Diáspora-entrevista: Conversa com Sidney Gabriel sobre o processo de criação da coleção AFROESTIMA
- Revista Spia

- 21 de jul.
- 13 min de leitura
Por Gabriel Assis
Trabalho aprovado por: Paula Donato e Marcelo Martins

PALAVRAS INICIAIS
O jovem multiartista independente, periférico, negro e gay, Sidney Gabriel, trilha um percurso de busca em espaços artísticos no Agreste pernambucano. Nessa entrevista concedida gentilmente por ele, Sidney nos apresenta uma variedade de traços que constituem sua identidade como sujeito “do mundo e no mundo”: empatia, empoderamento, argumentos histórico-culturais, memória e futuro ancestral e reversão de hierarquias sociais voltadas à racialidade. Desde o início de sua formação em Design (Centre Acadêmico do Agreste: UFPE), ele se propôs investigar a gênese da criação e quais elementos influenciam em cada ponto da costura e do ser humano por trás e na frente de sua produção.
Os anseios e pensamentos criativos acerca das criações do multiartista foram constitutivos de sua personalidade, porque decorrentes de suas vivências e como elas lhe impactaram na construção da noção de mundo. Eles são traduzidos em sua forma peculiar de fazer arte-moda, moda-arte. Mais que relatos pessoais, a entrevista objetivou fazê-lo chegar ao cerne da produção de moda que produz, quais dificuldades, vontades, caminhos e para quais lados a sua produção de corre dentro das veias da juventude pernambucana.
Os projetos experimentais de Sidney são um dos aspectos basilares para a construção de uma ampla fronte de produção, pois abrem margens para novas concepções criativas, modelos, narrativas, pesquisas e estéticas, que, por sua vez, trazem força para o mercado independente. Assim descentralizando o comércio de roupas e apostando em formas divergentes de produção, mas também valorizando o mercado local e contribuindo o seu fortalecimento, ele acreditar estar contribuindo também para o crescimento da identidade coletiva e expressividade de seus consumidores.
[GABRIEL] Gostaria que você falasse um pouco de si, como foi o processo de chegada até quem você é hoje? Como multiartista, como você se encontrou em cada área que você atua hoje?
[SIDNEY] Eu sempre fui uma criança muito ligada à arte, mesmo não tendo diretamente nenhuma influência na família. Iniciei com o desenho; eu era aquele aluno na escola que sempre se destacava nas aulas de artes, e que levava a pasta de desenhos para mostrar para os meus amigos. Essa paixão se fortificava pela minha paixão por animações, inclusive por muito tempo da minha infância eu dizia que queria ser um mangaká e ter minha própria história. Passei grande parte da minha infância aperfeiçoando minhas técnicas de desenho e pintura: desenhar era como eu respirava. Meus caminhos me trouxeram ao curso de Design, pois devido a uma visita no “falecido” laboratório de animação da UFPE, decidi que queria entrar no curso por causa daquela área em especifico — que era minha paixão. Porém, quando finalmente entrei na faculdade, me frustrei ao descobrir que o laboratório de animação teria sido fechado.
Foi logo no início da pandemia que iniciei minha carreira acadêmica. Em decorrência do lockdown, por muito tempo me senti perdido no curso; por se mostrar totalmente diferente do que eu esperava e, assim, eu não conseguia me conectar. É neste ponto que entra minha ligação com a moda: grande parte da minha família trabalha com confecção, e eu, por muito tempo, trabalhei com eles. Inicialmente, foi um universo pelo qual eu não tinha o menor interesse, mas conforme fui conhecendo mais o mundo da moda, conforme fui avançando dentro do curso, as matérias voltadas à moda me estimularam interesse, e os meus conhecimentos sobre costura foram muito úteis. Assim, o que era apenas conveniente na faculdade — uma obrigação por causa do trabalho com a família —, veio a se tornar algo pelo qual me apaixonei com o passar do tempo.
