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- Kátia Mesel e o cinema pernambucano: "É o cinema mais heterogêneo do Brasil"
Cineasta já acumula 50 anos de carreira e mais de 300 filmes entre curtas e longas Katia Mesel - Foto: Rafael Bandeira Dona de uma criatividade incansável e de um espírito livre e contagiante, Kátia Mesel é um dos grandes nomes do audiovisual pernambucano. Com 50 anos de carreira, e mais de 300 filmes produzidos, foi a primeira realizadora do audiovisual pernambucano que se tem registro, além de ser a primeira mulher a ter participado de um festival de cinema no Brasil, em 1973. Entre curtas e longas, passando pelo Super-8 até o digital, ela coleciona pioneirismos. Formada em Arquitetura e Artes Gráficas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a diretora, produtora e roteirista, começou a utilizar a Super-8 ainda no começo da graduação e logo iniciou a carreira de cineasta, misturando sua formação de arquiteta e dando uma nova perspectiva ao cinema. Kátia falou com a Spia sobre sua história e vida real, seu grande interesse enquanto documentarista, sua produtividade em período de confinamento e o cinema pernambucano de hoje. Como está sendo esse período de pandemia? Engraçado, na realidade não mudou muito. Eu moro sozinha e minha produtora é aqui em casa. Eu sou uma pessoa que vivo muito só. Estou sempre fazendo alguma coisa, escrevendo, revendo, pesquisando, sempre criando, então se fosse apenas o isolamento seria normal. Eu não sou mais tão festeira, que eu era muito, fui deixando de sair de noite. Passei três meses em Aldeia na casa do meu filho mais velho e quando voltei, a primeira coisa que eu fiz foi um curta. Feito aqui em casa, chama-se “A Volta”, inclusive, está no meu canal do YouTube: Kátia Mesel. Estar sozinha pra mim não é problema. Mas vou dizer, sair de máscara pra mim é uma tortura. “Olha aí, você não gosta tanto de fotografar, o moderno agora é fotografar em movimento.” Quando foi que você começou a fazer cinema? O estalo foi meio do nada, porque eu estudava arquitetura, fotografava muito. Eu tinha uma câmera maravilhosa e vivia fotografando tudo. Em 1978 meu pai e minha mãe viajaram para Europa e me trouxeram uma câmera 8mm. Chegaram e me disseram: “Olha aí, você não gosta tanto de fotografar, o moderno agora é fotografar em movimento.” Caiu do céu, eu não tinha a mínima noção, não tinha curso de cinema, não conhecia ninguém que mexesse nela. E aí a câmera chegou na minha mão, primeira coisa que vai fazer é o que? Filmar ao redor! Então foram filmagens muito experimentais, só olhando o mundo. Depois eu adquiri um super 8, aí já ficou melhor. Porque essa de 8mm demorava três meses pra gente saber o que é que tinha filmado. Mandava revelar no Panamá. Não fazia cópia, o filme, a película dele era positivo. Então, não foi uma coisa que eu gostaria de fazer, caiu do céu pra mim e eu gostei, me identifiquei. Aos poucos fui me desestimulando de arquitetura e fui entrando pra cinema e fiquei. Confira as obras de Katia Mesel disponíveis na Cinemateca Pernambucana O super 8 foi a porta de entrada para muitas cineastas no cinema, como foi o momento pra você? O ciclo super 8 foi um ciclo mais teórico do que de fato um movimento. Não eram pessoas que, eventualmente, se encontravam e construíam coisas juntas, não vejo como um movimento. Você é formada em arquitetura, queria saber como o curso influenciou e influencia nos teus trabalhos? Eu fazia arquitetura e artes gráficas. Acho que os dois cursos foram fundamentais pra minha estética cinematográfica. Arquitetura como tridimensional, noção de espaço, perspectiva, de claro e escuro, iluminação. E artes gráficas, a composição, o contraste. Foram coisas que foram se complementando, tanto esteticamente, como tematicamente, porque meu primeiro 35mm foi sobre arquitetura tropical, baseado num livro de Gilberto Freyre chamado “Oh de Casa”, o filme também tem o mesmo nome. Esse experimentalismo que eu falo tem muito de ambiências, de lentes, de estranhezas, de movimento de câmera, tudo isso e que eu acho que tá tudo ligado a esse meu lado estético e espacial de arquitetura e artes gráficas. E a coisa da técnica eu fui me adaptando ao que era, ao que eu queria. Boa parte das tuas produções são documentários. Foi uma escolha natural? Mais de 90% são documentários, embora eu transite um pouco pra ficção. Foi tudo bem natural, até pelo meu início, que foi bem experimental. Eu comecei a usar a câmera ao meu redor. O que me encanta e que eu gosto mesmo no documentário é que eu acho que a verdade é muito mais surpreendente do que o que a gente consegue inventar. Tem cada coisa tão louca nessa vida, coisas impressionantes. Kátia é a fundadora da Arrecife produções - Foto: internet A ficção por mais que você se esmere, vai ser baseada em fatos reais, vai ser baseado em alguma experiência real, eu