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O que porra é cinema de mulher?

A mostra de cinema de mulher e o desvelar do machismo no audiovisual pernambucano.


A dissertação que escrevi como conclusão do mestrado em comunicação social na UFPE, cursado por mim de 2014 a 2016, trata sobre um momento muito particular do pensamento sobre o cinema produzido em nosso estado, Pernambuco. O trabalho se atém sobre a contribuição das mulheres que fizeram e/ou ainda fazem parte da cadeia produtiva de cinema do estado, sob a perspectiva de um devir mulher que acredito ter sido despertada em nossa sociedade brasileira, com maior força, junto ao advento dos Governos Lula (2002 a 2006 e 2006 a 2010) e Dilma (2010 a 2014 e 2014 a 2016), no embalo de algumas políticas públicas implantadas nesse período para a equidade de gênero.


O título explosivo diz respeito a uma frase publicada como comentário, nas redes sociais, sobre uma mostra de cinema de mulheres ocorrida em 2015, período em meio aos meus estudos, que se tornou estudo de caso da dissertação e também gatilho para muitos debates e futuras mudanças que vieram a ocorrer nas políticas públicas e na cena local de cinema quanto às representações e representatividade das mulheres.


É um trabalho apaixonado, que me tomou a cabeça e o coração de maneira intensa ao longo de todo o processo de pesquisa e escrita, mas que teve a condição de ser escrito com muita rapidez e poucas parcerias, já que o feminismo foi e continua sendo um interdito social e na academia, até hoje. Agradeço em especial a colaboração das cineastas que entrevistei para o trabalho.


Dessa forma, as teorias feministas como um todo, fossem elas mais voltadas para as questões socioeconômicas ou para o campo do cinema propriamente dito, alimentaram uma fome que eu sentia de enfrentar os paradigmas patriarcais que vivenciei e ainda vivencio enquanto me movo no meio, já que além de acadêmica sou trabalhadora audiovisual a cerca de 17 anos. Espero que esse trabalho, hoje avalio, ainda que por vezes exaltado e noutras vezes insuficiente em suas conclusões, ajude a despertar novos embates, novas pesquisas e novas realizadoras para nossa primavera no audiovisual.


Ação, mulheres!


Dissertação completa:



Sobre Naya Lopes:


Educadora popular, realizadora e doutoranda em cinema pela UFPE. Trabalha junto aos coletivos Ficcionalizar, desde 2016, e Fazendo Milagres Cineclube, desde 2012, além de coordenar outros projetos em cinema e educação com ênfase na descolonização do olhar, como a Baobácine - Mostra de Filmes Africanos do Recife (2018) e o curso audiovisual Ficcionalizar no Kilombo (2019). Também é integrante da banda Casas Populares da BR-232 (2005), do Coletivo Cabelaço de Mulheres Negras (2012) e do Coletivo da Negritude do Audiovisual de Pernambuco (2018).

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