Com a dança, eu tenho uma relação muito mais íntima e sentimental, pois ela não está ligada apenas ao que eu gosto de fazer, mas sim ao que me fez poder ser quem eu sou. Eu era uma criança muito tímida e por isso me isolava em meu próprio mundo, envolto de minhas histórias e meus desenhos. A dança, porém, sempre esteve escondida e reprimida devido aos valores da minha família, relacionados à ideia de como um futuro homem deveria se portar. Por muitos anos, essa parte de mim ficou adormecida, mas nunca se foi de fato. Tivemos um reencontro apenas no final da minha adolescência, que foi quando eu descobri a música popular coreana ou K-pop. Muitos ao meu redor enxergavam aquilo apenas um gosto musical infantil ou fútil, mas, para mim, era um mundo inteiro de novas possibilidades de ser e de me expressar. Ao longo do tempo, eu me dedicava não apenas a ouvir, mas a aprender as coreografias, que são muito comuns no universo do K-pop. No começo, eu me sentia constrangido de mostrar; também comecei a não me sentir mais satisfeito com meu desempenho e, a fim de desenvolver mais habilidades, entrei em um estúdio de dança.

A partir dali eu conheci muito mais sobre mim: melhorei minha autoestima, comecei a gostar de me ver, gostar de receber os elogios, ver minha evolução, e principalmente, poder mostrar para meus pais quem eu sou. Na minha primeira apresentação, dancei uma coreografia em grupo da música "Girl Gone Wild", da cantora Madonna. Seria ali a primeira vez que eu me mostraria caracterizado para os meus pais; ali seria o início de muita coisa. Após a apresentação, meu pai deixou a plateia, e minha mãe ficou tão chocada que não conseguiu nem me aplaudir; logo depois disso eu fui chorar no backstage. Eu estava devastado, porém orgulhoso de minha coragem: foi a primeira vez que encontrei uma forma de me afirmar com uma pessoa LGBTQ+ na frente da minha família, sem vergonha, sem me disfarçar e sem tentar esconder. Eles estavam ali vendo a mim sem nenhum filtro. É... foi devido àquela apresentação e à dança, que hoje tenho tanta certeza de mim, de quem eu sou e que nunca mais abrirei mão disso.
Quem trouxe a moda até você? Quais pessoas foram uma inspiração na sua vida e como ela chegou ao seu trabalho?
[S] Como mencionei anteriormente, meu primeiro contato com a moda veio da minha família; minha vó, minha mãe e minhas tias: todas eram costureiras. Na adolescência, eu comecei a trabalhar com elas para ter mais independência, porém nunca enxerguei a moda como uma possível carreira. Devido à minha experiência, sempre encarei o ato de costurar como algo do qual eu queria fugir, para nunca ter que trabalhar com. Mas precisei trabalhar desde muito cedo, perdi parte de grandes experiências da adolescência por conta disso e esse período me afastou da moda. Somente na faculdade eu tive a oportunidade de ver esse mundo com outros olhos, e fui percebendo que, na verdade, era algo muito maior que a pequena dimensão que tive com meu trabalho, então minha habilidades passaram a ganhar outros significados.
Acredito que na vida temos diversos tipos de inspiração. Para mim, não tenho dúvidas de que as mulheres da minha família foram uma grande inspiração, inclusive por serem figuras fortes, que sempre trabalharam duro para conseguir as coisas que queriam, mesmo com todas adversidades e dificuldades. Principalmente minha mãe, e tenho, em mim, muita coisa que ela me ensinou para a vida e para o trabalho que exerço hoje.
No lugar de referências, sem dúvidas, as pessoas com quem convivi no âmbito acadêmico foram muito importantes para meu desempenho como profissional hoje em dia, desde o corpo docente até os universitários. Eu sempre admirei todos eles, principalmente os que me faziam querer me tornar um profissional melhor, aquele tipo de competição saudável que temos consigo mesmos: evoluimos pois almejamos aquele nível de excelência no que fazemos. Eu acredito que nós — do Nordeste num geral, e particularmente do Agreste de Pernambuco — temos artistas incríveis em lugares como o Alto do Moura, a UFPE, a Fenearte: todos nós temos muito a dizer pela arte com nosso talento e referências que corre pelas veias.
