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- Projeto Correspondências incentiva trocas artísticas entre fotógrafas em Pernambuco
Obras são apresentadas num e-book e vídeo com audiodescrição lançados em junho com apoio da Lei Aldir Blanc. O projeto Correspondências reuniu 19 fotógrafas que moram em cidades das 4 Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco para uma troca de fotografias e experiências que ocorreu de janeiro a junho de 2021. Os resultados desse encontro podem ser conferidos pelo público no e-book (Issuu) e no vídeo com audiodescrição acima. Idealizado pela jornalista, pesquisadora e fotógrafa Eugênia Bezerra, o Correspondências foi realizado com incentivo da Lei Aldir Blanc, por meio do Edital de Criação, Fruição e Difusão LAB PE, lançado pela Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco. Eugênia Bezerra - Voos A realização do projeto começou com uma pesquisa sobre fotógrafas que moram em cidades do Agreste, da Zona da Mata, da Região Metropolitana do Recife (RMR) e do Sertão. As mulheres que aceitaram o convite não apenas moram em cidades diferentes, como desenvolvem seus trabalhos com temáticas, estéticas e técnicas diversas. Elas também estão em fases distintas da carreira, atuando em áreas como o fotojornalismo, a fotografia social, a pesquisa e a impressão. Fazem parte do grupo desde mulheres que estão iniciando o caminho na fotografia, até as que possuem anos de experiência, com trabalhos publicados, expostos e premiados. O grupo é formado por Priscilla Buhr (Recife, @priscillabuhr), Tayná Nunes (São Paulo/Goiana, @cinephilegirl), Géssica Amorim (Sítio dos Nunes, @gescamorim), Piera (Recife, @pieralobo), Andrezza Tavares (Garanhuns, @andrezza.tavaress), Ythalla Maraysa (Caruaru, @ythalla.maraysa), Karla Fagundes (Recife, @arlak_fagundes), Aline Sales (Camaragibe, @liines1), Eugênia Bezerra (Recife, @m.eugeniaa), Ana Lira (Caruaru/Recife, @retratografia), Rúbia Batista (Tracunhaém, @rubiabatistaa), Lizandra Martins (Petrolina, @lizandramartins_), Gabriela Monteiro (Olinda/Nazaré da Mata, @gabism0), Thaís Lima (Olinda, @limathaislima), Ana Araújo (Tacaratu/Recife, @fotoanaaraujo), Paola Dasilva (Belém/Recife, @paolajpeg), Marina Soares (Gravatá/Olinda, @marinasoaresfotografia), Jady Raiane (Recife, @porjady) e Maria Duda (Recife, @amariaduda). Géssica Amorim - Mosquiteiro Levando essa diversidade de trajetórias em consideração, cada fotógrafa ficou livre para criar de acordo com seus interesses artísticos e com o que gostaria de oferecer para a participante seguinte. Entre as obras há retratos, autorretratos, imagens com intervenções, cianotipia (uma técnica artesanal de impressão), colagens, fotos apresentadas junto com textos, entre outras possibilidades. Com um sorteio, foi definido para qual participante cada fotógrafa deveria enviar sua obra. Essa é a mesma ordem na qual as imagens são apresentadas no livro e no vídeo. Eles foram elaborados com design de Renata Cadena, edição de vídeo por Maria Duda, audiodescrição elaborada pela Com Acessibilidade Comunicacional (Liliana Tavares, Silvia Albuquerque, Michelle Alheiros e Leo Alfinete) e revisão ortográfica de Rita Kramer. Links Ebook: https://issuu.com/eugenia.bezerra/docs/corresponde_ncias_-_livro YouTube: https://youtu.be/5AtqxSmlshc Wordpress: https://nointervalo.com/correspondencias/
- Destaque julho 2021: A Peleja do Bumba-meu-boi contra o Vampiro do Meio-dia
Filme rodado em Caruaru há 35 anos atrás e retrata a luta da cultura contra os poderes. Para o destaque de Julho escolhemos uma produção filmada em Caruaru há 35 anos. Um filme vídeo de 30 minutos sobre a relação de produção do nível da cultura popular, a partir das alegóricas figuras do bumba meu boi, encarnando o povo contra o poder econômico, na figura mitológica do vampiro. A Peleja do Bumba-meu-boi contra Vampiro do Meio-dia é uma produção de Lula Lourenço e Pedro Aarão, com participação de Tavares da Gaita, Manoel Galdino, Francisco Sales Arreda, Mestre Gercino. Olegário Fernandes e Antônio Medeiros. . . O cartaz e o folder foram feitos por uma estudante de Design da UFPE chamada Elvira de Paula no ano do lançamento do filme em 1986.
