Moda pernambucana fora daqui
- Revista Spia

- há 4 horas
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Por Vanessa Karol
Trabalho aprovado por: Paula Donato e Marcelo Martins
Nascida em Tracunhaém, filha do artista plástico Mestre Ivo Diodato, Júlia Lira está presente nas redes sociais desde 2015 mostrando um pouco das suas vivências, facetas e fases. Dentro desse contexto, a moda sempre esteve presente, seja na roupa, no calçado, nas paredes da sua casa e até mesmo nos cenários das cidades em que ela já morou.

JÚLIA LIRA hoje é criadora de conteúdo e possui aproximadamente 130 mil seguidores no total de suas principais redes sociais. Na sua presença digital é perceptível como seu amor e carinho por Pernambuco, sempre participando e experienciando todos os nossos meios de expressão. Com a sua forma de ver o mundo, ela consegue traduzir o que sente e percebe para uma tela na vertical, permitindo que outras pessoas que não estão aqui possam conhecer através dela.
Recentemente, Júlia se mudou para o Rio de Janeiro e, durante nossa entrevista, vamos descobrir através dos seus conceitos como ela entende a moda pernambucana e se essa mudança geográfica alterou sua percepção, já que a saudade pode acentuar alguns aspectos da vida dela.
MODA ATRAVÉS DE JÚLIA LIRA
Vanessa: Como você percebe a moda pernambucana, como você a define e o que vem em sua mente primeiro?
Júlia: Eu tomo cuidado quando falo de moda pernambucana para não generalizar a vivência com a moda por todo estado. Tendo vivido em Caruaru, Tracunhaém e Recife, noto características diferentes em cada lugar. Talvez culturais, mais especialmente marcadas pelo clima e ritmo urbano das cidades. Em Recife, por termos praias, eu me sentia mais à vontade para explorar looks mais leves e até com biquínis e chinelos Havaianas; looks mais naturais. Em Tracunhaém, por exemplo, eu não tinha muito costume de usar tênis ou botas. E em Caruaru, eu me sentia mais à vontade para explorar um visual mais dramático, jaquetas, corta-ventos, materiais de couro junto de outras peças com tecidos mais leves. Mas, respondendo a pergunta, eu vejo que a moda pernambucana mescla muito os estilos urbanos e naturais, misturando tecidos e adaptando a realidade local.


V: Recentemente você mudou de estado. Isso transformou seu olhar para a moda de Pernambuco? A distância fez você perceber detalhes da nossa cultura que antes passavam despercebidos?
J: Eu mudei de estado, mas as minhas referências de moda continuam as mesmas. Então, de forma geral, continuo admirando e consumindo da moda pernambucana. No meu dia a dia, faço questão de me manter imersa nos detalhes da minha cultura. Um detalhe que tenho me corrigido mesmo é justamente caracterizar meu olhar para a moda pernambucana, reconhecendo que ela é bem múltipla e não se prende ao que leem da capital. Pode ser vanguardista, pode ser tradicional, pode ser autêntica e também, como em todo lugar, mais genérica seguindo o senso comum.

V: Nas suas redes sociais é perceptível que a moda está além da vestimenta para você, marcando presença também nas paredes da sua casa e nos objetos de decoração. Como você considera essa relação entre moda e cotidiano?
J: Eu acho que a moda e o cotidiano estão 200% atrelados um ao outro. É no cotidiano que a gente expressa nossas referências, nossa vivência e nosso repertório. Tanto no que eu visto quanto na minha casa, eu mostro mesmo que espontaneamente um reflexo de tudo que eu já vi, li, assisti, conheci etc. É muito natural que isso transborde de mim, já que eu busco me cercar de coisas bonitas e inspiradoras.
V: Grande parte do seu público talvez nunca tenha visitado Pernambuco. Quando você compartilha referências de moda e cotidiano, pensa que está influenciando essas pessoas a construírem uma imagem do nosso estado? Como acontece esse processo de traduzir algo tão pessoal para uma tela na vertical?
J: Quando eu comecei a mostrar mais da minha cultura, percebi um erro: talvez eu estivesse falando para pessoas que nunca tinham ouvido falar daquilo, ou nunca nem tinha visto. Então, eu passei a tomar o cuidado de explicar do básico, como onde ir pela primeira vez, explicar como a festa acontece enquanto compartilho como eu vivo/vivia nesses espaços. Foi realmente muito natural e eu fui percebendo o impacto quando comentários como: “quero conhecer esse lugar por causa da forma que você fala” se tornaram comuns. Então sim, reconheço o impacto e vejo muito valor nisso.


V: De onde vem suas referências para produção de posts ou até mesmo vídeos quando se trata de moda e pernambuco? Existe alguém em que você se inspira?
J: Uma vez, eu vi o Fefo (@pelosolhosdefelipe) — que me inspira muito por sinal — falando que ele fotografa a cidade e as pessoas com o olhar curioso de quem também está conhecendo a cidade, já que não cresceu ali. Isso fez sentido pra mim porque estou sempre me mudando e me mantendo curiosa sobre as coisas e sobre o mundo. Desde criança esse é um traço meu, meus pais contam. Então, quando falamos de moda em Pernambuco, minhas principais referências são as histórias contadas pelas pessoas à minha volta. Sendo mais específica, minha amiga Beatriz (@beamanifesta), é uma grande inspiração como formadora de opinião quando se trata de moda, política e identidade cultural.

V: Se Pernambuco fosse uma pessoa, como ela seria? Como seria um look completo para um dia habitual?
J: Difícil responder essa! [risos] Tenho tantas imagens em mente do que seria Pernambuco em pessoa. Certamente, teria de incluir nossa bandeira em algum detalhe. Então, vou imaginar uma camisa de linho de botões, com uma saia midi em renda ou crochê — ou com alguma estampa mais fluída — e uma sandália rasteira. Acessórios bem chamativos, brincos e colares dourados com elementos solares, e uma bolsinha de couro artesanal tipo as da feira de artesanato de Caruaru.
Vocês podem acompanhar e conhecer mais sobre Júlia Lira no Instagram: @juulialira

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