Eu acredito que a real inspiração são as experiências que tiramos de cada vivência individual e coletiva, porque todas elas moldam desde a menor à maior ideia que temos —além da nossa visão de mundo — que impactam no nosso trabalho final. Se eu pudesse dizer uma inspiração clara e direta, eu diria a marca baiana Dendezeiro. Essa foi a primeira marca pela qual eu me apaixonei de verdade. Comecei a acompanhá-la na sua coleção de 2022, “Cor de pele”, que foi um dos pontapés iniciais para a idealização do meu projeto AFROESTIMA.
Você cria conteúdos para meios digitais, é dançarino, é designer gráfico, além de criador de moda. Você pode nos dizer como essas áreas se entrelaçam e como essa junção reflete na sua vida – corpo ou espírito?
[S] Aquela criança LGBT+ tímida e reprimida, que ouvia, desde cedo, que precisava se conter para caber em um ideal, achou sua liberdade na arte de se mover durante as batidas da música. A criação de conteúdo para as redes sociais sempre foi algo que considerei divertido. Eu era uma criança que consumia muito YouTube, e também, como muitas, já tive um pequeno canal. Para ele, eu gravava, editava, fazia as capas e divulgava, então sempre tive essa chama dentro de mim.
Na pandemia, usei as redes sociais como um diário de dança e um parâmetro de evolução, mas também me arrisquei em alguns vídeos mais descontraídos e trends daquele momento. Uma parte de mim tinha medo e não desejava viralizar e conseguir muitos seguidores, porém, hoje em dia, é algo que eu faço pela diversão de postar; desde vídeos de dança, trends com meu namorado, esquetes de humor e até vídeos de produção com maquiagem ou composições de roupas. Sou uma pessoa que tem muito a dizer, por isso gosto de estar sempre postando algo. Não sou nada low profile, e sinto falta de quando as pessoas não tinham tanta vergonha para postar um simples vídeo engraçado se divertindo genuinamente.
Minha situação como designer gráfico é engraçada. Entrei na universidade, inicialmente, para seguir esta área de interesse, porém acabei não me encontrando nela inicialmente — e isso acabou ajudando para que eu me direcionasse para a moda. Porém, percebo nessa área uma dificuldade que acredito ser de muitos, que é a falta de oportunidades na região. É irônico isso, visto que estamos no Polo de Confecção do Agreste. Contudo, eu achei uma oportunidade em uma marca de moda infantil, e foi nela que eu me vi focado em aprender muitas coisas da área gráfica, coisas que eu não tinha tanta noção por não ter buscado tantas matérias com esta ênfase. Foi assim, então, que eu comecei a me apaixonar por gráfico e voltei a buscar muito mais conteúdos sobre. Uma coisa puxa a outra: sabendo mais, quis aprender mais, e usei meu tempo restante na faculdade para compensar o tempo perdido. Foi uma experiência incrível, pois eu estava meio frustrado e senti que apenas reencontrei meu “eu” que sempre existiu, só estava meio adormecido.

Busco me aprimorar, melhorar, evoluir minha formação e me aperfeiçoar em todas as áreas em que atuo. Tudo nos traz conhecimentos muito distintos que, porém, se interseccionam em alguns pontos. E eu gosto do fato de eu não precisar ter apenas uma área de interesse na minha carreira. Antes, até achava que tinha que ser assim: trabalhar com a mesma coisa para sempre. Hoje, por outro lado, vejo que há fragmentos de Sidney Gabriel em cada uma dessas áreas, cada uma tem um pouco do que fui e de quem sou. Eu agradeço por ter tido a oportunidade de experimentar de tudo que o curso pode oferecer; isso fez com que eu montasse uma base sólida e firmasse uma grande convicção de quem eu sou, e de como eu quero que a sociedade me veja através da moda, da música, da dança e da minha arte no geral.
Nos fale um pouco sobre seu processo de criação, como uma ideia nasce na sua cabeça? Como suas vivências impactam no desenvolvimento e chegam até a peça final?
