Kinney, cartunista e autor do livro. Fonte: Amazon.
Jeff Kinney, cartunista e autor do livro. Fonte: Amazon.

Como profissional em formação da área de Comunicação, não posso deixar de observar que a obra carrega uma engenharia poderosa: seu hibridismo funcional. Kinney não usa ilustrações como meros enfeites: os cartuns de traços simples e expressivos agregam novos sentidos ao texto verbal.

Muitas vezes, o narrador e protagonista Greg Heffley nos conta uma versão dos fatos em primeira pessoa, mas o desenho ao lado o desmente, revelando a ironia da situação. Essa alternância rápida entre blocos curtos de texto, compostos por pequenos parágrafos e o apoio visual, mantém o cérebro do leitor engajado sem o peso de páginas densas. É um sutil treinamento de interpretação e associação.



Ilustração do personagem Greg Heffley, feita pelo autor Jeff Kinney. Fonte: WimpyKid.
Ilustração do personagem Greg Heffley, feita pelo autor Jeff Kinney. Fonte: WimpyKid.

Alguns críticos não levam em consideração a importância da obra para o mundo literário, porque a julgam como inferior em relação aos demais livros que tratam de assuntos mais sérios e mesmo filosóficos. No entanto, vejo o ato de ler o trabalho de Kinney como algo valioso, observando principalmente o público infanto-juvenil, que é seu maior alvo, fazendo da saga um grande treinamento para a vida, que cada vez mais exige de nós desde cedo preparação intelectual, agilidade em leitura e interpretação, e um vasto repertório sobre diversos assuntos.

Uma leitura como essa funciona como um ótimo “entorpecente literário”, que diverte e imerge o leitor em uma narrativa leve e acolhedora, e que, além disso, oferece uma experiência que pode ser um start para as leituras mais pesadas que a vida pode (e vai) lhe oferecer. Tudo isso, porque uma sequência de livros com linguagem e desenhos simples nos mostrou que ler pode ser, acima de tudo, um prazer.

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