gosto muito do documentário por isso. E eu adoro filmar na luz do dia, filmar em luz natural e isso é mais difícil na ficção, não que não seja possível. Como o documentário não tinha isso de ensaiar, era a minha aproximação com a pessoa, o foco do tema, ir conversando e tornando aquele papo natural. Acho que é um dom que eu tenho, que é tornar uma conversa fluente e agradável, sem ser aquela coisa técnica. O que não tá errado, cada um faz do jeito que quiser, mas eu tenho essa facilidade de chegar. Você foi a primeira realizadora a participar de um festival de cinema no Brasil, em 1973, com seu filme “Rotor”. Como essa participação foi recebida se tratando de um contexto de ditadura militar? Era um festival promovido pela Universidade da Bahia, então era uma coisa bem oficial. Mesmo sendo na ditadura não tinha nenhum clima de guerrilha, nem de protesto. Era super 8, era uma coisa muito iniciante. Não cheguei a ir fisicamente, mandei meu filme, Rotor. Foi um trabalho de luzes, numa festa de rua com o povo, roda gigante, tudo muito iluminado. Eu fiz todo um experimentalismo com luzes, mexendo, subindo, de cima pra baixo, de baixo pra cima. Aí o pessoal da Embrafilme disse “Kátia, tem um festival na Bahia de filmes universitários, você não quer participar?”. Eu já tinha mostrado no teatro do parque também, e aí mandei. Trinta anos depois, quando foi editado o livro “ABD 30 Anos", eu soube que fui a primeira mulher a participar de um festival de cinema no país. Eu não sabia. Você foi casada com Lula Côrtes, como a obra dele influenciou seus trabalhos? Fomos casados, fomos ‘juntados’, por dez anos. Nós nos conhecemos no TPN, Teatro Popular do Nordeste. Eu estudava arquitetura ali pertinho e Lula ia lá, tinha o pessoal tocando. Ele tinha chegado a pouco tempo em Recife, tinha morado um tempo em Minas e era meio escanteado porque era aquela pessoa meio agoniada, falava muito, o tempo todo. A gente trombou e foi um magnetismo. Tinha, praticamente, um centro de artes na minha casa. Eu sou a mais velha de sete filhos e a gente tinha um quarto de estudos, laboratório de fotografia, gravador de som, ninguém tocava, mas escutamos de tudo. Todo mundo ia pra Europa, EUA, trazia os últimos lançamentos. Quando a gente se juntou, Lula Côrtes trouxe todo um repertório musical a mais, começamos um movimento musical. Eu fiz vários livros dele, vários Lp’s, exposições dos quadros dele, fiz filhos (risos). A formação dele era mais erudita, mais clássica, como sou pernambucana raiz fui introduzido ele à algumas coisas da nossa cultura. Por falar em Pernambuco, como você enxerga o Cinema Pernambucano hoje? Hoje, para mim, é o cinema mais criativo, incrível, questionador, heterogêneo que tem no Brasil. Nenhum cineasta faz parecer que é um movimento, não é um movimento cinematográfico pernambucano. Cada um faz o seu cinema, do seu jeito, usando, quase na maioria das vezes, técnicos pernambucanos, gente local, da nossa região. Hoje, para mim, é o cinema mais criativo, incrível, questionador, heterogêneo que tem no Brasil. Cena do curta “Recife de dentro para fora” - Foto: internet Cada um do seu jeito, com sua pegada. Uma pegada pela sensibilidade, outra pela ferocidade, outra pelo humor, outra pela desconstrução. Adoro essa multiplicidade, essa independência do cinema pernambucano para o resto do Brasil e a independência de cada cineasta nesse panorama audiovisual local. Boa parte dessas produções, se não todas, acontecem através de algum incentivo do Estado, como você enxerga esses incentivos? Eu acho que são importantíssimos, inclusive eu fiz parte da primeira comissão que criou o Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) estadual, que foi antes do FUNCULTURA. Agora, o que me preocupa demais é a dissociação dessas comissões julgadoras, que são pessoas de fora do nosso estado e que não levam em conta uma série de coisas, inclusive da credibilidade de execução. Disseram no projeto “em momento de pouca verba temos que ter certeza da execução”. Meu deus do céu! Eu tenho cinquenta anos no mercado, nunca deixei de fazer um projeto que submeti. Pessoas de Pernambuco jamais diriam isso. Isso me preocupa demais. Para mim é o grande defeito sermos julgados por outras cabeças, por outras estéticas. Gente que faz comediazinha carioca claro que vai ter outra mentalidade. Entrevista realizada por Hanna Aragão e Adelvando Queiroz para o Especial Mês da Mulher..
- Carnavalença
Como despedida do carnaval que não tivemos, nossa colaboradora Maria Clara Mendes produziu esse vídeo ensaio mostrando um dos maiores símbolos do carnaval pernambucano: Alceu Valença. As imagens desse vídeo foram retiradas de vídeos publicados no YouTube por Alceu Valença e pela Indie Records. Música: O homem da meia-noite (Alceu Valença e Carlos Fernando). Narração: Maria Clara Mendes Vídeo produzido para o Especial de Carnaval.