- Direção de Arte no Cinema de Animação Stop Motion em Pernambuco
Frames dos filmes: Conceição, Terra de Brincantes, Pé de Tambor e Águas Belas - Disponíveis no Youtube do Anima CineSesi Lantejoulas, sementes de pau-brasil, esculturas de umburana e bonecas feitas com fibra de caroá compõem as imagens dos curtas animados em stop motion pela mata norte, agreste e sertão pernambucano, analisados na pesquisa, intitulada, "Direção de Arte no Cinema de Animação Stop Motion em Pernambuco: Uma Análise da Relação entre Identidade Cultural Local e a Plástica de Filmes Realizados em Oficinas do Projeto Cine Sesi Cultural", realizada por Renata Claus com recursos da lei Aldir Blanc em Pernambuco. A pesquisa teve como objetivo analisar a relação entre os elementos culturais das diferentes regiões do estado de Pernambuco e suas características plásticas na produção de filmes de animação em Stop Motion. O artigo científico você confere com exclusividade aqui na Revista Spia. Os filmes analisados na pesquisa, realizados em oficinas de animação, através do Projeto Cine Sesi Cultura, exploram a sócio diversidade étnico-cultural de povos e comunidades tradicionais, como o quilombo de Conceição das Crioulas, a aldeia indígena Fulni-ô, e as ricas manifestações culturais da região, como o folguedo do Cavalo-Marinho Estrela Brilhante, e estão disponíveis na plataforma virtual de vídeos do Youtube Anima CineSesi. O texto da pesquisa você confere na íntegra no link abaixo. Boa leitura!
- Mãe, errado é não amar
“Olhando para trás, eu me vejo um monstro ou um homem. Não sei que figura me assusta mais, mas eu preciso acreditar que eu não sou uma delas.” Rebu é um mini-doc sobre semelhanças, descobertas, família, medo, transformações e avanços. Roteirizado e dirigido por Mayara Santana, o mini-doc desenrola a vida dessa mulher negra, pernambucana e sapatão em seus momentos mais importantes para construção da sua narrativa pessoal. Dividido em seis episódios + um extra, cada parte é importante para o produto final, não só da obra cinematográfica, mas para quem ela é para si própria. Nele, são abordados temas como afetividade, irresponsabilidade amorosa, nervosismo e processos de um jeito descontraído e divertido, sabendo exatamente onde posicionar cada temática com cada modo de contar essa história que pode parecer até caótica, mas que possui uma afinidade na jornada daquelas que se arriscam nesse universo chamado de vida. No episódio 1, somos apresentados a uma menina filha única com seis irmãos. Filha de um homem com características fortes que seriam mais expostas um pouco na frente. Essa criança que era vista por alguns como uma criança estranha, de “gênio forte”, que andava brincando com os meninos e imaginava momentos românticos carregados de ingenuidade com sua amiga. Ali, seria o início de tudo que seria mais desenrolado com o decorrer dos anos. Esse gênio forte não veio do nada. “É o DNA”, afirma Pedro Bala, pai dela, que é o assunto dos episódios 2 e 3 em que Mayara assegura a importância dessa figura na sua vida, seja nas influências culturais e principalmente no jeito de ser. A princípio, conhecemos uma pessoa tranquila e simpática, mas é por meio da humildade de retratar os defeitos que também sabemos o lado humano dele e também de Mayara. “O filme é sobre o senhor, mas é sobre mim também.” Quando é preciso lidar diretamente com a vida sapatão em um ambiente contra seu famoso “estilo de vida” (como tantos outsiders insistem em nos retratar) é sempre um momento de medo do proibido. No episódio 4, esse passo ansioso é narrado em cima da história de Mayara e sua primeira namorada. O relacionamento secreto, censurado e pioneiro foi repleto de passos incertos e no vão entre a descoberta e a repressão. Bença, como sua primeira ex-namorada era chamada, retrata uma personagem muito importante e ainda existente na vida daquelas mulheres que sofrem diante do desejo de liberdade. Além dela, temos também outra personagem determinante: aquela que tem essa liberdade, mas ama alguém preso. Mas nem sempre a liberdade é a solução de todos os problemas. No episódio 5 e 6, conhecemos mais duas namoradas de Mayara e como o processo, os avanços, os erros e os acertos resultaram na mulher que ela é hoje. A cada tentativa de viver um amor de novela, a cada erro cometido e a cada acerto rejulgado, eram mais e mais passos na jornada que é ser uma mulher sapatão no século XXI. Por fim, no episódio extra, Mayara fala diretamente sobre si pela primeira vez em seis partes. Com uma finalização profunda, delicada e totalmente coerente do começo ao fim (e como não seria? A resistência sapatão é sempre coerente), Rebu transforma quem assiste por meio da sua leveza e intimidade de contar uma vida de luta e de garra. Todos os episódios de “Rebu” estão disponíveis no Instagram @rebu.doc. Texto escrito por Samara Torres.
- São João 2021
O São João é uma festa de mãos, chuvas e memórias. Em mais um São João na pandemia, a nossa colaboradora Maria Clara Mendes registrou o que continua existindo de significativo no dia de festa em Catende, Mata Sul de Pernambuco.
