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O poder veste Prada: quando o poder compra a moda

  • Foto do escritor: Revista Spia
    Revista Spia
  • há 4 minutos
  • 3 min de leitura

Por Lívia Feliciano

Trabalho aprovado por: Paula Donato e Marcelo Martins



Quando eu assisti a O Diabo Veste Prada 2 (direção de David Frankel, roteiro de Aline Brosh McKenna e figurino de Molly Rogers; 2026), lembro que uma coisa não parava de ecoar na minha cabeça: “Deve ser muito massa ter dinheiro igual o Benji”. O personagem em questão é Benji Barnes, namorado bilionário de Emily que resolve comprar a Runway, revista em que ela trabalhou no passado como assistente, só para realizar os desejos dela. Assisti ao filme dia 30 de abril, exatamente na sessão de estreia, e mal sabia eu que tinha acabado de receber um spoiler dos grandes da vida real.


Sessão de estreia do filme "O Diabo Veste Prada 2" em Caruaru (PE). Foto: Lívia Feliciano
Sessão de estreia do filme "O Diabo Veste Prada 2" em Caruaru (PE). Foto: Lívia Feliciano

No dia 4 de maio, aconteceu um dos eventos mais esperados do ano no mundo da moda: o Met Gala. A edição de 2026, intitulada “Costume is Art”, foi considerada uma das mais polêmicas da história desse espetáculo do tapete vermelho, não pelo tema ou pelos looks, mas sim por ter sido cercado de protestos e manifestações do lado de fora do evento.

Metropolitan Museum of Art (The Met), localizado na cidade de Nova York, nos Estados Unidos; local onde acontece o "Met Gala". Foto: Reprodução/Internet
Metropolitan Museum of Art (The Met), localizado na cidade de Nova York, nos Estados Unidos; local onde acontece o "Met Gala". Foto: Reprodução/Internet

A razão disso tem nome e sobrenome: Jeff Bezos. Ele é um engenheiro, empresário estadunidense e lidera a Amazon, uma das empresas mais importantes do mundo. No ano de 2026, Jeff e sua esposa, Lauren Sánchez Bezos, foram os principais patrocinadores do baile do Met, o que gerou muitas críticas entre a população devido às várias polêmicas em que o empresário está envolvido, como as condições de trabalho em suas empresas, seu posicionamento político e a sua concentração de riquezas. Com esse patrocínio, eles ganham voz na produção do evento, podendo opinar em quem é ou não convidado, nas narrativas que ganham destaque e na imagem que é construída. O Met Gala é um “acontecimento” anual que gera recursos para a manutenção do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, o Met. Mas e o que isso tem a ver com O Diabo Veste Prada 2? Tudo!

A narrativa do filme é muito focada em como a dinâmica no mundo da moda mudou. Agora está no topo quem tem poder, controle, dinheiro e influência midiática, sobretudo da produção. Benji decide comprar uma revista de moda para satisfazer um capricho de sua namorada, podendo assim interferir diretamente no destino da revista e de seus colaboradores. Na vida real, não é diferente.

Quando Jeff decide se inserir nesse universo da moda utilizando-se de sua riqueza, acaba que o verdadeiro significado do baile do Met perde o sentido, visto que é uma celebração da expressão artística, da criatividade, algo que não pode ser comprado– apenas os ingressos (cerca de US$ 100.000). Um bilionário ter poder de usar essa celebração para tentar se promover nesse mundo, tira um pouco da credibilidade desse grande evento.


Justin Theroux, ator que interpreta Benji, vestindo a marca italiana Prada na estreia do filme em Nova Iorque. Foto: Reprodução/Internet
Justin Theroux, ator que interpreta Benji, vestindo a marca italiana Prada na estreia do filme em Nova Iorque. Foto: Reprodução/Internet

Sarah Paulson vestindo a peça "The One Percent" da marca parisiense Matière Fécales no Met Gala 2026. Foto: Reprodução/Internet
Sarah Paulson vestindo a peça "The One Percent" da marca parisiense Matière Fécales no Met Gala 2026. Foto: Reprodução/Internet

Muitas celebridades utilizam-se da visibilidade que recebem no baile para levantarem suas bandeiras e ideais. Um exemplo disso esse ano foi a Sarah Paulson, que vestiu Matières Fécales, usando como ponto principal de sua roupa uma máscara feita de dólar cobrindo os olhos, que manifesta uma crítica ao poder e privilégios que o dinheiro proporciona. Já outros nomes de peso em Hollywood optaram por não comparecerem ao baile, como foi o caso de Zendaya e Meryl Streep, a protagonista de O Diabo Veste Prada 2. Muitas pessoas acreditam que elas não marcaram presença justamente por não compactuar com os ideais do principal casal patrocinador da cerimônia deste ano.

Os protestos do lado de fora e de dentro do Met Gala mostram que a moda não é e nunca foi só roupa. A moda é política, atravessada por questões sociais e econômicas. Não adianta vestir roupas de milhares de dólares e patrocinar um evento que celebra a arte e diversidade, se o “benfeitor” tem posicionamentos que vão contra toda essa narrativa e essas pessoas que mantêm essa indústria de pé.



SAIBA MAIS

A presença de grandes empresários, como Jeff Bezos, evidencia a crescente aproximação entre o setor da moda e o capital financeiro, ampliando o debate sobre até que ponto eventos culturais podem manter sua autonomia diante de interesses econômicos.

O documentário The First Monday in May revela os bastidores do evento e evidencia como cada detalhe é estrategicamente pensado para construir narrativas específicas.

CURIOSIDADES

A personagem Miranda Priestly foi inspirada em Anna Wintour, editora-chefe da Vogue e uma das figuras mais influentes da moda. Inclusive, Anna é quem tradicionalmente lidera a organização do Met Gala.

O Met Gala acontece sempre na primeira segunda-feira do mês de maio.


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A SPIA é um portal colaborativo feito por alunos do curso de Comunicação Social e Design, da Universidade Federal de Pernambuco, campus Agreste. Todo o conteúdo produzido por nós é usado apenas para fins informativos e educacionais.

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