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Capibaribe in Rock: há 25 anos Betto Skin, traça caminhos para cultura local

Eu não tô sozinho, eu tô dando o sangue, mas sem tantos parceiros não teria conseguido, porque o apoio financeiro é importante também, mas não adiante fomentar se não tiver o artista, se não tiver o louco lá mostrando sua arte.


Entrevista por João Rocha e Nayara Nascimento.

Foto: arquivo de Betto Skin

Roberto José dos Santos Oliveira, nasceu na cidade de Limoeiro, em 31 de janeiro de 1972, sua memória fantástica se mostra presente já no início de nossa conversa quando ele lembra do horário e local que nasceu, às 08:15 da noite, em casa, recentemente completou seu quinquagésimo primeiro aniversário e nesta entrevista que você acompanhará a seguir, nos contou sobre detalhes que fazem do Capibaribe in Rock um dos eventos de maior resistência cultural de nossa cidade.


Saindo de Limoeiro aos 17 anos, fugindo do alistamento militar, encontrou refúgio e aconchego na terra seca e árida que é a nossa Santa Cruz do Capibaribe, em 18 de junho de 1990 se instala nessa cidade banhada pelo rio capibaribe, por onde vive há mais de trinta anos. Mal sabia ele, naquela época, que vinte cinco anos depois estaríamos celebrando seu grande feito, movido por um coração valente, um corpo político e uma cabeça musical, o Capibaribe in Rock VIVE, trazendo músicas, cinema, artes, oficinas, desfiles, brechós, tudo que for de expressão artística, como o mesmo afirma.


Quando tinha ainda pouca idade Betto já tinha uma paixão pela música, seja através de sua origem em Limoeiro que lhe apresenta o coco de roda, o maracatu e o frevo, seja pelas músicas que sua mãe ouvia, o popular brega do Odair José, seja pelo samba-canção entoado pelo Nelson Gonçalves, que seu pai tanto escutava, ou ainda pela amizade dele enquanto adolescente com Seu Zuzu, o dono da loja de discos de Limoeiro, onde adquiriu muitos de sua coleção de vinis, e onde também descobriu um universos de artistas nacionais e internacionais. Betto traz consigo nessa vinda para Santa Cruz um bisaco cheio de cultura/arte e uma vontade de movimentar, uma vez em Santa Cruz do Capibaribe agitou a cena cultural da cidade e hoje é um dos nomes na produção de arte e cultura de nossa região, ele abre seu baú de memórias para compartilhar conosco um pouco desse percurso enquanto agitador cultural, veja a entrevista a seguir:


Betto, primeiramente gostaríamos que você nos contasse um pouco sobre a sua história e relação com a música.


Sempre gostei de música, que da região que venho, em Limoeiro, sempre convivi com todos esses foguetes populares: coco de roda, caboclinho, ciranda, maracatu, frevo…

Tenho uma proximidade com Recife também, então eu cresci absorvendo e conhecendo todas essas demonstrações culturais de nosso estado, sempre tive um apreço muito grande pelo teatro, através dos colegas do ensino médio.


Inicialmente eu vim pra Santa Cruz, em janeiro, porque em Limoeiro tem tiro de guerra e eu não queria servir o exército, aí eu vim para cá e me alistei, como se já trabalhasse aqui, e morasse aqui, mas já tinha esse plano, como eu completei 18 anos em janeiro eu tinha que vim logo; No começo, comecei a trabalhar numa loja de moda praia e no ano seguinte comecei nesta empresa que trabalho até hoje.


Eu tive uma boa adolescência e infância, peguei boas informações para ir montando essa construção de ser humano, em conhecimento e na parte pedagógica, e a parte da música entra através de minha mãe, de ser uma pessoa muito musical, ela gostava muito da linha popular do brega dos anos 70, Odair José, e do forró pé de serra; meu pai gostava muito de música de seresta, de cantores mais tradicionais, Celestino, Nelson Gonçalves, Silvinho, ele gostava muito de samba carioca e de Luiz Gonzaga e Quinteto Violado…Então eu cresci dentro dessa mistura de estilos, mas tudo música legal, de qualidade, tanto que se perdura até hoje, o que eu escutava, hoje em dia ainda se toca no rádio.