- Causos e contos: O São João na memória
Conheça pessoas e histórias que aconteceram no São João de Caruaru. A festa junina é uma tradição muito comum em todo o país, principalmente no nordeste. Cada estado abraça o mês de junho e realiza festas de São João de acordo com suas tradições. Mas é em Pernambuco, em uma cidade do Agreste do Estado, que a festa realmente toma proporções gigantescas. É em Caruaru, que acontece o maior e melhor São João do Mundo. O São João é um pedaço de Caruaru, a festa não é só uma das mais populares como a marca registrada da cidade que carrega o legado de ser a Capital do Forró. Uma tradição que começou com pequenas palhoças de rua, se tornou gigante, ganhou o Pátio do Forró e vários outros pólos de festa na cidade inteira. Quando Jorge de Altinho canta: “É a capital do forró, é a capital do forró, é por isso que Caruaru é a capital do forró”, ele não estava brincando. Essa festa faz parte da cultura caruaruense e já foi palco de muitas aventuras, amores e surpresas. Pensando nisso, a Revista Spia resolveu ir atrás de algumas histórias vividas durante o São João de Caruaru. Esse será nosso jeito de manter a fogueira de São João acesa em nossos corações, até o dia em que poderemos celebrar e forrozar novamente. Considerações importantes, caso você não seja de Caruaru, alguns termos e lugares apareceram nas histórias e pode ficar difícil o entendimento, por isso, sugerimos que leia as notas no final de cada história. Além disso, a Spia optou por deixar a história no formato original que nos foi mandado, algumas coisas são boas demais para serem editadas. Confira: Luis - A missão de ir ao banheiro É uma história muito básica. Basicamente, eu tenho uma missão, que é a missão de ir ao banheiro. O pátio está muito cheio, era show de Marília Mendonça. Daí, que que eu faço? Eu me segurei em Ronaldo, que estava indo ao banheiro comigo, e começo a fingir que estava passando, comecei meu teatro. Ronaldo é uma pessoa muito doida, aí ele começou a abrir espaço dizendo: “SAI DA FRENTE, TÁ PASSANDO MAL”. Na foto: Luis, Hellen e Sara no dia do teatro até o banheiro E eu dizendo, “eu tô passando mal”, a gente continuou indo e eu revirando os olhos, me concentrando muito nessa tarefa de passar mal e Ronaldo me arrastando. Quando a gente chega ao banheiro, eu volto a ser uma pessoa plena. Ele olhou pra mim e perguntou, o que foi isso? Daí eu digo, tava fingindo. Ele fica puto comigo, mas enfim. Na semana seguinte, eu encontro a minha tia. E ele me pergunta se eu estava passando mal no pátio, o que tinha acontecido. Ai ela me conta que estava desesperada no pátio, porque ela me avistou de longe, passando mal, tentou me encontrar, não me achou, chamou os bombeiros, não sabia onde eu estava, ninguém entendendo o que estava acontecendo. Ela ficou até o final do show de Marília, do lado de fora na saída esperando pra ver se eu saía, e eu como se nada só fingindo que estava mal. *Pátio do Forró: Palco principal do São João de Caruaru. Batizado de Pátio de eventos Luiz Gonzaga, o local é o maior símbolo do São João da cidade. Gabriel - uma quadrilha no meio do Pátio Eu estava num grupo de umas 15 pessoas no Pátio do Forró em 2019. Era o show de Raí Saia Rodada. Depois de muita bebida, a gente inventou de montar uma quadrilha no meio da festa. E como era muita gente (mais gente foi se juntando), todo mundo ficou olhando sem entender nada. Mas foi com direito a túnel, “olha a cobra” e serrote. Não me pergunte como a gente conseguiu naquele aperto, mas me senti de volta à escola naquele momento Ade - Show da banda Kitara Apesar de não ser de Caruaru, durante toda a minha infância eu passei as festas de fim de ano aqui, com voinha*. Por isso o São João aqui foi por muito tempo um mistério pra mim, porque por mais que eu frequentasse a cidade em outra época, a energia junina exala das ruas e pessoas e suas histórias. Eu sabia que eu estava na cidade do maior São João do mundo, mas pra mim, ainda eram só histórias. Foi em 2014, quando vim de fato morar com voinha, que passei a viver Caruaru e a sentir a energia junina de verdade. Agora eram minhas histórias. E de tantas vividas, desde romances no Alto do Moura, a lágrimas assistindo as quadrilhas, escolhi uma lembrança mais recente: a do nosso último São João antes da catástrofe, em 2019. Era uma quinta-feira, dia 20 de junho, mais um dia normal de São João se arrumando na casa de um amigo, fazendo o famoso esquenta antes de ir pra festa. Como a casa desse amigo é mais próxima do palco Azulão*, fomos direto pra ele. Hoje eu não lembro a sequência de shows, mas eis que a banda Kitara entra no palco. Tomado por muitas emoções (álcool, um romance mal resolvido, amigos e São João), acabei subindo no palco. Também não me pergunte como, mas foi pela frente. Daí em diante foi uma overdose de adrenalina. Embaixo, os amigos filmavam e gritavam. Em cima, eu aproveitava. Apesar de