- Carnaval como paixão, sangue e pesquisa de Amilcar Bezerra
Professor e pesquisador pela Universidade Federal de Pernambuco, Amilcar Bezerra também é músico e compositor. Não por acaso, todas essas áreas tem um eixo em comum: o frevo. Amilcar em 1981 - Créditos: Acervo pessoal O frevo está presente na vida de Amilcar desde sempre. Essa relação de berço, foi construída através da relação de seus pais com o carnaval. A paixão pelo ritmo seguiu e hoje, faz parte da sua vida profissional. Através de algumas obras específicas, como o trabalho do compositor e cronista Carlos Fernando na série de discos Asas da América, o professor percebeu no frevo muito mais que um ritmo eletrizante. E esse foi um dos pontapés para inúmeros projetos seus sobre o carnaval e o frevo. Projetos esses que se misturam com a sua vida pessoal e profissional. Nesta entrevista, a Spia conversou com ele sobre carnaval, frevo e a obra de Carlos Fernando e também sobre o não tão recente trabalho como músico e intérprete. Qual sua relação com o carnaval? A minha relação com o carnaval vem desde muito cedo, porque meus pais são muito ligados ao carnaval. Quando eu nasci, meus pais já faziam parte do Bloco da Saudade. O bloco surgiu em 1974, e no carnaval de 1976 ou 1977, eles desfilaram pela primeira vez. Desde muito pequeno eu sempre me acostumei a ver meus pais se mobilizando para brincar de carnaval, se fantasiando e participando das prévias. No ano de 1980, minha mãe assumiu a presidência do Bloco da Saudade. A partir disso, a casa da gente passou a ser uma sede informal do bloco, então eu cresci numa espécie de barracão de uma escola de samba, sempre quando chega a época do carnaval a casa deles fica repleta de fantasias, com ensaios e reuniões do bloco. Minha mãe ainda é presidente do bloco, são 40 anos à frente do bloco já. Eu cresci ouvindo muito frevo, e diferente da maior parte das pessoas que gostam de carnaval e frevo, na minha casa se escutava frevo o ano inteiro. Nisso, eu acabei gostando. As vezes os filhos se rebelam contra os gostos e comportamentos dos pais, mas nesse aspecto eu acho que eu incorporei muito isso. Eu sempre gostei de frevo, sempre gostei de carnaval. Comecei a desfilar muito cedo, com 10 anos eu fui ao meu primeiro desfile. As primeiras músicas que eu aprendi a cantar foram músicas de carnaval, com dois anos de idade eu já cantarolava algumas músicas do repertório do bloco. Desde muito cedo o carnaval já estava no sangue. Foi daí que surgiu a vontade de escrever um livro contando a história do Bloco da Saudade? A ideia do livro surgiu em 2004, o Bloco da Saudade fez 30 anos em 2004. Nesse ano, o bloco lançou o terceiro CD, se eu não me engano. Eu estava concluindo o mestrado e essa ideia apareceu junto com Lucas Victor, que é um amigo de infância e também é muito ligado ao carnaval. Lucas tinha concluído o mestrado em história e eu estava concluindo um mestrado em comunicação, e tivemos essa ideia de apresentar um projeto no Funcultura para contar a história dos 30 anos do bloco da saudade. O projeto foi aprovado, tivemos quase um ano de pesquisa, fizemos uma série de entrevistas e o livro foi lançado no carnaval de 2005. Eu me lembro que a gente lançou o livro em um ensaio do Bloco da Saudade e só no dia do lançamento a gente vendeu mais de 200 livros. Esse livro está esgotado hoje, mas estamos pensando em fazer uma edição maior e mais arrojada dele. A gente fez uma pesquisa que resultou em um CD Rom, que vinha anexado ao livro, com muitas fotos, depoimentos e entrevistas. A gente tem pensado em lançar em um outro formato já que ninguém mais tem CD Rom. Créditos da imagem: Arquivo pessoal Foi uma experiência muito bacana, é uma espécie de livro reportagem, mas com uma contextualização histórica muito embasadas por conta das pesquisas de Lucas. Ele é um pesquisador do carnaval, a tese dele no doutorado foi sobre o carnaval do recife na primeira metade do século XX. O resultado ficou muito bacana, apesar de já ter 15 anos, eu sempre pego para reler e é uma coisa que eu me orgulho muito de ter feito. Essa foi sua primeira vez pesquisando sobre o carnaval? Não, eu já tinha feito alguns trabalhos na faculdade sobre blocos de carnaval. Em disciplinas de graduação mesmo, tinha uma disciplina de pesquisa que a gente fez algumas entrevistas, eu e meus colegas de faculdade, com alguns dirigentes de blocos de carnaval do Recife, visitamos vários blocos. Produzimos um documento falando sobre a situação dos blocos na época com essas entrevistas todas, isso no final dos anos 90. Infelizmente, esse trabalho se perdeu. Mas eu posso dizer que essa sim foi minha primeira experiência como pesquisador nessa área de agremiações de carnaval. Além do frevo em si, a obra de Carlos Fernando é uma das suas pesquisas, como foi que você chegou até ele e começou a pesquisar ele? Carlos Fernando, foi um compositor caruaruense que - apesar da principal obra dele ser a série de LPs Asas da América, que é uma série de LPs de frevo, cantado por grandes intérpretes da MPB (ele não era cantor, era só compositor) - tinha uma capacidade de articulação muito grande. Ele foi capaz de trazer para cantar no mesmo disco Chico Buarque, Caetano Veloso, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Alceu Valença, entre outros. Ele foi o primeiro produtor, que conseguiu reunir tantos medalhões da MPB em um mesmo LP. Para cantar músicas que eram dele, esses medalhões eram cada um de uma gravadora, então você tinha uma série de impedimentos legais. Ele foi capaz de passar por tudo isso e convencer as gravadoras e os artistas a cantarem as canções dele. Capa do primeiro disco do Asas Da América (1979) São, ao todo, 5 LPs da série Asas da América, que foram lançados entre 1979 e 1993. Essa, é exatamente a época de minha