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Entre bandeirinhas e bandeiras: quando a Copa encontra a identidade visual do São João de Caruaru

  • Foto do escritor: Revista Spia
    Revista Spia
  • 11 de jul.
  • 2 min de leitura

Por Arielle Laís e Higor Evangelista


Foto: Higor Evangelista
Foto: Higor Evangelista

O mês de junho costuma transformar Caruaru em um grande cenário da cultura popular nordestina. As ruas ganham bandeirinhas coloridas, os polos juninos recebem cenografias inspiradas no cordel e na xilogravura, enquanto o comércio e os espaços públicos incorporam elementos que já fazem parte da identidade visual do São João. Em 2026, no entanto, outro conjunto de símbolos passou a integrar essa paisagem: o da Copa do Mundo.


A realização do torneio durante o período junino fez com que referências ligadas ao futebol dividissem espaço com a estética tradicional da festa. Bandeiras do Brasil, camisas da Seleção, vitrines temáticas e telões para transmissão dos jogos passaram a compor um cenário que, até então, era ocupado quase exclusivamente pelos elementos característicos do São João.


Essa aproximação entre dois eventos de grande alcance popular chama atenção para um aspecto que muitas vezes passa despercebido: a identidade visual também faz parte da experiência cultural.


Mais do que decorar espaços, a comunicação visual ajuda a construir a memória de uma festa. Em Caruaru, referências ao cordel, à xilogravura e ao artesanato aparecem nas peças gráficas, na sinalização dos polos, nos palcos e na cenografia distribuída pela cidade. São elementos que reforçam a relação entre o São João e a cultura popular do Agreste.


Foto: Higor Evangelista
Foto: Higor Evangelista

Já a Copa do Mundo possui uma linguagem visual própria. Cada edição apresenta uma identidade construída a partir de cores, símbo os e elementos gráficos que representam o país-sede. No Brasil, essa comunicação costuma ganhar novas interpretações quando chega às ruas. A população incorpora bandeiras, pinturas, faixas e outros elementos à paisagem urbana, criando uma estética que ultrapassa o ambiente esportivo.


Quando essas duas linguagens compartilham o mesmo espaço, o resultado não é a substituição de uma pela outra, mas uma convivência entre diferentes referências culturais. O verde e amarelo aparece ao lado das bandeirinhas juninas, enquanto vitrines e estabelecimentos comerciais adaptam suas decorações para dialogar com os dois acontecimentos.


A presença dos telões destinados à transmissão dos jogos também modifica a dinâmica dos espaços públicos. Durante as partidas da Seleção Brasileira, áreas tradicionalmente ocupadas por apresentações musicais passam a reunir pessoas em torno de outra manifestação coletiva. O público continua no São João, mas vivencia a festa a partir de uma nova configuração visual, em que palco, decoração e transmissão esportiva coexistem.


Esse cenário revela que a identidade visual das festas populares não é estática. Ao longo do tempo, ela incorpora novas referências sem abandonar elementos que já fazem parte da memória coletiva. A coincidência entre a Copa e o São João evidencia justamente essa capacidade de adaptação, mostrando como diferentes manifestações culturais podem dialogar dentro de um mesmo espaço.


Mais do que registrar a presença do futebol durante os festejos juninos, observar essas transformações ajuda a compreender como a cidade constrói sua imagem a partir dos acontecimentos que mobilizam seus moradores. Em 2026, entre bandeirinhas e bandeiras, Caruaru oferece um exemplo de como cultura popular, design e comunicação visual podem compartilhar o mesmo cenário e produzir novas formas de representação.


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A SPIA é um portal colaborativo feito por alunos do curso de Comunicação Social e Design, da Universidade Federal de Pernambuco, campus Agreste. Todo o conteúdo produzido por nós é usado apenas para fins informativos e educacionais.

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