muitas coisas ainda terem acontecido nesse mesmo dia, subir em cima do palco em pleno maior São João do mundo vai continuar sendo uma lembrança que nunca vou me esquecer. *Polo Azulão: É o palco alternativo do São João de Caruaru, geralmente recebe atrações diversificadas. Carina - São João no sangue e no coração Eu sou da região Sudoeste da Bahia e na minha cidade são tradicionais as festividades dos santos juninos, Santo Antônio, São João e São Pedro, cada um por uma comunidade específica. Tenho muito forte em mim as memórias do São João que era organizado por meus pais na minha casa, quando criança. Em especial, do ano que decidiram ser o último. Na foto: Carina toda arrumada para a festa de São João A tradição era tão forte que, mesmo que eu fosse bem novinha, 8 anos, minha mãe conversou comigo meses antes avisando que seria nosso último ano comemorando daquela forma, porque íamos nos mudar. Por isso, ela disse que eu poderia escolher os detalhes do que ia acontecer. Decidi o nome que queria, as comidas que não poderiam faltar. Não era nada grandioso, mas era o momento do ano mais aguardado por mim, desde acompanhar a montagem da fogueira, na véspera, a usar as cinzas da fogueira, na manhã seguinte, para assar milho, batata doce. Todo ano, nessa época, é impossível não lembrar das pessoas que costumávamos confraternizar e a dedicação de todos em construir aquele momento. Vitória - O amor nasce no São João Vitória e Aldenio se conheceram na escola, mas nunca se falaram. Um dia, no final do terceiro ano do ensino médio, Aldênio conseguiu o número dela e eles começaram a conversar pelo WhatsApp, a gente começou a conversar. Quando a escola acabou, Vitória viajou e passou três meses fora do país e Aldênio ficou em Caruaru, apesar da distância, os dois continuaram conversando. Ela voltou em março de 2014 pra casa, e eles continuaram apenas conversando. Em junho, o São João começou e ela perguntou se ele não queria ir para o pátio com ela. Ele já estaria lá com alguns amigos e marcaram de se encontrar. Eles se encontraram com seus respectivos grupos de amigo, na frente da estátua*, entraram no pátio e ficaram bebendo, dançando e cantando. Quando começou o show de Dorgival Dantas, Camila, prima de Vitória, incentivou que ela ficasse com Aldênio, mas Vitória teve medo de achar que não seria correspondida. No entanto, o seguinte diálogo aconteceu. Camila: Tu quer beijar ela [Vitória]? Aldênio: Só se for agora! E o beijo aconteceu! No restante do mês, os dois não se desgrudaram mais e continuaram juntos. Até que Vitória perguntou o que era que ele queria com ela, se era alguma coisa séria ou não e ele disse que sim. Depois de três longos meses, sem estar definitivamente namorando, no dia 15 de agosto, Aldênio pede Vitória em namoro e na mesma semana conheceu os pais dela. Esse amor nasceu numa festa de São João e já dura 6 anos. David - Luan Santana e o jogo da copa Eu sou jornalista e trabalhei no São João de Caruaru durante 17 anos, antes de começar os shows tinha uma coletiva de imprensa com os artistas para saber as expectativas para a noite, etc. Em 2014, Caruaru receberia Luan Santana, um dos shows mais esperados da noite. Na foto: David e Luan Santana antes do show em 2014 Então, estava esperando ele para coletiva de imprensa e era ano de copa, estava acontecendo um jogo e tinha algumas pessoas assistindo o jogo na sala de imprensa. Todos estavam assistindo o jogo quando Luan chegou e perguntou se podia sentar para assistir o jogo com a gente. Ele sentou em uma cadeira ao lado da minha. Na hora eu não percebi que era ele, e só falei “pode sim, senta aí”. Depois de alguns minutos eu percebi que era ele do meu lado. Infelizmente ele não continuou assistindo com a gente porque colocaram a TV no camarim dele. Artur - São João, um quase artista de rock e um bêbado O ano era 2013, se não estou confundindo. Tinha quase 15 anos e era a primeira vez que eu ia ao São João aqui em Caruaru e, junto a Lucas e Bruno, decidimos ir ver os shows do Palco Alternativo, hoje Polo Azulão. Na época, o palco era montado dentro do galpão da estação*, mas a empolgação de estar ali pela primeira vez fez com que a gente desconsiderasse o calor. Então que vem a memória que decidi contar: Jonathan Richard. Em algum momento do show, ele decidiu descer do palco para tocar no chão, junto ao público, até que se empolgou no momento do solo e começou a tocar deitado no chão. A performance por si só já seria memorável – ainda mais alguém vendo aquilo na primeira vez no São João – se não fosse um homem (bastante bêbado) que decidiu cruzar o galpão bem nesse momento. Ao ver Jonathan deitado no chão solando, não teve dúvidas, deitou junto e começou a “tocar” sua mochila como se fosse uma guitarra também. *Galpão da Estação: A estação é a antiga estação ferroviária de Caruaru. Antes de existir um palco para o polo alternativo, os shows aconteciam na estação.