[S] Sempre digo que minhas melhores ideias surgem quando eu não estou tentando ter ideias. Seja às 3h da manhã jogando, ou enquanto divago na janela de um ônibus, enquanto estou no banho, ou apenas contemplando os abismos da vida. Porém, muitas vezes, a autossabotagem me impede de trazê-las à vida, mas mesmo assim eu perduro e crio. As minhas vivências impactam na forma que eu vejo o mundo e como eu quero representá-lo na minha arte no geral. Usando o exemplo do meu projeto AFROESTIMA, a ideia surgiu após um conjunto de insights, desde a coleção da Dendezeiro ao álbum “QVVJFA” do cantor baiano Baco Exu do Blues, que contém músicas sobre autoestima, com letras incríveis sobre masculinidade, sensibilidade e vivências do homem negro em uma sociedade que o vê apenas como um ser bruto, unicamente para trabalho braçal, ou como um objeto sexual. Além disso, também contribuíram situações e acontecimentos da minha vida pessoal como um rapaz negro, LGBT+ e periférico, que acabaram levando à reflexão e ao desejo traduzir as minhas concepções de mundo até no que produzo como artista, já que cada parte de mim está ali presente naquelas peças.

Quando você cria uma peça, quem é o consumidor que você idealiza usando suas criações? Quais aspectos das roupas você pode atribuir a um determinado público?
[S] Eu sempre me imagino usando as peças, porém meus croquis são de pessoas negras. Direciono muito do que crio a essa comunidade, pois foi onde encontrei a mim mesmo e é para onde quero mirar. Acredito que meu estilo é uma junção do streetwear alinhado à estética de dançarino e da cultura Hip Hop, com muitos elementos da cultura LGBT+. Porém, adoro contrastar com peças clássicas. Acho que essa mistura traz uma manifestação por si só, por exemplo: a roupa com retalhos e partes largas, que são colocadas junto com uma camisa de botão, um corset, um sapato social.
Dessa forma, posso comunicar que nós, pessoas negras, sempre atreladas ao estereótipo social de favelados, desleixados, bagunçados; podemos sim ocupar o espaço que queremos e que merecemos, porém sem perder nossas raízes e nosso estilo. Eu posso mostrar que, para ser elegante e estiloso, não preciso seguir uma norma, um padrão de regras, e isso está totalmente atrelado à minha visão de mundo e de como levo a minha vida.
Falando sobre sua coleção AFROESTIMA, até onde tem Sidney Gabriel até onde as roupas da sua coleção tem voz própria como criação artística?
[S]. AFROESTIMA iniciou como um grito de socorro da persona Sidney Gabriel, quando eu tinha 17 anos. Nesse período, sofri uma situação traumática que prejudicou muito a minha visão de mim mesmo e de como percebia o meu próprio corpo. Acredito que essa parte de mim está presente em toda a pesquisa que desenvolvo, pois houve uma busca incessante por conhecimento, informações e referências sobre as áreas relacionadas à raça, gênero e sexualidade. Nessa coleção, eu quis entregar uma mensagem e mostrar algo que muita gente não vê. Eu mergulhei de cabeça em artigos, livros e vídeos, pois o que eu mais queria era entender cada detalhe do porquê e como tudo aquilo acontecia. Com esse conhecimento, afinal, eu posso traduzir e concretizar o meu projeto de forma que qualquer um possa ver, ler e entender.
Já nas roupas, eu trouxe muito do que Sidney Gabriel vê como a sendo dele. O patchwork, por exemplo, é algo que descobri como paixão, e desde então virou minha marca no meu ciclo social. Eu quis traduzir o mundo utópico de Sidney nas roupas, porém precisava representar o que a pesquisa abordava. Acredito que é aqui que desenhamos a linha do que era 100% Sidney e o que eu precisava fazer para incorporar na coleção. Vemos isso na presença de elementos da cultura africana tradicional, que não é algo que faz parte do meu dia a dia, mas é algo que eu admiro muito e que corre no meu sangue em diáspora. Por isso, busquei abordar com o maior respeito o projeto inteiro, porque eu quis unir a minha visão de estilo abordada anteriormente, com a liberdade artística que só um mundo utópico que a arte consegue nos produzir.

De onde surgiu a necessidade artística que serviu de impulso para a criação desta coleção?
[S] Como eu disse anteriormente, surgiu a partir de uma junção de reflexões das minhas vivências, que me fizeram desenvolver a necessidade de abordar temas como raça, gênero e sexualidade na coleção. E de como esses temas podem ser traduzidos na moda através de intersecção de culturas, estéticas e histórias, valorizando a ancestralidade e o senso de coletivo da comunidade negra.