Tem uma música que marcou minha infância, que é Sonhos de Peninha. Porque começou a me lembrar da década de 70, eu morava em Limoeiro, tocava muito na rádio, é uma lembrança que eu tenho de ouvir muito: “mas não tem revolta não…”. É uma música que perdura, porque Caetano regravou no final da década de 90 e virou sucesso de novo, provando que essas músicas perduram por muito tempo.


Além da infância musical que eu tive em casa, na década de 1980, meu pai comprou uma mercearia lá em Limoeiro e tive a felicidade de morar na rua do cara que era dono da loja de disco da cidade, o nome era Primor Som, eu ia lá para comprar revistas que vendia também e comecei a olhar os discos, comentava com os amigos na escola, se eles falavam de alguma banda, eu ia lá na Primor Som procurar se tinha. E eu tive também a sorte de ouvir a rádio transamérica, a rádio cidade, a universitária de recife, que só tocava música clássica, era massa, a antena um que só tocava MPB, Jazz, Blues, ai eu anotava o nome das músicas, era Zuzu o nome do cara, ele fez parte da minha construção musical, eu pedia a ele: Zuzu traz esse disco pra mim, tenho um disco do Queens, the works, eu tenho até hoje, comprei com treze anos.


Em 2022 o Capibaribe in Rock fez 25 anos de existência, um movimento já tradicional no calendário municipal, como você enxerga essa trajetória até aqui?


Resistência, a primeira palavra que me vem na cabeça é resistência, é um movimento de resistência, de eu querer persistir em fazer isso, por amor mesmo, por ter continuado, conseguido manter alguns parceiros, instituições privadas ou públicas, como a UESCC (União dos Estudantes de Santa Cruz do Capibaribe), o CDL, que percebem muito a importância do evento, e eu tive a sorte de desde que criei o capibaribe encontrar com essas pessoas com sensibilidade cultural.


A satisfação pessoal é grande, e por também contar com diversos amigos que sempre toparam participar do evento, seja de qualquer área que fosse, e esse foi um dos motivos que consegui manter o evento, por esse contato com esses artistas de outras áreas culturais. Aí tinha Pio e Nego que faziam os sombras, era mudo né; no teatro tinha aquela galera com Marcio Nunes, Professora Evani, com a saudosa Bethânia, com Lourdes, Ana e Márcia. Tinha também Maria Lu na fotografia, Gilberto Geraldo nas artes plásticas, tinha Edvan, Fábio Xavier, Cândido Freire… eram esses loucos que topavam a minha ideia, a gente ia se ajudando um ao outro e fazia acontecer. É a minha satisfação de tá com a galera que queria expor, que não tinha vergonha e ia lá, eu achava massa ver a arte deles sendo reconhecida.

Quando eu convidava uma banda nova, ou que já tinha história na cidade, para participar do Capibaribe, eu via a satisfação, eles achavam massa demais. Acho que são um conjunto de fatores que me faz continuar resistindo, saber que eu tenho essa ideia louca de fazer e tem um bocado de doido comigo, seja participando como músico, como expositor, ou dando um apoio na produção.


Acho que resumo em força de vontade e resistência mesmo, e eu sou satisfeito com o resultado que tenho, se der para fazer de determinado tamanho, eu faço, em tantos dias, eu faço, se for três bandas, eu faço, vendo que alguém quer fazer, eu faço, enquanto eu tiver convidando e a galera tiver topando, comprando a ideia, eu faço.


Na década de 1990, quando inicia sua carreira artística enquanto DJ, e posteriormente na articulação do Capibaribe in Rock a partir de 1996, com participação que envolvia alguns nomes como Charles Leopoldino, Ailton e Gilberto Geraldo, estreando o festival em 1998… Gostaria que você nos contasse como foi o processo imersivo e criativo desse movimento cultural?