- Em comemoração ao dia do Cinema Nacional: uma entrevista de arquivo inédito com Fernanda Montenegro
Entrevista realizada por Amanda Nascimento em abril de 2004. Foto: Divulgação Em comemoração ao dia do Cinema Brasileiro, trazemos aqui uma entrevista de arquivo inédita, realizada por Amanda Nascimento em abril de 2004 com Fernanda Montenegro. “Um hotel, na beira mar da Região Metropolitana do Recife, durante um festival de cinema local, quando veio para o lançamento de “O Outro Lado da Rua”, primeiro longa de Marcos Bernstein, roteirista de “Central do Brasil”, junto a João Emanuel Carneiro. Um SET montado na areia da praia. Enquanto concedia entrevista, era clicada para um ensaio. Em cada resposta, uma aula de cinema, televisão, teatro, humanismo e cidadania”. AMANDA NASCIMENTO: O que fez você querer fazer esse filme? O que mais te agradou no roteiro? FERNANDA MONTENEGRO: Eu achei que era um roteiro com começo, meio e fim. Um roteiro impressionista. Tinha crônica, mas que por baixo dessa crônica tinha um movimento de humanidade jamais totalmente expressada, intuída. Não era narrado o emocional dos personagens, não vinha aquela crônica seca, sabe? Assim: um fato e outro fato e outro fato. Senti que tinha um movimento de ondas. O filme de impressões com dois personagens que se encontram com total impossibilidade de convívio, mas com uma atração irresistível nas suas solidões. É difícil botar em palavras as coisas que estão intuídas. De impressões, de impressões… Eu acho que isso é raro como proposta de personagem até no cinema contemporâneo. É tudo muito explicitado hoje em dia. O filme é um risco que corre o produtor, o diretor, o roteirista e elenco numa hora de um cinema tão cronístico ou, às vezes, tão mágico nessas coisas que vem do primeiro mundo como “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter”, do mundo do imaginário. Ou é aquele cinema americano cronístico que se exige tudo com consequência clara. Então, acho que é um filme muito corajoso. História de dois velhos, velhos não decrépitos. Dois velhos inteiros com seus hormônios ainda funcionando, não com tanta pujança, mas existindo ainda. É um filme desafiador. AMANDA NASCIMENTO: Marcos Bernstein escreveu o roteiro de Central do Brasil. Naquela época, vocês quase não se conheciam. O fato de ter sido ele, agora como diretor estreante, ajudou você a aceitar o personagem Regina? FERNANDA MONTENEGRO: Não. Não foi o roteiro em si. Não tenho receio algum com diretor estreante. Eu acho que quando um diretor estreante chega a um longa, é uma luta tão grande, é um querer tão grande, que alguma coisa sai dali ou tudo sai dali. Tenho uma longa experiência porque tenho feito muitos filmes de primeira direção. E, também ali, ele representa a linguagem dele, completamente resolvida ou não, mas ali é que está a sua estética. Aquilo que ele vai perseguir pela vida dele se tiver chance de fazer o segundo, o terceiro ou o quarto filme. Até porque, no Brasil, você leva cinco, seis ou sete anos para fazer um filme. AMANDA NASCIMENTO: O “Outro Lado da Rua” é a história de duas pessoas mais velhas e tem um romance. O que me impressionou foi Regina. Ela é uma pessoa que tem muita vaidade, apesar da solidão em que vive. Como foi interpretá-la? FERNANDA MONTENEGRO: Eu acho que ela é daquele tipo de mulher que dentro de casa não aguenta. Eu fiz uma história para ela, pressuponho que ela foi até uma alta funcionária do Ministério da Justiça, aposentada há anos. Então, ela sofre a decadência do bairro, era por excelência o bairro da grande diversão da política e do dinheiro no período em que o Rio era capital. Ela foi alguém nos seus verdes anos… Aquele apartamento já foi um grande apartamento que agora está lá jogado às traças. Tem uma dualidade de quando for para rua, ninguém vai me pegar distraída, ninguém vai me pegar na pior. E, também diversificar essa figura, né? Ela é uma pessoa dentro da casa. Ela se dá o direito da sua depressão e se dá o direito da vida sem saída, mas botou a cara na rua como os velhos de Copacabana: batom, cabelinho cortado com franjinha, a cachorrinha, a roupa comprada à prestação nua boutique onde tem uma moda que passa a ser até um uniforme, uma cor de cabelo que eu chamo de louro menopausa. Tem um código nelas todas! Eu tenho certeza que, quando a gente entrou para gravar naquele apartamento, eu senti “ali tem um mofo, tem algo que ficou no passado”. Mas na rua não. Na rua não. O sol bate, tem a praia, tem a ginástica, tem as paqueras que não se importam muito com a barriga, com as varizes, com as rugas. Eu acho que ela é assim: tem algo que ficou do seu grande tempo que ela tinha algum