infância e pré-adolescência, então, muito embora, na casa dos meus pais o Asas da América não fossem muito escutado, porque meus pais gostam de um tipo de frevo mais tradicional e mais antigo, meus tios e primos que eram mais jovens escutavam muito o Asas da América. Discos por ano de lançamento 1980, 1981, 1983 e 1989 Eu me lembro de adorar as musicas, que era um arranjo mais moderno, era uma pegada mais pop. Eu me apaixonei pelo Asas da América ainda criança. Uma das coisas que me incomodava, quando eu me tornei adulto e passei a pesquisar o carnaval com mais seriedade e frequentar mais prévias, era que não se tocava não se tocava as músicas do Asas da América nas prévias carnavalescas de Recife e Olinda e nem no carnaval. Dificilmente você escutava qualquer coisa do Asas da América, e eu achava aquilo um absurdo porque tem músicas muito mais antigas que tocam repetidas vezes no carnaval e tinha coisas mais recentes do Asas e as pessoas não conheciam. Eu descobri que não era o único que pensava assim. Lucas, que escreveu o livro comigo, também era fã do Asas. Essa galera da minha geração que cresceu escutando discos dos anos 80 também curtia bastante. Para entender mais da obra de Carlos Fernando, leia o artigo escrito por Amilcar Bezerra: “O Frevo vivo de Carlos Fernando”. E foi aí que surgiu o “Quero ver Quem vai”? A gente começou a tocar músicas do Asas em farras que a gente fazia. De vez em quando a gente fazia uns saraus, se junta pra cantar e tocar. Tínhamos esse hábito de nos juntarmos em um bar para tocar violão e tomar cerveja. E quando era uma farra mais próxima do carnaval a gente tocava muita coisa do Asas. Para nossa surpresa, pessoas que estavam sentadas próximas conheciam as músicas, chegavam perto, iam cantar com a gente, perguntavam como é que a gente conhecia, dizia que escutava na infância, etc. Créditos da imagem: Arquivo pessoal Esse feedback positivo das pessoas e o repertório que a gente gostava de cantar, fez com que a gente criasse uma agremiação, sobre o Asas da América, que é o "Quero ver quem vai". Ele foi criado em 2015, não tocamos só Asas da América, mas agregamos ao repertório vários frevos de artistas da MPB que participaram do Asas da América, mas que também tinham outros trabalhos de frevo. Então, tocamos sempre Caetano, Gilberto Gil, tocamos muitos frevos de Moraes Moreira. É uma proposta que a gente sentia muita falta aqui, que era tocar esse frevo mais próximo da MPB, que era representado tanto pelo Asas da América quanto por algumas canções que esses artistas da MPB gravaram, eventualmente, frevo. Fomos atrás desse repertório de frevo desses artistas e incorporamos ao Quero ver quem vai. Nas terças-feiras de carnaval a gente faz essa farra no bar Royal, que é um bar do Recife Antigo. Ano passado a gente tinha quase 400 pessoas assistindo. Começamos a nos profissionalizar também, colocar amplificadores, mesa de som, ensaiar mais porque vimos que estava chegando muita gente e não queríamos passar vergonha. Hoje, a brincadeira virou uma coisa mais profissionalizada. Essa coisa do "Quero ver quem vai" surgiu em paralelo com a vontade de pesquisar Carlos Fernando. O bloco surgiu em 2015, para executarmos as músicas de Carlos Fernando e ao mesmo tempo eu fui me interessando também em pesquisar sobre a obra dele. Por que o “Asas” não ganhou o mundo? Eu tenho uma hipótese sobre isso. Pelo menos aqui em Pernambuco as músicas de Carlos Fernando não são muito tocadas por dois motivos: primeiro porque ele produziu os discos no Rio de Janeiro; são discos que foram produzidos por grandes gravadoras nacionais, enquanto o repertório clássico do Recife foi praticamente todo gravado aqui pela rozenblit. Isso é uma razão. O networking de Carlos Fernando era outro, não era muito ligado ao pessoal do carnaval tradicional daqui, e sim, ligado muito aquele showbusiness das gravadoras do Rio de Janeiro, o que gerou uma certa resistência das pessoas daqui à música que Carlos Fernando produzia. Em segundo lugar, porque era diferente mesmo. O frevo de Carlos Fernando tinha guitarra elétrica, tinha baixo elétrico, não tinha muitas vezes o naipe de metais que é tão característico do frevo em Pernambuco. Então, muitos músicos e jornalistas tradicionalistas aqui de Recife acusaram ele de tá desvirtuando o frevo, diziam que ele fazia frevo "abaianado”, que aquilo não era música de Pernambuco. Havia uma resistência muito grande por conta disso. Porque ele transitava em outro círculo e que não tinha nada a ver com esse pessoal tradicional daqui, e porque a música dele, a música que ele fazia também não era tradicional. Pode ver que as letras dos frevos são diferentes. Falam eventualmente das agremiações e de temas ligados ao carnaval, mas não só isso. Os frevos de Carlos Fernando falam sobre tudo. Isso era uma coisa que ele defendia: “A gente tem que parar com esse negócio de que frevo só toca no carnaval. A gente tem que fazer frevo de todos os assuntos para que o frevo toque o ano inteiro, pra que deixe de ser uma música sazonal.” E ao mesmo tempo ele pensava que incorporando essa linguagem mais pop ao frevo, trazendo guitarra, baixo elétrico, faria o frevo se "desprovincializar", facilitaria o frevo ser escutado por pessoas fora de Pernambuco. Isso que ele achava. Isso tudo gerou muita resistência aqui. Por isso, eu acho que acabou que a música carnavalesca dele não ficou tão conhecida aqui. A parte mais conhecida da obra de Carlos Fernando são as parcerias dele com Geraldo Azevedo. Parte da obra Asas da América está disponível no YouTube. Trazer tua relação com o frevo para o acadêmico, é de certa forma resgatar personagens que normalmente não tem sua importância valorizada? Eu acho que trazer pro acadêmico permite que a gente conheça melhor, permite que a