Quando eu cheguei aqui em 1990 uma das primeiras pessoas que eu tive contato foi Carlos Felix, hoje em dia Carlos Mosca, que mora em Campina Grande, a primeira coisa que a gente se identificou é que ele gostava de The Smiths também, a gente tava conversando, não sei se era eu que tava escutando uma fita ou se foi ele que chegou ouvindo no carro e através desse papo a gente se identificou de cara pela questão musical. Carlos trabalhava com parte gráfica, e me convidou para fazer uma festa com ele: “tu vai discotecar?” - “vou sim”. A gente fez até um cartaz inspirado em uma capa do rolling stones, voodoo lounge.

As primeiras festas com som mecânico foram no bar do copo sujo, que era como a gente chamava, lá na rua grande, quando a feira de mangaio era por lá, era um barzinho da parede meia suja, onde o pessoal da feira comia por lá. Foi nesse evento que surgiu o nome Betto Skin, Carlos me perguntou qual nome colocaria no encarte.


A brincadeira com o Skin surgiu em um show de Zé Ramalho que eu tinha ido em São Bento do Una, e na volta a gente passou em Belo Jardim, foi quando eu comecei a usar o cabelo raspado, eu tinha um fusca com a placa de Santo André, uma triste coincidência, porque na época tava tendo os carecas da mercedes em Santo André, que metiam o pau nos nordestinos, nos gays, nos pretos, em todo mundo. Aí paramos para tomar um refrigerante, chegou um cara bêbado e veio até a minha mesa: “Você é um daqueles carecas da mercedes, que tá matando os nordestinos em São Paulo, você é um skinhead, repara na placa do carro…”, depois chegou alguém e levou o rapaz, e ficou por isso. Aí foi quando alguém sugeriu colocar no cartaz, Betto Skinhead, ai eu disse que não né, skinhead é muito pesado, mas bota Betto Skin, que é pele e a gente pode fazer uma referência a minha careca, ai ficou skin.


O evento era eu tocando, a gente comprava as biritas, e lá a gente comprava um caldeirão de xerém com galinha, alugava o espaço e fazia a festa. Por isso que o Capibaribe sempre teve esse conceito de trazer a galera do rock e também o pessoal da diversidade, no primeiro Capibaribe in Rock teve Fabricio França com o grupo Sulancar, teve um desfile de Adriano Morotó, foi totalmente chocante.


Eu vim conseguir fazer exposição no Capibaribe in Rock a partir de 1999, que foi no novo club, teve exposição de Carlos Felix, de Ronaldo Neves com telas, teve performance de Fabrício França, foi bem massa. Agora, hoje, eu sinto falta da renovação nas outras linguagens, a gente consegue sempre trazer novas bandas e grupos musicais, mas eu sinto falta dessa juventude participativa nas outras linguagens.


Eu tentei fazer o Capibaribe por dois anos seguidos sem sucesso, eu conheci Ailton que morava uma rua depois da minha, e a gente tentava apoio nas lojas e nada, em 1996 e em 1997. Ai em 1998 eu já conhecia Charles de vista, e conheci o pessoal da Carcinose, tinha o pessoal que fazia um movimento em Surubim, também, e em maio de 1998, eles me convidaram para fazer um som lá, ai rolou essa empatia, essa conexão por identificação. E aí em juntei a Carcinose, o pessoal de surubim, uma banda de Ailton, e quando vi tinha seis bandas pra tocar na primeira edição do Capibaribe, que aconteceu na Estação do Som, onde é a farmácia Nataly, na avenida 29 de dezembro, Braz que era o dono me confiou o espaço e ai eu consegui fazer dois ou três eventos lá, até hoje Braz tem um carinho imenso por mim. Foi o que eu construí ao longo do tempo, o pouco que eu construí de respeito foram nos pontos essenciais, eu tenho uma casa que é a UESCC para fazer um evento, tenho contato de um pessoal que aluga som.