poder dentro da sua secção do Ministério da Justiça. Por que eu invento que é Ministério da Justiça? Porque ela fala com o delegado de igual pra igual. Ela sabe que o juiz mata, que o juiz se vende, que a justiça do Brasil é um horror do mundo. Que aquele juiz pode matar mesmo, compreende? Vai ter que poder para segurar o corpo. Mas tem uma alquimia da vida que bota aquele homem diante dela, tão burguês, tão arrumado, tão ofendido na sua postura, na sua casa tudo no lugar, tudo bonito, tudo anos sessenta, bom talher, vela acesa. Isso tudo é o encontro da direção com os seus atores. O Marcos foi muito cuidadoso. AMANDA NASCIMENTO: Você acha que o filme quebra tabus em relação aos personagens mais velhos terem tanta vitalidade e fazerem sexo como adolescentes? FERNANDA MONTENEGRO: O filme tem coragem. Botou duas pessoas de quase 70 anos numa cama. Eu acho a cena do primeiro beijo muito bem realizada. É incrível. As pessoas se amam fisicamente de todas as idades. Há muitas formas de se amar fisicamente em qualquer idade. Mas também isso não é feito… Como posso dizer? Não é feito com feiura, na brutalidade, no grotesco, na violência. Por tudo isso, eu acho que é para o filme ser considerado. AMANDA NASCIMENTO: O que foi voltar a Berlim depois de já ser consagrada e ter uma boa recepção? FERNANDA MONTENEGRO: Nós vivemos uma recepção em Berlim a qual a gente hoje não compreende o porquê do filme não ter entrado na competição oficial, quais foram os mecanismos… Eu acho que eles mesmo ficaram surpresos. As testemunhas das pessoas que acompanham os festivais, os alemães não brincam em serviço. O festival de cinema em Berlim é um festival em Berlim. Sinceramente, acho que nenhum filme teve uma recepção como o nosso filme teve, apesar de estar na mostra paralela. Foram duas sessões: a primeira foi um sucesso! A gente pensava que tinha acabado naquela noite. A segunda foi tão grande quanto a primeira. Eu acho que ainda se lembravam um pouquinho de mim lá. A pátria do cinema brasileiro é Berlim. AMANDA NASCIMENTO: E, começar bem em Berlim dá um sentimento bom, já que “Central do Brasil” teve tanto sucesso? FERNANDA MONTENEGRO: É um festival temático, sabe? Mas não temático pelo exótico. Um festival cabeça. Tipo cabeça, sabe? É aquela presença de entendimento de cultura com K, a respeito do fato que se está observando. Não tem folclore, não tem frescura. Acho que fazem bons negócios. Não sei porque isso não é meu setor. As plateias são compactas, sem frescuras. Tão ali pra ver cinema. AMANDA NASCIMENTO: Voltando ao seu personagem, você deu passeios por Copacabana ou foi só com as referências de roteiro? FERNANDA MONTENEGRO: Sou carioca deslavada. Quer dizer: sou produto daquela cidade. Conheço Copacabana a vida inteira. Morei em Copacabana. Comecei a minha vida profissional lá. Acho que a praia é, por excelência, do Brasil. Não é que seja a mais bonita ou a mais feia. Você pode não saber onde é o Brasil, não saber se a capital é Buenos Aires ou Rio de Janeiro, ou Brasília, ou Recife, ou São Paulo, mas sabe que existe no Brasil uma praia chamada Copacabana. Eu acho que é uma praia emblemática deste país. Se encontra ali do sublime ao mais divertido dos mundos. AMANDA NASCIMENTO: E o seu personagem em “Olga”, filme de Jayme Monjardim? FERNANDA MONTENEGRO: Fazer Leocádia, mãe do Prestes, foi um prêmio. Ele será um filme de outra visão. É uma intuição certa que o Monjardim tem a respeito dessa história, uma história de amor, compreende? Botando em primeiríssimo plano a humanidade desses personagens. A política vai entrar porque ele não poderia deixar de lado, mas não é um filme sobre a ideologia nem sobre engajamentos políticos. É um filme das criaturas que se envolvem nesse período da História do Brasil e que é tocante. AMANDA NASCIMENTO: Já que você está em Pernambuco, queria saber como foi a sua participação em “O Auto da Compadecida”? FERNANDA MONTENEGRO: Eu considero um orgulho ter entrado naquele filme. Um filme que o Guel realizou de uma forma extraordinária. Só a gente sabe como é difícil fazer farsa à altura do texto do Suassuna e só ganhar. Não se afasta um milímetro do espírito desse autor extraordinário que é Ariano. É uma protagonista, a Compadecida é a própria. AMANDA NASCIMENTO: Como é estar com mais um filme em Pernambuco? FERNANDA MONTENEGRO: Ai, meu Deus. Eu adoro. Aqui o público participa em massa e já estão educados para festivais. Eu lembro quando vim com o “Central do Brasil”, estava tudo recomeçando. A vontade dos pernambucanos é surpreendente. Posso afirmar que, hoje, é o melhor cinema do Brasil. Espero voltar sempre. Entrevista realizada por Amanda Nascimento.