gente reflita sobre o legado dele, sobre a obra dele, mas não é o suficiente para torná-lo conhecido. Para que ele se torne conhecido é preciso que esse legado dele seja divulgado. A academia vai lá e pesquisa, descreve, dimensiona a importância da obra, mas é preciso dar um passo adiante, é preciso que essa obra se torne conhecida. É preciso que a mídia apoie, que os jornalistas produzam matérias, reportagens. É preciso que as escolas encampem isso, falem sobre esses personagens que são importantes pra cidade, para que as pessoas desde cedo tenham a dimensão da importância deles. É muito triste o que acontece com o acervo de Álvaro Lins, por exemplo, em Caruaru. Um acervo valiosíssimo que se estivesse em uma situação bem cuidada, bem acomodado; se estivesse, por exemplo, aberto à visitação pública, ou de pesquisadores, ou de turistas, você teria um foco de turismo cultural, de turismo literário; pessoas que viriam a Caruaru só pra conhecer a coleção de Álvaro Lins. Carlos Fernando era um cara que fazia música popular moderníssima, a poesia dele é super arrojada, os arranjos, tudo. Ele é um artista pop. E você ter esse acervo, esse patrimônio e a cidade não valorizar isso é até meio burro, acho meio maluco. No caso de Carlos Fernando a mesma coisa. Se tem todo um repertório, todo um cancioneiro moderno falando sobre Caruaru. Isso também porque a população não se interessa. Se a população pressionasse e valorizasse, os políticos acabariam valorizando também por tabela. Acho que é um problema geral no Brasil como um todo. Desse lado acadêmico, a gente parte pro teu lado de músico. Em 2019, você interpretou a faixa Senhor da Cartola do disco Um Frevo Impossível de Fernando Duarte . Como foi essa experiência? Isso. Eu interpretei essa música de Fernando Duarte, com ele. Inclusive, essa foi a primeira vez dele como compositor. Ele, que é artista plástico, me falou que desde os anos 90 fazia e gravava músicas em fitas cassetes e deixava esse material guardado. Então, em 2019, ele resolveu transformar essas canções em um álbum. Era um material bem volumoso, então ele selecionou alguns e fez esse álbum com 15 faixas. E aí ele chamou vários intérpretes. Cada faixa é um diferente. A gente não conhecia pessoalmente. Ele sabia de mim porque ele frequentava o Bloco da Saudade e porque ele foi um fã de primeira viagem da banda Quero Ver Quem Vai. Já no primeiro ano da banda, ele já estava lá. Ele é um cara super simples, acessível e muito talentoso. Eu acho que as músicas dele são incríveis. Esse álbum pra mim é todo bom. A música que você gravou com ele lembra um pouco as canções de Carlos Fernando, existe alguma relação? Ele [Fernando Duarte] é muito fã de Carlos. Fã incondicional. Então isso influencia a música que ele faz. Como foi concretizar essa tua experiência com a música, ver uma interpretação tua em um disco? [A faixa Senhor da Cartola] foi a minha primeira gravação em estúdio. Eu já canto há um tempo. 20 anos na verdade, mas de gravação em estúdio, essa foi a primeira vez. Eu devia ter feito isso há muito tempo, mas eu ficava protelando esse meu lado artista, deixando em segundo plano. Eu achava que tinha coisas mais importantes para fazer. Mas chegou um momento da vida, e eu acho que a Eu Quero Ver Quem Vai tem uma participação nisso, de assumir um lugar. Não só eu, mas as pessoas que tocam também. A Eu Quero Ver Quem Vai é uma banda de 10 pessoas e todos são amigos. É o pessoal que fazia farra no bar. A partir de 2015 a gente deu uma guinada quando criou de fato a banda para tocar frevos elétricos. E passou a tratar isso de maneira mais profissional, com ensaios, reuniões, definição de repertório, pesquisas. E isso também despertou um lado meu que é compositor e que estava enterrado, latente. Eu já tinha composto algumas coisas lá atrás. No início dos anos 2000 já tinha gravado um disco com marchas de la ursa, com esses meus amigos. Mas fiquei um tempo sem me envolver com isso seriamente. Foi a partir de 2015 que passei a levar mais a sério e a entender que isso podia ser uma carreira minha, que é paralelo à carreira acadêmica, mas que é uma coisa que pode alimentar a outra. A minha carreira artística pode alimentar a minha carreira acadêmica e vice-versa. Você está planejando alguma coisa, algum futuro projeto? A gente lançou o clipe da música Fogo Branco, trabalho da Joana Francesa e está em fase de produção Dissonância, outro single da Joana Francesa, com produção de Pedro Costa, produtor de Fogo Branco. Além disso, o segundo volume de Frevos Impossíveis, está em fase de execução e Eu Quero Ver Quem Vai, interpretará uma faixa. Entrevista realizada por Hanna Aragão e Márcio Correia para o Especial de Carnaval.
- Camilo Cavalcante promove oficina Filme de Baixo Orçamento
Iniciativa é gratuita e acontecerá em março O cineasta pernambucano Camilo Cavalcante vai realizar a oficina Filme de Baixo Orçamento, que tem como objetivo debater sobre cinema de baixo custo e incentivar a produção de cinema independente. A oficina acontecerá entre os dias 10, 12, 15, 17 e 19 de março, das 19h às 21h, de forma remota. Através do projeto, o diretor de A História da Eternidade (2014), busca pensar como são produzidas as obras audiovisuais de baixo orçamento, por meio de análise de filmes e discussões sobre tópicos fundamentais dos processos técnicos, artísticos e operacionais que envolvem uma produção cinematográfica. O cineasta vai apresentar perspectivas para a construção de um cinema poético, da ideia à realização, a fim de estimular a criatividade, o senso crítico e aguçar o ponto de vista artístico dos participantes. A iniciativa é gratuita e estará com inscrições abertas até o dia 22 de fevereiro. Os interessados devem ter no mínimo 18 anos e podem se inscrever através do link. A lista dos participantes selecionados será divulgada no dia 01 de março. As vagas são limitadas. O projeto tem patrocínio da Lei Aldir Blanc, produção da Aurora Cinema (@auroracinemanovo) e apoio do Governo de Pernambuco. Para mais informações sobre a oficina Filme de Baixo Custo, basta acessar o Instagram da @auroracinemanovo, ou através do e-mail oficinacamilocavalcante@gmail.com. Serviço: Oficina Filme de Baixo Orçamento Data: 10, 12, 15, 17 e 19 de março. Hora: Das 19h às 21h. Local: Link do zoom Inscrições: clique aqui
