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Tatuagem: de dentro para fora, um estudo do processo de criação a partir do roteiro do filme


Seq.01 Passado I

(memória/interna/ cor viva/ som direto)

Fazia cerca de três ou quatro meses que havia me formado, estava sentindo aquele mal estar típico de quem acabou de terminar o curso caracterizado por um certo alívio misturado à angústia. Algumas perguntas em mente, a primeira era: E AGORA? A segunda pergunta eu revelo no próximo parágrafo. No que diz respeito ao dinheiro... bem, consegui fazer uma reserva acumulada durantes alguns estágios, freelas e uns roteiros que tinha feito para publicidade. Somado a isso tinha uma bolsa oriunda de um curso de Pós-graduação em Jornalismo e Crítica Cultural na UFPE, lá eu fazia serviços administrativos e tinha como chefe o bonachão Zé Carlos, que entre uma planilha de excel e outra, conversávamos sobre A Feira Experimental de Música de Nova Jerusalém, Lula Côrtes, Ave Sangria, movimento Super8, Teatro Vivencial Diversiones, dentre outros assuntos da contra cultura Pernambucana.

(corta)


Seq.02 Passado II

(memória/interna e externa/ cor viva/ som direto)

Olhar o comercial na televisão e ver o meu roteiro literalmente sumir, gerava em mim uma grande angústia, mas pensava: é publicidade, deve ser assim mesmo. Contudo, ter que dizer à um brother para tirar o meu nome de um curta porque o roteiro que havia escrito virou pó, já era outra história, e me levava a uma outra pergunta: como um roteiro vira filme? Minto, há mais duas perguntas: será que é assim mesmo que rola? Ou será que eu não sei escrever? Só me restava estudar, pesquisar. (flashforward)

Passei a assistir as sequências de filmes e tentava roteirizá-las, depois comparava com a versão original. Ou lia os roteiros antes de ver os filmes e posteriormente tentava realizá-los imageticamente em minha cabeça. Não raro esses roteiros eram de autoria de Hilton Lacerda. Tal contato aumentou ainda mais a minha admiração pelo roteirista. Ao comparar o filme com o roteiro, e vice-versa, inúmeras indagações surgiram e uma delas era: como o roteiro de Hilton vira filme? Como ocorre esse processo? Realizar essa pesquisa me pareceu um caminho natural, tendo acabado de sair da universidade, voltar para a UFPE com mais autonomia e com uma bolsa de pesquisa (outros tempos) seria um sonho!


Seq.03 Brodagem

(Em toda esquina/externa/cor- som direto)

Por intermédio de um amigo, Jerônimo Lemos, soube que Hilton Lacerda iria realizar o seu primeiro longa-metragem, o qual seria gravado em Olinda. O filme se chamava Tatuagem e se passava nos anos 70. Era uma história de amor entre um soldado do exército e um líder de uma trupe de teatro. Após conversarmos um pouco, cheguei à conclusão de que uma das formas de compreender como se daria essa passagem do roteiro para o filme seria indo ao set e acompanhando o processo ocorrer diante dos meus olhos. Não demorou muito para que eu lançasse a ideia de acompanhar o filme para o professor Paulo Cunha, que viria a ser, mais à frente, o meu orientador no mestrado, e que me deu todo o apoio para que eu me lançasse na empreitada, e também para Jerônimo Lemos, que coincidentemente é sobrinho de Hilton Lacerda e estava trabalhando como terceiro assistente de direção no filme. Jerônimo foi responsável por fazer uma verdadeira ponte de ligação entre mim e Hilton Lacerda, que prontamente apoiou a minha ideia. Ele me forneceu o roteiro do filme, e foi aí, no momento da leitura do roteiro, que vim saber que o filme tinha como referência afetiva o Vivencial Diversiones.

( corte)


Seq.04 Sobre os afetos

(Em toda esquina/externa/cor- som direto)

Se o cinema é uma arte de irmãos (parafraseando Lírio Ferreira, que teoricamente parafraseou os irmãos Lumiére, lendas pernambucanas), acredito que a pesquisa também é. Eu só sei fazer pesquisa e cinema com os meus amigos, com quem gosto e pelos objetos que estou apaixonado, por isso aceitei com felicidade ao convite de Amanda Mansur, que também acompanhou muito desse processo, para partilhar com vocês essa dissertação que mais do que a compreensão do processo criativo do tatuagem, visa, dividir as aventuras, as paixões e o eterno devir da pesquisa. Boas leituras.


Sobre Marcos Santos:











Doutorando no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (2019). Membro integrante do grupo de pesquisa Cultura e Subalternidades: epistemologias da subalternidade no cinema brasileiro contemporâneo (2020) Mestre em Comunicação (2014) pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Graduado em Comunicação Social (2010), com ênfase em Radialismo e TV, pela UFPE. Trabalhou como professor dos cursos de Cinema e Radialismo tv e internet, nas faculdades integradas Barros melo- AESO. Foi professor dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Joaquim Nabuco - UNINABUCO. É professor substituto do instituto federal de educação, ciência e tecnologia da Bahia, Campus Santo Antônio de Jesus.


Link da Dissertação:

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