Você sente que essa necessidade passa por quais vivências que te formam como pessoa? Em quais outros âmbitos você pode ver ressoando nas pessoas que tem acesso às peças de sua coleção?
[S] A coleção me faz passar por experiências que foram marcantes para o meu desenvolvimento pessoal. Como uma pessoa negra, por exemplo, nós passamos muito tempo da nossa vida nos achando inferiores aos outros, e questionando o porquê sermos assim. Todos nós já quisemos ter cabelo liso e a pele mais clara, para podermos nos sentir amados, bonitos e vistos como algo a mais do que a cor a nossa pele. A maior pergunta que fiz para desenvolver esse projeto foi: "Por que só nos é destinado o desejo sexual, mas nunca o amor romântico?". Quem nunca ouviu a famosa frase: "negona da cor do pecado" ou "negão dotado"? Essas são frases que estão enraizadas no imaginário coletivo da nossa sociedade e que são base para ideias permanentes até hoje. Padrões como esses se repetem em diversos âmbitos, e reforçam ideais de que no final nunca somos escolhidos de verdade; somos sempre uma aventura, um desejo passageiro, um fetiche, uma experiência, algo exótico, mas nunca uma pessoa a ser amada e vista de verdade.
Eu acredito que a coleção possa ressoar diferentemente para cada um, porém a mensagem principal é mantida. Para algumas pessoas, é apenas um conjunto de peças bonitas; pra outras, nem isso. A coleção, porém, afeta significativamente pessoas que compreendem o que é a vivência representada ali naquelas roupas. Quando temos referências e nos abrimos para entender diversas visões e expressões de mundo, percebemos que o mundo é muito mais do que nossa pequena bolha.
No entanto, a maior intenção é a de retratar um empoderamento gerado a partir do resgate ancestral. Quando você abraça suas raízes, e se arma daquilo que te pertence; é aí que você se torna a versão mais bonita de si mesmo, e não quando tenta vestir uma ideia que não lhe cabe. Desse modo, seja a partir do momento que pessoas negras se entendem, aceitam e abraçam seus traços, a ancestralidade e a si mesmas, elas transcendem e se tornam as donas da própria autoestima. Elas passam a não depender mais da aprovação de terceiros. Elas fazem sua aprovação. Este processo foi algo que aconteceu comigo, e foi uma das minhas inspirações para retratar nessa coleção.

Há curiosidades sobre o processo de criação da AFROESTIMA que você gostaria de compartilhar conosco?
[S] O nome “AFROESTIMA’’ foi dado por uma amiga minha da época. Após explicar o conceito do meu projeto para ela, eu disse que estava em dúvida de como chamar. Disse também que eu estava pensando em “autoestima’’, até que ela chega e fala: “Amigo, e se chamar: AFROESTIMA?” — e nisso surgiu o nome dado à coleção.
Toda a coleção foi produzida com reaproveitamento de tecido, tanto de peças descartadas, quanto de retalhos de jeans comprados em brechó de retalho. Além disso, também trago um pouco da personalidade do streetwear com um caráter de sustentabilidade pra coleção. Em certo ponto, eu tinha todo o conceito e a parte teórica do projeto, porém eu não conseguia chegar em um consenso de como colocar isso no papel. Precisei revisitar um croqui de três anos atrás — que fiz para um concurso e estava esquecido na minha paste de desenhos — para entender como representar com cores, estética e texturas. Usei aquela estética de base com o patchwork, e os trançados com jeans que remetem as famosas tranças braids da cultura afro.
O que podemos esperar de futuras criações na área da moda?
[S] Bem, eu continuo criando. Recentemente me inscrevi para alguns concursos de moda e estou focando muito na minha evolução profissional. Estou para cursar uma pós-graduação no SENAC em produção de moda e styling. Quero me especializar nessa área e explorar outros meios da moda além do projetual e estudos no design em geral. Com certeza, vocês podem esperar muito mais criações minhas em todas as áreas, e pretendo postar todas nos meu Instagram: @sid_gbrl. E, quem sabe, vem aí o projeto de um estúdio criativo no futuro.

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