- "Ao som dos clarins de momo"
Montamos uma playlist de Carnaval e já vamos avisando: a saudade vai bater forte. Se o mundo estivesse em seu curso normal, nessa semana os carnavalescos de plantão estariam se preparando para a melhor festa do ano. Dessa vez a folia vai ser em casa, mas para aqueles que quiserem matar a saudade a Spia tem uma solução: preparamos uma playlist especial cheia de sucessos que vão fazer qualquer um se sentir dentro do melhor carnaval do mundo. Sim! Não foi fácil fazer essa playlist. Cada música que a gente escutava a saudade batia bem forte. Dessas, uma é especial para cada pessoa da nossa equipe, e como recordar é viver, decidimos falar o porquê dessas escolhas. Amanda Mansur: É a data se aproximando e as lembranças fervendo no imaginário popular. Não tem como fugir, o carnaval começa, continua e termina nas pessoas. Axé ou frevo, é inegável que nessa época a gente não consegue ficar parado, por que independentemente do ritmo nossa memória está impregnada de carnaval. Essa música que escolhi é a cara de Olinda. É impossível para mim pensar em carnaval e não pensar nessa cidade. E também é impossível você passar os dias de folia lá e não ter: chuva, suor e cerveja. "A gente se embala, se embora, se embola Só para na porta da igreja A gente se olha, se beija, se molha De chuva suor e cerveja." Márcio Correia Enquanto eu preparava o texto de divulgação desta matéria com o resto da equipe, passou na minha rua um fusquinha branco, com o som bem alto, tocando frevo. Imediatamente pulei da cadeira e fui correndo olhar pela janela. Passou rápido, mas deixou um sentimento de alegria. Queria uma música que me trouxesse isso e recorri às minhas recordações de carnaval em Garanhuns. A primeira coisa que lembrei foi daqueles jatos de água, feitos de cano. Era certo, todo carnaval meu avô fazia um desses para cada neto. Lembrei também da Garanheta, o carnaval fora de época que tinha lá. E lembrei da Ivete cantando os clássicos da Banda Eva. Minha escolha foi Beleza Rara, esse axé gostoso. Um clássico, que inclusive, só funciona na voz dela. Hanna Aragão Meu primeiro carnaval nas ladeira de Olinda foi em 2020. Eu, Duda, Kaká e um agregado, subimos e descemos aquelas ladeiras os 4 dias de carnaval. Não me arrependo de nada,, mas se a gente soubesse que o mundo acabaria dias depois do fim do carnaval, teríamos aproveitado muito mais. Antes mesmo de viajar, fizemos um grupo no whatsapp para combinar tudo, o nome do grupo quem deu foi Duda: "Elefantes de Olinda". Nem eu, nem Kaká, sabíamos que isso era uma música, na verdade, um hino. E me lembro do dia em que estávamos no meio da folia e essa música tocou, Duda olhou pra gente e disse: "O hino Elefantes de Olinda". Hoje, não posso escutar essa música sem lembrar de nós 3, suadas, lindas, cheias de glitter na cara, e felizes sem saber que o mundo acabaria. Adelvando Queiroz Sem dúvidas, enquanto pernambucano, o frevo se faz presente no meu imaginário desde que me entendo por gente. Mas Escolhi esse axé por ele me transportar para uma memória em específico. A gente cresce vivenciando o carnaval como a festa mais democrática e plural do nosso país; todos os corpos preocupados apenas em se fazerem felizes. E essa música me leva até a minha infância, lá nos anos 90, e me sinto confortável ao lembrar de como em minha inocência e no apagamento das fronteiras das diferenças a gente se permitia ser feliz. Quem imaginaria que passaríamos um ano sem o furdunço nas ruas? É claro que não somos apenas o país do carnaval, mas se tem uma coisa unânime é que ele faz parte de nós. Playlist produzida para o Especial de Carnaval.
- Documentários de Fernando Spencer resgatam as origens do Maracatu e do Frevo
Fernando Spencer foi um grande colaborador para a história do cinema Pernambucano. Diretor, roteirista e produtor, é autor de aproximadamente 36 filmes de curta-metragem em diversos formatos. Dos seus filmes, os documentários são os mais recorrentes. Ao resgatar filmes que tenha o Carnaval como tema, além de Capiba ontem, hoje e sempre, Spencer também documentou duas importantes manifestações: o Maracatu e o Frevo. Print do filme Santa do Maracatu - Fonte: Cinemateca Pernambucana Em Santa do Maracatu, documentário lançado em 1980, o diretor resgata as origens do Maracatu, tendo como base D. Santa, famosa rainha do Maracatu Elefante. O filme de 10 minutos, além de trazer um texto narrado sobre as origens do maracatu, resgata imagens de Dona Santa se apresentando com toda sua graça real. Passeia por seu rico acervo, que hoje se encontra no Museu do Homem do Nordeste, e nos presenteia com imagens do Maracatu Leão Coroado, onde também foi rainha. Print do filme Trajetória do Frevo - Fonte: Cinemateca Pernambucana Já em Trajetória do Frevo, documentário lançado em 1988, Spencer resgata as origens políticas e sociais do frevo, a partir do século XIX. Com narração de Jomard Muniz de Britto, esse filme de 9 minutos, nos mostra como a resistência do povo pernambucano foi importante para o surgimento do frevo e como a capoeira deu forma aos passos e ao corpo do frevo. Os dois filmes estão disponíveis no site da Cinemateca Pernambucana e podem ser conferidos de forma gratuita. Indicação produzida para o Especial de Carnaval.