O primeiro Capibaribe in Rock, aconteceu na data do aniversário da minha mãe, eu fiz involuntariamente, sem saber, depois foi que eu me toquei, em 08 de agosto de 1998, no mesmo ano, nós fizemos o halloween, em 31 de outubro e no final do ano fizemos a Zueira Natalina, então no primeiro ano foram três eventos.


Tiveram pessoas essenciais para esse começo, todo o pessoal da UESCC, Gilberto Geraldo ajudou também muito, o primeiro cartaz quem fez foi Iron, e Charles foi uma pessoa essencial também, chegou junto e topou. A gente só conseguiu fazer porque deu um público da porra, deu umas 600 pessoas, tanto que a grana que deu, a gente ajudou a comprar os instrumentos da Carcinose, fui em Recife com eles comprar bateria, guitarra…


Já passaram pelo palco do Capibaribe in Rock, gêneros musicais como a MPB, a música eletrônica, Indie, o Batuque e Maracatu, a voz e violão… Quando o festival foi pensado era para ser um evento direcionado ao Rock?


Era para ser direcionado a todas as formas de linguagens artísticas e culturais, o rock no nome é algo ilustrativo, me lembra da raiz, porque eu sempre curti rock, mas a ideia foi espelhada no Abril pro Rock, que tinha uma feira pop, o mercado pop, tinha a galera do mangue beat, tinha expositores, e aí eu vi e queria fazer algo desse mesmo modelo, com bem muita diversidade, algo muito massa, no início, em 1994, o evento acontecia no maluco beleza e lá rolava de tudo, tatuagem, brechó, de tudo…eu pensei né, eu não vou fazer algo voltado só ao rock se o que eu quero é mesclar, tanto que a partir de 2001 eu comecei a fazer parceria com a UESCC, eles ofertavam oficinas de percussão e de DJ’s.


A partir de 2000 eu comecei a fazer sozinho com a produção executiva do festival, de captar recursos, sozinho, assim, sozinho entre aspas, porque Charles sempre esteve comigo na captação de recursos, ele foi muito essencial, foi ele quem abriu as portas para o CDL, e também para outras três ou quatro empresas.



Exposição Artística na UESCC. Foto: arquivo de Betto Skin

Atualmente quem compõe a equipe de gestão do Capibaribe in Rock?


Eu tenho como parceiros hoje em dia, na produção, Naldo Budega na parte gráfica, Jorge Luiz cuida das redes sociais, a divulgação, e apresenta o festival e a UESCC, que tá sempre como pedra fundamental, eu tô sempre contando com a UESCC, sempre é a casa, e eu. Mas assim, eu digo eu porque é quem tá correndo atrás, mas se eu não tiver banda para convidar, um segmento, um movimento para convidar, eu não consigo fazer. Esses que eu falei são os pilares mas todo ano a galera que aceita participar fazem o festival comigo também.


Enquanto produtores culturais sabemos que o apoio financeiro público ou privado é bem escasso para produções artísticas, e se tratando de uma região do interior isso se torna ainda mais agravante. Dito isto, acreditar na (re)existência do evento foi difícil? E como aconteciam esses apoios no início?


Muito, a questão do apoio é o seguinte, sem o fomento institucional, no caso, via pública, seja a prefeitura, a secretaria de educação e cultura, é impossível de se fazer o evento, porque a maior despesa do evento está na parte de som e de iluminação, de estrutura. Todas as bandas que se predispõem a tocar, sejam de Santa Cruz ou de fora, das cidades circunvizinhas, ou seja, que tenham o interesse em tocar no festival, mesmo sabendo que não tem cachê, por o evento ser um evento aberto, público, no máximo eu consigo dar uma ajuda de custo, hospedagem e a alimentação, alimentação sempre, é o essencial. Quando a gente consegue trazer uma banda de fora que vem tocar na irmandade, muita gente que vem me diz: arruma um lugar pra ficar aí que a gente vai por nossa conta, eu escuto muito “a gente quer tocar”. aí vem se diverte… Já teve banda que veio tocar de Mossoró, mais de 700km pra cá, eu disse que disponibilizava a hospedagem, mas o combustível não tinha como, eles disseram, não pow a gente vai por nossa conta, 30 de outubro o nome da banda, se eu não me engano vieram tocar na edição de 2013, eu acho bem legal isso ai. Mas o que eu consigo captar junto à iniciativa privada é justamente o básico para poder suprir essas necessidades.