- Recife é cenário para Websérie sobre triângulo amoroso
A mini websérie intitulada “Recife É Um Ovo” conta com humor e muita pernambucalidade os encontros amorosos que acontecem dentro de um círculo de amizade. “João amava Teresa que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém...” O trecho citado é do famoso poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, e faz referência aos desencontros e às dificuldades do amor nos anos de 1930, hoje pouco dele se assemelha a nossa realidade. O tempo tratou de virar o jogo do avesso e agora os desencontros acontecem de forma menos trágica e mais estratégica, facilitando um encontro mais adiante e assim, todo mundo sai ganhando. Esse é o novo comum. Em Recife dizem que a probabilidade de você se relacionar com um completo desconhecido(a) do seu círculo de amizades é mínima, quase nula, afinal Recife é um ovo. É nesse contexto de encontros entre amigos, conhecidos e ironias que se passa a história da mini websérie Recife é Um Ovo, produção independente do cineasta Gus Arruda Lins. Na trama a personagem principal, Alice (Maria Laura), namora João Vitor (Tiago Godim), mas tem Helena (Gabi da Pele Preta) (sua ex) como crush e ponto fraco da relação. Recife é Um Ovo tem 3 episódios, que serão lançados oficialmente na próxima segunda, dia 21 de junho, nos perfis de Instagram e Youtube @recifeéumovo. Alice (Maria Laura) e Helena (Gabi da Pele Preta) - Foto: Divulgação A produção mergulha no universo das relações alternativas da classe média recifense, usando expressões e referências de humor que são um deleite para todos os públicos. Segundo Arruda, é impossível não relacionar o caso dos personagens a algum já vivido ou testemunhado, e propõe ainda um desafio. “A gente vai te provar que, se tu é de Recife, tu já pegou alguém que eu conheço. Ou a gente já se pegou. Para as gravações o cineasta reuniu profissionais experientes do cinema pernambucano, com grandes produções na bagagem; como os técnicos de som Moabe Filho e Pedrinho Moreira (filmes Greta e Joaquim) e a produtora Clarissa Dutra (Janela Internacional do Cinema). Gus Arruda atualmente mora em São Paulo e veio à Recife gravar na zona norte, entre os meses de dezembro e janeiro de 2021, quando as iniciativas audiovisuais estavam bastante escassas, devido a pandemia, período extremamente delicado para a cultura brasileira. Tanto nos testes de elenco quanto nas filmagens foram adotadas medidas sanitárias recomendadas pelos órgãos de saúde. Recife é Um Ovo é uma produção totalmente independente, feita com responsabilidade e paixão pelo jeito de ser recifense. E estrá disponível para ser assistida livremente na web (@recifeéumovo) a partir de segunda (21). Serviço: Mini Websérie Recife é um Ovo instagram.com/recifeeumovo
- Produtora do agreste pernambucano lança documentário intitulado ‘Palestina Brasil’
O documentário produzido pela PUNCTUM Filmes conta uma história sobre educação, cultura e preconceito, através dos olhares dos moradores do bairro. Dirigido pela jornalista Mayara Bezerra e pela artista visual/sonora Virgínia Guimarães, e com produção executiva do designer e videomaker Jansen Barros, o documentário ‘PALESTINA Brasil’ em 24 minutos conta uma história sobre o bairro Nova Palestina, localizado na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, interior de Pernambuco. Oito moradores do bairro contam suas realidades e a história de uma ‘palestina’ que é retrato, é a cara de um mundo com o qual convivemos todos os dias, em todos os espaços. Conhecemos a realidade de um bairro que sofre com o preconceito e exala uma forte cena cultural, vestida por uma esperança que só a educação e o conhecimento proporcionam. O documentário também conta com a direção de fotografia do artista José e da costureira e cineasta Larissa Cunha, e tem data de lançamento para o dia 26 de junho (sábado), às 16h, através da plataforma YouTube. Sinopse: A Palestina é a primeira vista da cidade de Santa Cruz do Capibaribe, no interior de Pernambuco. É o ponto mais alto, o lugar de onde podemos ver uma comunidade que cresce para além de suas fronteiras, que são tantas. A poesia é que se aceitamos que podemos ver aquele morro, imaginamos ao mesmo tempo que podemos ser vistos dele. Neste documentário, as narrativas de seus moradores contam um retrato do mundo no agreste pernambucano, conhecemos um lugar que guarda histórias muito além do medo. Para + informações: Instagram: @punctumfilmes E-mail: punctumfilmes@gmail.com
- O impacto imagético de Tião
Tião é um importante representante da nova cena pernambucana de produções audiovisuais. No seu cinema o afeto está no impacto imagético, fruto de uma forte relação com as artes plásticas. Em um primeiro momento as histórias de Tião podem causar um estranhamento, mesmo que filmadas em ambientes comuns. Suas narrativas costumam compartilhar semelhanças e talvez uma perspectiva de absurdo ou estranheza seja um bom adjetivo para os seus filmes.