- Cineasta Leonardo Lacca promove oficina de preparação de elenco
Objetivo é preparar os participantes para seleções e obras audiovisuais. Entre os dias 27 de fevereiro e 27 de março será realizada a Oficina de Preparação de Elenco, de forma online e gratuita. A iniciativa foi desenvolvida pelo cineasta e preparador de elenco Leonardo Lacca e tem o objetivo de abordar técnicas de atuação, além de preparar os participantes para seleções e obras audiovisuais com a produção de self-tapes (auto filmagens utilizadas nos testes). O projeto vai oferecer apenas 10 vagas, a fim de promover uma vivência intimista, com muita troca e atenção individual aos participantes. Serão 5 encontros coletivos com 3 horas de duração cada, sempre aos sábados, das 14 às 17h. Ao final, serão realizados encontros de mentoria individual de 1 hora de duração com cada participante. Os interessados em participar devem se inscrever até o dia 16 de fevereiro através do formulário online e dar um depoimento sobre qual a motivação para participar da Oficina. O depoimento pode ser enviado através de vídeo criativo ou um texto. Destinada a atrizes e atores iniciantes, preferencialmente de Pernambuco, as vagas tem como prioridades pessoas pretas, pardas ou indígenas, mulheres, pessoas idosas, pessoas com deficiência e pessoas cuja identidade não seja cisgênera. Para mais informações, basta acessar o link do formulário ou o Instagram do projeto (@ope_online). A oficina tem o incentivo da Lei Aldir Blanc em Pernambuco. Sobre Leonardo Lacca: Preparador de elenco dos filmes Bacurau (2019) e Aquarius (2016), é também diretor e roteirista. Sua produção teve início em 2001, quando, a partir de uma experiência com VHS, finalizou seu primeiro filme. No ano de 2003, realizou profissionalmente seu primeiro curta. É membro e fundador da Trincheira Filmes, junto com Marcelo Lordello e Tião (Fonte: Cinemateca Pernambucana). Suas produções estão disponíveis no site da Cinemateca Pernambucana. Serviço: Oficina de Preparação de Elenco Data: 27 de fevereiro até 27 de março Hora: 14 às 17h Local: Zoom Inscrições: clique aqui
- “Desde que haja frevo” é carnaval
Print do filme Capiba ontem, hoje e sempre - Fonte: Cinemateca Pernambucana O mini documentário do eterno Fernando Spencer (1927-2014) começa com dois tapas na cara. O primeiro, além do tapa, é um gatilho: Capiba foliando. O segundo, é que o fragmento (sem data) que inicia o filme de Spencer, lançado em 1984, parece ser uma profecia do compositor. Em uma entrevista em meio ao povo (saudades), Capiba solta “o carnaval não tá morrendo, não, quem tá morrendo é o povo”. Claro que não passava pela cabeça do músico a existência de uma crise sanitária e nem a possibilidade de um ano sem o carnaval. O “ufa” disso tudo veio em uma fala anterior: “o [carnaval] que virá será melhor que esse”. Aparentemente Capiba sempre foi certeiro. Capiba - Fonte: Cinemateca Pernambucana Nascido na cidade de Surubim, no agreste pernambucano em 1904, Lourenço da Fonseca Barbosa ou Capiba, foi um homem de muitos talentos. Além de músico, pianista e compositor, também se aventurou na pintura e foi até jogador de futebol profissional. Mas é como um compositor de frevos que ele virou uma lenda. Suas canções embalam as comemorações carnavalescas e permanecem até hoje. Ele fornecia ao povo o que o povo queria. No filme, além do fragmento da entrevista, que inclusive é embalada pelo seu grande sucesso É de amargar, Fernando Spencer acompanha o músico pelas ruas de Recife e coloca suas músicas para mostrar, além da capital, as cidades de Igarassu e Olinda. Essa sobreposição das músicas e imagens mostram como Capiba cantou as ruas por onde andou. Spencer faz uma caminhada pelos lugares históricos das três cidades, mostrando o “Capiba de ontem” que canta e conta a história que ele viveu. O “de hoje” se faz presente na breve entrevista com Spencer que, sempre muito direto em suas perguntas, recebia respostas mais diretas ainda. E o “de sempre”, que mal sabia que a sua definição de carnaval, “desde que haja frevo”, faria completo sentido em 2021. Capiba faleceu em 1997 na cidade do Recife. O filme completo pode ser conferido de forma gratuita no site da Cinemateca Pernambucana: http://cinematecapernambucana.com.br/filme/?id=2344 Crítica feita por Márcio Correia para o Especial de Carnaval.
- Semana do Audiovisual Negro recebe inscrições para filmes até o dia 31 de Janeiro
Esse ano, além do cinema negro, o evento recebe inscrições de filmes dirigidos por indígenas. Parte da equipe: Anna Andrade, Rafael Nascimento e Natália Lopes - Foto: Divulgação A segunda semana do Audiovisual Negro, que acontecerá de 08 a 14 de março de 2021, em formato online, recebe até o dia 31 desse mês inscrições de curtas-metragens de diretores e diretoras negras e indígenas de todo Brasil. A proposta do evento deste ano é a aproximação entre o cinema negro e o cinema indígena, através da reflexão sobre ancestralidade e territorialidade das imagens. Os curtas precisam ter duração máxima de 30 minutos e terem sido realizados a partir de janeiro de 2019. Podem participar filmes de ficção, documentais, experimentais e animações, incluindo produções universitárias ou de contextos formativos. A Semana do Audiovisual Negro conta com exibição de filmes, exposição de vídeoarte, promoção de debates e oficinas de formação. Toda a programação tem acesso gratuito. As inscrições de curtas-metragens, que tem caráter competitivo, podem ser feitas gratuitamente através do link http://bit.ly/Inscrições_Filmes_SAN . Esse é o primeiro festival de cinema, de caráter competitivo, criado em Pernambuco com o recorte racial. O evento foi criado diante da constatação que o mercado audiovisual brasileiro ainda restringe a distribuição do Cinema Negro. A mostra tem o objetivo de fortalecer o antirracismo dentro do cinema nacional e no estado de Pernambuco. Além de contribuir para a difusão audiovisual, através do reconhecimento e valorização dos profissionais negros e negras e possibilitando ao público o acesso a filmes dirigidos por pessoas negras A segunda edição da Semana é realizada pelo Cineclube Alma no Olho em parceria com a Tarrafa Produtora e o incentivo do Edital da Lei Aldir Blanc, lançado pelo Governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe. O evento conta com apoio do Coletivo de Negritude de Pernambuco, Cineclube Bamako,Cineclube Fazendo Milagres, Coletivo Ficcionalizar e Cinema UFPE. Sobre as Oficinas: Serão realizadas três oficinas com inscrições gratuitas: Videoarte Ação, com Lia Letícia; Cinema de Animação Negra, com Kalor Pacheco; e Cinema Lésbico, com Mariana Souza. Os interessados poderão obter mais informações e se inscrever no período de 01 a 10 de fevereiro de 2021 no link http://bit.ly/Oficinas_SemanaAudiovisualNegro . Os selecionados para as oficinas serão divulgados no dia 20 de fevereiro. Os curtas-metragens serão avaliados por uma curadoria composta por integrantes da Semana e curadores convidados e convidadas. As obras selecionadas serão divulgadas até o dia 28 de fevereiro de 2021, através das redes sociais do evento (Instagram @audiovisual.negro e no Facebook semanadoaudiovisualnegro ) e por e-mail aos responsáveis pela inscrição. Os filmes selecionados ficarão disponíveis em plataforma online durante toda a programação da Semana. O júri concederá prêmios a três curtas-metragens no valor de R$ 1.000,00 (cada). O júri oficial será composto por 03 três pessoas convidadas, e terá acompanhamento de uma membra da equipe da Semana, enquanto presidenta do júri.