É um evento totalmente apolítico, mas sem o apoio da prefeitura eu não consigo fazer, quando eu chego em cima do palco eu não vou agradecer ao prefeito fulano de tal, mas sim a instituição, porque eu enquanto produtor cultural, eu faço um evento gratuito, tomando muitas vezes o lugar e a obrigação da iniciativa pública que é de fomentar a cultura, e trazer ao jovem e a sociedade o lazer gratuito e eu trago isso, mas ai a visão das prefeituras, das gestões, no meu ponto de vista é uma visão limitada, mínima, com relação ao evento, de interesse, apesar de eu ter esse apoio ai, mas eu sou daquele que se levar um não eu não vou para a rádio criticar, não vou perder meu tempo com isso não. E aí, eu sempre busquei ficar distante dessa disputa política que existe aqui. Mas era para se ter um direcionamento mais adequado para eu oferecer um evento melhor, com uma estrutura maior para o público, pro cidadão santacruzense que é obrigação do município, do estado, da união o que quer que seja, que é fomentar culturas públicas, e eu faço o papel da iniciativa pública. Do mesmo jeito que tem a visão limitada da iniciativa privada também, que às vezes dá o valor da cota mínima, que para o festival, não chega nem a 10% das cotas de grandes eventos ai. Outra porta que abriu nessa última edição do Capibaribe in rock foi uma parceria massa com a Rádio Polo, que cedeu espaço para divulgação, me convidou pra o programa dele, e eu conheci Silvio José pegando carona pra ir pra Surubim, ele era locutor de uma rádio de Surubim, em 1994 quando eu tava voltando para visitar Limoeiro, sempre tive esse carinho com Silvio, essa aproximação, já fez gravação pra mim, gravação de mídia sonora, sempre cedeu o espaço pra divulgação do Capibaribe, eu num sabia a rádio que Silvio tava, mas ele sempre se mostrou aberto a divulgar o festival, isso é outra coisa que eu achei massa, é outra porta que se abre, porque eu também nunca fui de forçar muito não, sempre se apresentaram pessoas sensíveis e permanecem parceiros.


Eu só não tive apoio da gestão municipal nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, a gestão me procura em 2009 e a gente consegue destravar e eles também conseguiram compreender que o que eu faço é um festival apolítico, eu sou apolítico, o evento é direcionado pra música.


Agora vê o que é um festival com o suporte de um edital, em 2009, rolou um edital para microprojetos do semiárido, que envolvia todo o semiárido do nordeste, pegou o agreste, uma parte da Bahia e de Minas Gerais, tudo que era considerado como semiárido, aí o Capibaribe foi contemplado, saiu o resultado no final de 2009, e eu executei justamente no Capibaribe de 2010. Nessa edição eu fiz um evento do jeito que eu queria, três dias, na sexta feira, primeira noite teve maracatu, chorinho, MPB e regional, na segunda noite rock, metal, indie, folk, no domingo teve grupo percussivo, três dias, todo mundo recebendo um cachê legal, um dos parceiros que sempre agregava era Alexandre Soares do Curta Taquary, esse ano de 2010 a gente colocou o projetor na calçada, na parede branca da frente da UESCC e ficou exibindo os filmes na calçada, Luciana fez as exposições dela, teve oficina de confecção de máscara, de percussão, tocou o maracatu chamado Brasilidades que tinha Rubinaldo Catanha e tinha outro Catanha, eram dois Castanhas, que os Catanha é uma etnia em Santa cruz né uma família não, uma musicalidade da porra, Santa Cruz é muito rica por isso. Aí eu digo porra como é massa uma estrutura pra um festival, foi, foi…(não conseguiu achar a palavra que descrevesse).


