Breve Encontro Intenso chega a Caruaru com programação especial na Clandestina

Evento reúne pesquisadores, escritoras e artistas de diferentes regiões do Brasil para dias de conversas, literatura, psicanálise, oficinas, lançamentos e cultura popular no interior de Pernambuco.

Inspirado na ideia de que “a casa ensina a ler”, de Maria Gabriela Llansol, o encontro encontra na Clandestina um espaço que já tem como propósito reunir literatura, psicanálise e outras artes. A programação propõe rodas de conversa, oficinas de escrita e momentos de troca entre pesquisadoras, escritoras e participantes de diferentes partes do país.
A casa também aparece como espaço de produção, especialmente a partir da reflexão sobre os trabalhos historicamente realizados por mulheres nesse ambiente. Ao longo do encontro, essa perspectiva se amplia para pensar a própria escrita como uma forma de criação e ocupação da casa.
Além das atividades de conversa e escrita, a programação conta ainda com o lançamento de dois livros e será encerrada com um forró, aproximando os participantes de uma das expressões culturais mais marcantes de Pernambuco. Assim, o Breve Encontro Intenso transforma a Clandestina em um espaço de convivência, criação e compartilhamento, fazendo da casa não apenas um lugar para receber o evento, mas também parte fundamental da experiência.
Em entrevista, as professoras Lucia Castello Branco e Ayanne Sobral falam sobre a proposta do 4º Breve Encontro Intenso, o significado de “arrumar a casa” e a escolha da Clandestina, em Caruaru, como espaço para receber o encontro.

Como surgiu a ideia do “Breve encontro intenso” e o que motivou a realização desse encontro em Caruaru, que chega agora à sua 4ª edição?
A ideia do “Breve Encontro Intenso” surgiu em 2011, em Belo Horizonte, a partir de uma verba recebida pela UFMG para a realização de um encontro da linha de pesquisa Literatura e Psicanálise. Como havia um grupo expressivo de pesquisadores estudando a obra de Maria Gabriela Llansol, decidiu-se unir os estudos de literatura e psicanálise à produção da autora, dando origem ao primeiro encontro, intitulado “A Cura da Literatura”.
A partir daí, o encontro passou a acontecer em outros lugares, sempre tendo como eixo a literatura e a psicanálise, ou a chamada psicanálise literária, com a obra de Maria Gabriela Llansol como centro. A realização em Caruaru surgiu de maneira natural após a terceira edição, realizada em Porto Alegre, quando a temática da “casa” ganhou destaque. Ayanne Sobral, que participava da coordenação dos grupos e havia fundado a Casa Clandestina, além de ter desenvolvido uma pesquisa sobre o tema, esteve diretamente ligada à escolha de Caruaru.
Assim, o quarto “Breve Encontro Intenso” foi realizado em Caruaru com o tema “A Casa que Ensina a Ler”, dando continuidade às discussões sobre a obra de Maria Gabriela Lençol e aprofundando a importância da casa em sua literatura.

Entusiastas da obra de Maria Gabriela Llansol sabem que sua escrita é marcada pela ruptura, pelo não linear e pelo não sequencial. Partindo disso, o que a expressão “É a casa que ensina a ler” significa para vocês e como ela se relaciona com a proposta do encontro?
A expressão “É a casa que ensina a ler” vem da própria obra de Maria Gabriela Llansol, do livro O começo de um livro é precioso. A casa, na escrita de Llansol, não é apenas um tema, mas quase uma estrutura do próprio texto. Ela aparece como um espaço que ensina a ler, que provoca o leitor e o convida a continuar.
No livro, há 365 começos de livros, e a ideia do começo é justamente chamar para uma continuidade. Nesse sentido, a casa também funciona como um espaço de encontro, de leitura e de criação.
A expressão também tem uma relação muito concreta com a nossa experiência. Nós tivemos a Casa Escrever, em Belo Horizonte, um espaço dedicado à literatura e à psicanálise, onde realizávamos cursos, seminários, palestras e oficinas. Essa casa acabou deixando herdeiros em outros espaços, entre eles a Casa Clandestina, que está diretamente ligada a este encontro em Caruaru.
Por isso, “A Casa que Ensina a Ler” representa tanto a casa presente na obra de Llansol quanto a ideia de um espaço de convivência, leitura e criação. É uma casa que não apenas abriga o encontro, mas que também produz novas formas de ler, pensar e se relacionar com a literatura e com a psicanálise.
Quando vocês falam em “arrumar a casa” para receber o encontro, essa ideia parece ir além da preparação física do espaço. O que significa, para vocês, preparar essa “casa” para receber outras pessoas e experiências?
Para nós, “arrumar a casa” significa muito mais do que preparar fisicamente o espaço. É, sobretudo, criar um ambiente em que as pessoas possam se sentir em casa, à vontade para chegar, compartilhar seus pensamentos, suas pesquisas e suas experiências.
Receber a quarta edição do Breve Encontro Intenso aqui na Clandestina é uma alegria muito grande, especialmente por ser a primeira vez que o encontro acontece em uma cidade que não é a capital do estado. Depois de passar por Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre, o encontro chega ao interior de Pernambuco, trazendo pessoas de diferentes lugares do Brasil para pensar, escrever e ler juntas.
É um encontro acadêmico, mas também poético, que atravessa a psicanálise, a literatura e a textualidade da escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol. Então, “arrumar a casa” é justamente preparar a Clandestina e a própria cidade de Caruaru para acolher essas pessoas, pensamentos e experiências. É abrir espaço para que tudo isso possa acontecer e deixar que novos encontros e novas ideias também nos atravessem.
Para nós, existe uma força muito especial em receber esse encontro aqui. É algo que ainda não sabemos nomear completamente, mas que já tem deixado marcas na Clandestina e que, certamente, continuará deixando ao longo do evento.
A programação do 4º Breve Encontro Intenso acontece nos dias 25 e 26 de setembro, na Clandestina, em Caruaru. Durante os dois dias, o público poderá acompanhar uma programação que reúne literatura, psicanálise, arte, rodas de conversa, oficinas, lançamentos de livros e momentos de troca entre pesquisadoras, escritoras, artistas e participantes de diferentes lugares do Brasil.
Com a proposta de transformar a casa em espaço de encontro, criação e pensamento, o evento encerra sua programação celebrando também a cultura popular, com um momento de forró.
Confira a programação:


Local: Rua Belmiro Pereira, N. 419 - Maurício de Nassau 25 e 26 de setembro, em Caruaru
Para conferir a programação completa, horários e outras informações, acompanhe o perfil da Clandestina no Instagram: @umacasaclandestina.

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