- Projeto MiradaPE inicia nova fase com lives para discutir a Cultura na América Latina
Iniciativa é idealizada pela produtora Amanda Nascimento, e vai acontecer no perfil do Instagram do @miradape. O Mirada PE, projeto idealizado pela produtora Amanda Nascimento vai realizar mais uma série de lives para discutir a cultura na América Latina. O @miradaPE é um espaço de integração do Estado de Pernambuco com a América Latina e tem como principal objetivo intercambiar as obras do setor audiovisual, oferecendo um espaço de exposição e reflexão em torno da produção pernambucana, servindo como uma grande vitrine e espaço de discussão entre o Estado e os países da América Latina. A nova fase do projeto trará 10 lives com artistas e produtores do continente geopolítico. O primeiro dia do Mirada PE vai receber cineasta baiano Orlando Senna, ex-diretor da Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV) de San Antonio de Los Baños, Cuba. Outros artistas também farão parte da programa na sequência, como a atriz paraguaia Ana Ivanova ("Las Herederas", de Marcelo Martinessi e "King Kong en Asunción", de Camilo Cavalcante), o cineasta pernambucano Camilo Cavalcante, a bailarina pernambucana ex-residente de Havana, Nanny Alves e o músico argentino (da Patagônia), Shaman Herrera. A iniciativa vai começar a partir do próximo sábado (23) e segue até dia 5 de fevereiro. As lives acontecerão de segunda a sexta-feira a partir das 16h, com exceção do sábado (23), no Instagram do @miradape. Esta nova fase do projeto foi contemplada pelos recursos emergenciais da Lei Aldir Blanc (Nº 14.017/2020), através do edital de “Criação, Fruição e Difusão”, com análise da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco (Secult-PE). Sobre Orlando Senna Diretor e roteirista dos filmes “Diamante Bruto”, “Brascuba”, “Iracema-Uma Transa Amazônica”, “Gitirana”, “Idade da Água”, “Longe do Paraíso”. Autor de roteiros para TV e cinema, entre eles “O Rei da Noite”, “Coronel Delmiro Gouveia”, “Ópera do Malandro”, “Oedipus Major”. Seus filmes foram premiados nos festivais de Cannes, Taormina, Pésaro, Havana, Brasília, Rio. Autor dos livros “Xana”, “Um Gosto de Eternidade”, “Os Lençóis e os Sonhos”, entre outros. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba, Secretário Nacional do Audiovisual, diretor geral da TV Brasil, diretor presidente da Televisão América Latina (TAL). Nasceu em Afrânio Peixoto, Bahia e tem 80 anos. Serviço Lives Mirada PE (@miradape) Data: 23 de janeiro Hora: 16h Local: Perfil do Instagram @miradape
- Vídeo Ensaio: A Música em A História da Eternidade
Descrição: Em A História da Eternidade (2014), primeiro longa ficcional do diretor Camilo Cavalcante, as músicas tocadas no acordeão pelo personagem Aderaldo (Leonardo França), além de acalmar a dor que Querência (Marcélia Cartaxo) sofria pelas suas perdas, acabam possibilitando uma relação amorosa entre os dois personagens. No filme, a música feita e tocada no acordeon pelo saudoso Dominguinhos, se torna personagem. Classificação indicativa: +14 / Por Luiza Moura Sobre Camilo Cavalcante: Nasceu no Recife, no dia 08 de outubro de 1974. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco. Realizou os vídeos Cálice; Hambre Hombre; Os Dois Velhinhos; Leviatã; Matarás; Alma Cega; Amorte e Ave Maria ou Mãe dos Oprimidos. Também dirigiu Ocaso, curta-metragem em 16mm. É roteirista e diretor dos curtas em 35mm: O Velho, O Mar e O Lago; A História da Eternidade; Rapsódia Para Um Homem Comum; O Presidente dos Estados Unidos; Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos e My Way. Produziu e dirigiu a série de TV Olhar, exibida pelo Canal Brasil. É idealizador e coordenador do projeto Cinema Volante Luar do Sertão, que exibe curtas-metragens gratuitamente em cidades do semiárido. Em 2014, seu primeiro longa-metragem de ficção, A História da Eternidade, estreou no Festival de Roterdã. (Cinemateca Pernambucana) A obra completa do diretor está disponível gratuitamente no site da Cinemateca Pernambucana: http://cinematecapernambucana.com.br/diretores/camilo-cavalcante/
- Vídeo Ensaio: Ponto de Vista
Descrição: O vídeo ensaio reúne cenas de diversos trabalhos do diretor Cláudio Assis, com fotografia de Walter Carvalho. As cenas selecionadas exploram o uso da câmera zenital ou plongée absoluto, fundamental na construção estética dos filmes do diretor. Esta técnica em Assis, confronta os valores éticos e morais do espectador, enquanto força-o a observar cada cena do ponto de vista de um juiz. Classificação indicativa: +18 / Por: Laís Queiroz Para conhecer um pouco mais de Cláudio Assis, recomendamos a serie Olhar disponível na Cinemateca Pernambucana: http://cinematecapernambucana.com.br/filme/?id=3226
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