Beto, saindo um pouco do protocolo, gostaria aqui de reverenciar a sua garra, persistência e resistência para comandar um evento que tomou essa dimensão que tomou, como ele está entalhado na história cultural e política de Santa Cruz do Capibaribe, e evidenciar o produtor cultural porret@ que você é, além de ser o vocalista de uma das bandas que mais passou no palco do festival, a banda Le Freak, que este ano completa 19 anos de carreira. Como você vê a relação entre o Capibaribe in Rock com a Banda Le Freak?


Eu sou feito o dono da bola. O dono da bola era o jogador mais ruim da rua, mas ele jogava em todos os times sempre.


A Projétil Lisérgico surgiu em 1998, e em 2003 fizemos um show lá na rua grande num palco bem grandão, o palco disputou espaço com os bancos da feira e os ônibus de excursão que vinha da Bahia, nessa edição veio dois amigos meus que eram do exército, mas gente boa, colocaram o rapel, montaram lá, Gilberto Geraldo desceu, quem tinha coragem desceu. Foi o último show da Projétil Lisérgico que foi em 2003, e aí em 2004 a gente já começou como Le Freak, aí tivemos um intervalo que foi o período que eu perdi meu pai, em 2005, em 2006 eu pensei em remontar a banda, mas eu vou cantar dessa vez, remontei a banda com Charles na Guitarra, eu no baixo, Beto Moura e Robson. O show de retorno foi no Capibaribe de 2006, que foi em frente ao Tibúrcio, foi na rua.


Eu sempre compunha com Charles. A gente tem um EP gravado em 2014, gravado no Recife, com Charles, Renato, Lamarques, Leitão e Eu, e tem um agora que a gente gravou em 2021, gravamos em Surubim, no studio de Surubim, via Lei Aldir Blanc, que tá lá na nossa página no bandcamp (https://lefreakpe.bandcamp.com/), Adventures em Lo-FI, Aventuras de Baixa Fidelidade.


No prédio de Arthur Clemente, que é pai de Lula Clemente que é um cineasta aqui de Santa Cruz que tem um filme muito cult que é a Galega da Moto. Na edição do Capibaribe in Rock de 2005, a gente tocou lá no prédio de Arthur, no térreo, chamava a garagem e em seguida teve a exibição do curta da Galega da Moto e a gente fez a trilha sonora ao vivo, eu no baixo, Carlos Mosca na Voz, Charles na Guitarra, a gente fez um bregão ficou do caralho!



Projétil Lisérgico. Foto: arquivo de Betto Skin

Banda Le Freak. Foto: arquivo de Betto Skin

Para finalizar, trago um comentário que o Euzébio fez sobre você em uma entrevista para um blog da cidade, ele disse “Betto além de ser o criador do evento é o que ‘dá mais sangue’ para sua realização”. Diante desse fragmento e de tudo que conversamos aqui, o que seria, para você, o principal ingrediente para se criar e resistir um festival dessa proporção?


Ter quem acredite, é como eu disse, eu não tô sozinho, eu tô dando o sangue, mas se eu não tiver banda pra tocar, se eu num tiver ninguém pra expor, se eu não tiver uma casa pra fazer, ninguém faz nada sozinho não. Se eu não tivesse todo esse apoio que eu tive e tenho…o mais massa é quando eu ligo pra alguém convido pro evento e eles dizem na hora “quero”, porque o apoio financeiro é importante também, mas não adiante fomentar se não tiver o artista, se não tiver o louco lá mostrando sua arte. Em toda história do Capibaribe tem muita gente que participou que fez esse movimento acontecer, num foi eu sozinho, eu catalizo, eu vou organizando por aqui, e sempre esperando uma ajuda maior, um reconhecimento maior, por ai.



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