- Tatuagem: de dentro para fora, um estudo do processo de criação a partir do roteiro do filme
Por Marcos Antonio Neves dos Santos. Seq.01 Passado I (memória/interna/ cor viva/ som direto) Fazia cerca de três ou quatro meses que havia me formado, estava sentindo aquele mal estar típico de quem acabou de terminar o curso caracterizado por um certo alívio misturado à angústia. Algumas perguntas em mente, a primeira era: E AGORA? A segunda pergunta eu revelo no próximo parágrafo. No que diz respeito ao dinheiro... bem, consegui fazer uma reserva acumulada durantes alguns estágios, freelas e uns roteiros que tinha feito para publicidade. Somado a isso tinha uma bolsa oriunda de um curso de Pós-graduação em Jornalismo e Crítica Cultural na UFPE, lá eu fazia serviços administrativos e tinha como chefe o bonachão Zé Carlos, que entre uma planilha de excel e outra, conversávamos sobre A Feira Experimental de Música de Nova Jerusalém, Lula Côrtes, Ave Sangria, movimento Super8, Teatro Vivencial Diversiones, dentre outros assuntos da contra cultura Pernambucana. (corta) Seq.02 Passado II (memória/interna e externa/ cor viva/ som direto) Olhar o comercial na televisão e ver o meu roteiro literalmente sumir, gerava em mim uma grande angústia, mas pensava: é publicidade, deve ser assim mesmo. Contudo, ter que dizer à um brother para tirar o meu nome de um curta porque o roteiro que havia escrito virou pó, já era outra história, e me levava a uma outra pergunta: como um roteiro vira filme? Minto, há mais duas perguntas: será que é assim mesmo que rola? Ou será que eu não sei escrever? Só me restava estudar, pesquisar. (flashforward) Passei a assistir as sequências de filmes e tentava roteirizá-las, depois comparava com a versão original. Ou lia os roteiros antes de ver os filmes e posteriormente tentava realizá-los imageticamente em minha cabeça. Não raro esses roteiros eram de autoria de Hilton Lacerda. Tal contato aumentou ainda mais a minha admiração pelo roteirista. Ao comparar o filme com o roteiro, e vice-versa, inúmeras indagações surgiram e uma delas era: como o roteiro de Hilton vira filme? Como ocorre esse processo? Realizar essa pesquisa me pareceu um caminho natural, tendo acabado de sair da universidade, voltar para a UFPE com mais autonomia e com uma bolsa de pesquisa (outros tempos) seria um sonho! Seq.03 Brodagem (Em toda esquina/externa/cor- som direto) Por intermédio de um amigo, Jerônimo Lemos, soube que Hilton Lacerda iria realizar o seu primeiro longa-metragem, o qual seria gravado em Olinda. O filme se chamava Tatuagem e se passava nos anos 70. Era uma história de amor entre um soldado do exército e um líder de uma trupe de teatro. Após conversarmos um pouco, cheguei à conclusão de que uma das formas de compreender como se daria essa passagem do roteiro para o filme seria indo ao set e acompanhando o processo ocorrer diante dos meus olhos. Não demorou muito para que eu lançasse a ideia de acompanhar o filme para o professor Paulo Cunha, que viria a ser, mais à frente, o meu orientador no mestrado, e que me deu todo o apoio para que eu me lançasse na empreitada, e também para Jerônimo Lemos, que coincidentemente é sobrinho de Hilton Lacerda e estava trabalhando como terceiro assistente de direção no filme. Jerônimo foi responsável por fazer uma verdadeira ponte de ligação entre mim e Hilton Lacerda, que prontamente apoiou a minha ideia. Ele me forneceu o roteiro do filme, e foi aí, no momento da leitura do roteiro, que vim saber que o filme tinha como referência afetiva o Vivencial Diversiones. ( corte) Seq.04 Sobre os afetos (Em toda esquina/externa/cor- som direto) Se o cinema é uma arte de irmãos (parafraseando Lírio Ferreira, que teoricamente parafraseou os irmãos Lumiére, lendas pernambucanas), acredito que a pesquisa também é. Eu só sei fazer pesquisa e cinema com os meus amigos, com quem gosto e pelos objetos que estou apaixonado, por isso aceitei com felicidade ao convite de Amanda Mansur, que também acompanhou muito desse processo, para partilhar com vocês essa dissertação que mais do que a compreensão do processo criativo do tatuagem, visa, dividir as aventuras, as paixões e o eterno devir da pesquisa. Boas leituras. Sobre Marcos Santos: Doutorando no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (2019). Membro integrante do grupo de pesquisa Cultura e Subalternidades: epistemologias da subalternidade no cinema brasileiro contemporâneo (2020) Mestre em Comunicação (2014) pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Graduado em Comunicação Social (2010), com ênfase em Radialismo e TV, pela UFPE. Trabalhou como professor dos cursos de Cinema e Radialismo tv e internet, nas faculdades integradas Barros melo- AESO. Foi professor dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Joaquim Nabuco - UNINABUCO. É professor substituto do instituto federal de educação, ciência e tecnologia da Bahia, Campus Santo Antônio de Jesus. Link da Dissertação: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/17183
- Destaque junho 2021: Tatuagem
Para junho, mês em que comemoramos o Orgulho LGBTQIA+, o filme de destaque é um clássico pernambucano que celebra a liberdade dos corpos e os amores revolucionários. Tatuagem se passa no Brasil de 1978, onde um grupo de artistas provoca a moral e os bons costumes pregados pela ditadura civil-militar, que já demonstrava sinais de esgotamento (pela abertura política lenta e gradual) mas ainda era atuante. Clécio Wanderley (Irandhir Santos) é o ator, diretor, produtor, pai, que lidera a trupe Chão de Estrelas, que na casa de espetáculos Vivencial Diversiones, juntos a público, outros artistas e intelectuais, debochavam, anarquizavam e subvertiam os costumes morais da sociedade oficial. Mas é com o amor que Hilton Lacerda (diretor e roteirista) nos provoca. É quando Clécio conhece Fininha (Jesuíta Barbosa), um soldado. As complexidades e tensões geradas pelo encontro de mundos opostos, o militar rígido e o artístico livre, é o que “cria uma marca que nos lança no futuro, como uma tatuagem.” Veja outras publicações do site sobre o filme: Tatuagem: de dentro para fora, um estudo do processo de criação a partir do roteiro do filme SUSPENSÃO NARRATIVA E FLUXO TEMPORAL. A EXPERIÊNCIA MUSICAL EM TATUAGEM (2013), DE HILTON LACERDA
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